POV Aléxia
No dia seguinte fomos pra casa da tia Amália, ela chamou todo mundo pra ir passar o dia lá , quando chegamos a bagunça já estava feita, era música, era gente na piscina, era tia Amália comandando a cozinha e colocando todo mundo pra trabalhar, vejo Renan vir resmungando da cozinha com uma travessa na mão.
_Agora eu sei onde Aléxia aprendeu a ser mandona!- ele para de falar quando me vê e faz uma cara de quem diz: “é isso mesmo que você ouviu”.
Eu dou o meu sorriso mais sinistro e falo bem alto
_Ô tia, você sabe o que o Renan acabou de falar aqui?- ele empalidece e balança a cabeça pra eu não falar e em um segundo tia Amália se materializa do lado dele.
_Não, o quê ele falou?
_Bom, ele falou...
_Que você é a melhor cozinheira que eu conheço, foi isso que eu falei! Cozinha melhor até que a minha mãe!
_Não foi isso não...- eu falo provocando e tia Amália já entendeu e continua a provocação.
_Ah não foi sobrinha linda, me conta então exatamente o que ele falou- ela fala e segura no braço do Renan que fica verde
_Ele falou que eu aprendi a ser mandona com você e tava resmungando, acho que ele não vai querer provar da sobremesa...
_Como assim, não vou comer sobremesa???- ele fala já aflito.
_Regras da casa, quem reclama porque está trabalhando não tem direito a sobremesa, só come porque eu não vou deixar ninguém com fome na minha casa- tia Amália fala piscando pra mim e pro Carlos.
_Mas, mas isso não pode, eu nem sabia da regra, sou réu primário, tem que ter alívio nessa pena aí, poxa tia Amália, meu amor, linda do meu coração, me libera dessa, por favor
_Vou pensar no seu caso, está em deliberação, depois do almoço eu digo a sentença.- ele sorri como se fosse causa ganha.
_Você tá rindo , quero ver se continua com esse sorriso quando tia Lídia souber que você falou que a comida dela não é a melhor, aliás vou perguntar isso pra ela agora- Carlos fala sacando o celular do bolso
_Carlos Bergman, você não se atreva, se você ligar eu tenho coisas pra contar também e acho que vamos ficar os dois em maus lençóis, mamãe não é uma juíza tão boa quanto a tia Amália, acho bom você guardar esse celular...- ele fala e vejo o Carlos considerar, dar um sorriso e ligar.
_Oi tia Lídia, tudo bem- Renan corre pra colocar a travessa na mesa e volta em dois segundos.
_Nada, é que bateu a saudade, estamos aqui na casa de uma pessoa maravilhosa, que chamamos de tia Amália, não sei se a senhora conhece, ela até viveu um tempo aí em Vitória...- Renan tenta tirar o celular da mão do Carlos e ele o segura mantendo o celular longe do alcance do Renan
_Então, tia, estamos aqui, o Renan tá aqui do meu lado, doido pra falar com a senhora, aliás ele acabou de falar da senhora aqui... O que ele falou? Ah ele falou que...- Renan arranca o celular da mão do Carlos que está morrendo de rir e já tinha uma rodinha assistindo a palhaçada dos dois.
_Oi mamãe... O que eu falei? Ué falei que eu tenho a mãe mais maravilhosa de todas as mães e que eu te amo demais- Carlos, Rô e o Noah tossiram um:”mintchira” e Renan fez cara feia.
_Não mãe, ninguém disse mentira, estão tossindo aqui, acho que alguém engasgou. Tá bom agora eu vou desligar aqui, tenho que ajudar a colocar a comida na mesa... Ham? Por que eu não faço isso na sua casa também? Ué mãe, porque você nunca mandou, mas prometo que a próxima vez que eu for eu faço tá bom? Eu, o Carlos e os filhos dele... Tem sim mãe, agora tem , mas depois te conto tá bom, beijo, te amo!- ele fala e desliga entregando o celular pro Carlos.
_Vai ter troco!- ele diz e vai pra cozinha e todo mundo explode numa gargalhada só
Vejo o meu pai e o puxo num abraço.
_Precisamos conversar minha filha- ele fala e eu assinto
_Vamos para o escritório do tio Francis, lá vai ser melhor pra conversar sem interrupções- ele concorda e nos dirigimos para lá.
Nos sentamos um de frente pro outro e eu espero ele começar.
_Quando a sua mãe nos abandonou, eu perdi meu chão, afinal eu não esperava por isso... Pelo menos não conscientemente, porque lá no fundo eu sabia que isso ppoderia acontecer, sua mãe sempre foi um esírito livre, eu a conheci assim, sabia que ela era assim, mas eu era completamente apaixonado por ela e quando ela engravidou eu achei que ela iria ficar tão feliz quanto eu e que iria querer finalmente sossegar. Mas não foi bem assim, a primeira batalha que tive foi ela não abortar e continuar com a gravidez, ela aceitou, entendeu ou pareceu que entendeu a dádiva de ser mãe e após vencer essa batalha, tive a segunda que foi que ela aceitasse casar comigo, ela era contra “esse tipo de amarras” e se recusou a casar de papel passado, então fomos morar juntos e tudo correu relativamente bem, com algumas reclamações da parte dela, do corpo que não era mais o mesmo, da monotonia do dia a dia da casa, do impedimento que era essa gravidez pra ela exercer o que mais gostava de fazer, mas fui levando e finalmente você nasceu e eu me rendi completamente... Talvez esse meu encantamento não tenha me deixado ver que ela não estava na mesma sintonia que eu, eu atribuí tudo ao cansaço dela, ao pós parto, à rotina, já que eu nem sempre estava aqui pra ajudar, acordei com a vizinha um valor para ajudá-la quando eu não estava e fui levando.
_Mas isso não justifica o que ela...
_Eu sei, mas explica que não foi só culpa dela, eu forcei uma situação, a fiz ir por um caminho que ela deixou bem claro não querer, tudo porque eu queria a minha família, eu queria aquilo pra mim e no final eu fui egoísta por forçar uma pessoa que não queria o mesmo que eu. O erro dela foi ter feito como fez, foi covarde, foi baixo mas foi como ela achou que iria conseguir sair daquela situação. Não quero que você ache que eu fui uma vítima, eu tenho a minha parcela de culpa. A única vítima aqui foi você, de nós dois, nós dois fomos egoístas, cada um de uma forma, mas fomos os dois! Se eu precisasse dessa doação, você me negaria?
_Nunca! Sem nem pestanejar eu daria um braço por você, você é meu herói, meu melhor amigo!- eu digo já chorando
_Então, meu amor, não negue pra ela, eu sei que se você não fizer isso vai te machucar pro resto da vida, não por ela ser sua mãe...
_Progenitora!
_Tá bom, progenitora, mas porque eu sei que você não negaria fazer isso por ninguém, eu te conheço melhor do que ninguém, eu sei que isso vai te machucar...
_Eu já tinha decidido fazer, você tem toda a razão, eu nunca negaria fazer isso pra ninguém e é como eu vou doar, como se fosse pra um estranho, não quero contato nenhum com eles e não quero que ela se aproxime de você novamente, deixei isso bem claro pra ela!
_Aliás dona Aléxia, quer dizer então que você sabia esse tempo todo onde ela estava?
_Sabia, usei seus contatos dentro da força desde que vim pro Rio, na época da faculdade- eu falei dando um sorriso sem graça.
_Essa é a minha garota! Te amo garota, te amo muito- ele fala e me abraça, como eu estava com saudade desse abraço de amor!
_ Vamos pra lá senão daqui a pouco Amália vem buscar a gente pela orelha- ele fala rindo e fomos.
Ao passar pela varanda que dava pros quartos, vejo o Hasmiro, Fernando e Aninha conversando e acho estranho
_Vem, esse é outro assunto e você vai saber assim que for a hora- olhei pra ele estreitando os olhos.
_Você e seus segredinhos, né seu Henrique?!!
Ele encolhe os ombros e me puxa pra perto da piscina onde estão quase todos, afinal tinha três em outro lugar e eu vou descobrir esse segredinho...
Tá chegando o final, ainda temos coisas pra descobrir e um casamento pra ir!
Leiam, votem, comentem e compartilhem,por favor meninas, gostaria muito de saber o que vcs acham da estória se está boa,coerente, se é boa, please, preciso de um feedback
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Nunca te esqueci
RomansQuanto tempo um amor pode ser guardado? Por quantos anos é possível lembrar de um aroma, de um sabor ou de um toque? Por quanto tempo os sentidos recordam um amor cheio de promessas não ditas e que não puderam ser cumpridas por causa do destino de o...
