Passei o caminho todo vibrando como uma tola por Marilia ter dito “Nossa casa” com tanta naturalidade. Era uma coisa boa, mas para mim é como se ela realmente me visse como parte de sua vida, como sua parceira de... o que quer que fosse.
Ela estacionou na garagem e saímos do carro. Desci muito ansiosa, para chegar logo em casa e ver o que ela, tramava. Um vinho delicioso e queijos para uma noite a dois? Um colchão novinho em folha, e queria minha opinião sobre sua maciez? Uma garota podia sonhar....
No entanto, Marilia não se moveu, ficou parada na minha frente, me encarando.
- O que você acha? –perguntou um pouco tensa.
- Do quê?
- Do seu presente.
- Hã... Eu não sei... Talvez se eu pudesse ver primeiro...
Ela então tirou uma chave da bolsa e me entregou.
- Humm... é uma chave bem bonita.
Ela riu, um pouco tensa, apontando para o automóvel atrás de si.
Um carro pequeno, mas de aparência robusta, amarelo-vivo, sorria na vaga ao lado do suv da Marilia, na garagem subterrânea. Perdi o fôlego.
- Você... você está... Esse carro é... o..
- Você gosta? – ela perguntou ansiosa.
- Marilia – engoli seco – Você está me dando esse carro? – consegui perguntar por fim.
Ela assentiu.
- Achei essa cor alegre e ousada, a sua cara. Não que eu te ache extravagante nem nada disso. Só deduzi que, diante das opções, esse seria mais do seu jeito. Eu sei que não se compara com o seu antigo cupê, não tem itens luxuosos, e nem vamos falar do motor, mas... talvez você prefira um carro mais simples a ter que depender de ônibus – ela deu de ombros, as mão para trás do corpo.
Um nó fechou minha garganta. Em menos de uma hora, eu recebera duas propostas de um carro só meu. Uma tão diferente da outra. E não era por causa do carro novo e reluzente estacionado diante de mim que eu me encontrava sem fala, era pelo gesto. Marilia se importava comigo a ponto de me comprar um carro. Ela se importava! E certamente não exigiria nada em troca. Talvez não quisesse nem mesmo um “Muito obrigada”.
- Marilia...
- Você não pode depender de mim para tudo, Maiara – ela continuou – Quer dizer, espero que ainda queira ir comigo para a M&C. seria ecologicamente correto e, já que vamos as duas para o mesmo lugar e no mesmo horário, seria mais inteligente usar apenas um carro, economizar combustível, essas coisas. Mas, se você quiser ir sem mim, tudo bem – e correu nervosamente a mão pelos cabelos macios e longo.
- Marilia...
- O que estou querendo dizer é que eu não quero que você se sinta obrigada a nada. Esse carro é um presente e não estou tentando comprar sua companhia. – tão, tão diferente da proposta de Simon... – Pode até trocar se você não tiver gostado. Pode vender e comprar outro ou... outra coisa... desde que não seja uma moto! Porque eu não acho seguro andar naquelas coisas nesse trânsito doido, e sei que você gosta de emoções fortes, e o risco seria grande... – ela não parava de trocar o peso do corpo de uma perna para outra, suas mãos estavam tão agitadas quanto sua fala desenfreada, os olhos fugiam dos meus, não se prendiam em meu rosto por mais que dois segundos.
Aproximei-me dela, um passo de cada vez, até ficarmos tão perto que se eu suspirasse, meu peito tocaria o seu. Finalmente consegui atrair sua atenção, fazer com que seus olhos se atrelassem aos meus.
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Procura-se Uma Esposa
Fiksyen PeminatMaiara sabe curtir a vida, já viajou o mundo é inconsequente, adora uma balada e é louca por sua avo, uma rica empresária, dona de um patrimônio incalculável é sua única família. Após a morte de sua vó, ela vê sua vida ruir com a abertura do testame...
