Graças aos céus, Marilia estava disposta a ver um filme comigo. Não que eu tivesse dado a chance de ela cair fora, claro. Caprichei no visual, tentando passar a impressão de que eu usava sempre aquele vestido justo e sapatos de salto.
Claro que a Marilia percebeu que havia algo estranho.
- Vai sair mais tarde? – perguntou enquanto conectava a netflix na tv.
- Não, por quê?
- Você está toda arrumada. O que aconteceu com as suas pantufas? – ela quis saber, se acomodando no sofá.
- Ah, eu... perdi no meio da bagunça. Acho que preciso arrumar meu quarto – tentei sorrir.
- Você parece tensa – ela comentou, analisando a forma rígida como me sentei.
- Quem eu? Imagina! – eu cruzei as pernas, dando a ela uma boa visão das minhas coxas. Com satisfação, vi seus olhos demorarem um segundo ou dois nelas antes de voltarem para a tv.
Recusei a pipoca e fiquei só no refrigerante, o que acabou sendo um problema, já que precisei que ela parasse o filme três vezes para ir ao banheiro. Marilia ficou o tempo todo sentada na ponta, apoiada no braço do sofá, atenta ao filme. Eu pouco vi o que se passava na tela. A cada ida ao banheiro, aproveitava para me sentar um pouco mais perto, até que fiquei a dois palmos dela. Ela não pareceu notar.
Suspirei frustrada.
Então ela olhou para mim.
- Não está gostando? – perguntou com um leve sorriso nos lábios, me oferecendo pipoca.
- Tô adorando – sorri de volta, pegando um punhadinho e enfiando na boca.
Ela me encarou, em duvida, mas deixou passar. Ao poucos fui me aproximando, até quase nos tocarmos. Cruzei os braços sobre o peito.
- Está com frio? – Marilia indagou.
- Minhas mãos estão um pouco frias
- Vem cá – ela pegou minhas mãos e as aninhou entre as suas, fazendo com que eu me sentisse anestesiada. Por alguns segundos. – Já vai esquentar.
Ah, com certeza.
Eu mal respirava. Marilia era uma incógnita para mim. Ás vezes, como naquele momento, me tocava sem que eu precisasse recorrer a subterfúgios. Em outras, dava mais trabalho que cabelo alisado de chapinha em dia de chuva.
Aos poucos, sempre observando seu rosto, esperando encontrar algum traço de reprovação, fui chegando mais perto, mas no rosto dela não havia nada além de concentração no filme. Acabei me apoiando no seu braço, cautelosamente. Como ela não recuou, encostei a cabeça no seu ombro. Marilia entrelaçou os dedos nos meus, brincando com a ponta deles sem se dar conta.
Suspirei, contente.
- Que foi? – perguntou ela.
- Nada. Só estou feliz.
- Por quê? – indagou curiosa.
- Nada de especial – dei de ombros – Só... Feliz por nada.
Ela sorriu.
- Por incrível que pareça, eu também estou – e me surpreendeu novamente passando um braço em meus ombros e me trazendo para mais perto. – Quem diria que isso fosse possível? Estar feliz ao lado dessa garota irritante?
- Quem diria que a arrogante Marilia Mendonça pudesse ter senso de humor? – zombei.
- Sabe, Maiara esse acordo não foi de todo ruim. Eu não consegui minha promoção, e as vezes parece que todo mundo desconfia que nosso relacionamento é uma farsa, mas eu tenho gostado demais disso. Dessa amizade.
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Procura-se Uma Esposa
FanfictionMaiara sabe curtir a vida, já viajou o mundo é inconsequente, adora uma balada e é louca por sua avo, uma rica empresária, dona de um patrimônio incalculável é sua única família. Após a morte de sua vó, ela vê sua vida ruir com a abertura do testame...
