Solução? e bebedeira

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       Cheguei exausta a casa da Isa. Halsey me obrigou a arquivar um milhão de contratos idiotas. Eu não tinha certeza se havia guardado tudo no lugar certo, mas como não havia ninguém no arquivamento para me ensinar ou deletar fiz o que pude. Isa já tinha chegado e preparado as deliciosas enchiladas de frango. A casa simples, com apenas dois quartos, porém aconchegante era cheia de vida. O oposto do que havia se tornado a minha. Estava passando mais tempo na casa dela do que na minha, e já tinha uma pilha considerável de roupas na casa da minha amiga. Eu não gostava de invadir sua privacidade desse jeito, mas naquele momento não me restava alternativa.

       Mara, no entanto havia pensado em uma.

      - Conversei com Lauana, é ela que resolve os problemas jurídicos da clínica. Garota bacana. - Ela explicou, se jogando no sofá da sala pouco espaçosa,  mas muito bem decorada. - Ela disse que se você constatar a saúde mental da sua avó, talvez possa anular o testamento.

       - O Saimon disse que eu não posso contestar o testamento. - Lembrei a ela.

     - Eu sei, mas contentaria sua avó, não o testamento. - Ela sorriu, colocando os pés no assento e abraçando as pernas. - E uma maneira de burlar a lei, entendeu?

     Hummmmm, ter minha casa de volta só para mim, um bocado de grana e nada de acordar cedo. Mas isso implica em degrini a imagem da minha avó, quase tão imaculada quanto a da virgem Maria. Nem eu seria capaz de descer tão baixo.

    - Valeu, Mara. - Respondi desanimada . - Mas acho que não posso fazer isso. Eu não quero transformar minha avó em uma doida de pedra, vou tentar ir levando até aparecer uma nova ideia.

     Ela suspirou.

     - Imaginei que você não seria capaz, mas você não pode ignorar essa possibilidade caso.... as coisas piorem.

    Eu ri sem humor algum.

     - Como pode ficar pior do que já está? É impossível !

      - O que pretende fazer então?

    - Tomar um banho e depois rua. - Respondi, Mara sorriu totalmente a favor do meu plano. - Estou cheia dessa vida regrada, preciso sair e esquecer a vida de lacaia. Minha grana tá acabando, e tenho que comprar uma roupas mais certinhas. Quem sabe assim alguém me respeita naquela empresa. Hoje ouvi dizer que o salário vai sair por esses dias. Bem a tempo, ou vou ter que pedir dinheiro emprestado.

      Ela riu.

     - Bem vinda ao mundo do pobres.

     - Você não é pobre, Isa. É nutricionista e dona da sua própria clínica.

     - Recém-formada e quase sem nenhum cliente que paga em dinheiro vivo. O que esses planos de saúde repassam e uma vergonha. - Ela reclamou. - E qualquer um é pobre comparado a você..... pelo menos ao o que você tinha antes da sua avó morrer.

      Tomei um banho rápido e vesti um jeans escuro e uma blusinha branca com delicados babados que eu havia comprado no mercado central de Lisboa. E agora contava moedas para comprar cerveja, que provavelmente estaria quente. Era o fim da linha....

     Produzidas e ansiosas, Isa e eu entramos na primeira casa noturna que  encontramos, e o ambiente obscuro e enevoado, porém vibrante era animador. Tomamos várias, eu tinha muitos motivos para beber. Um deles era afogar a raiva que me dominava por estar oficialmente órfã há trinta dias.

     Não me senti melhor, de toda forma.

   - Vamos nessa? - Isa sugeriu quando a madrugada já avançava. - Meu estômago esmeio revolto, acho que as enchilas não caíram bem.

Procura-se Uma EsposaOnde histórias criam vida. Descubra agora