- Você enlouqueceu de vez! – gritou Isa, batendo a porta do guarda-roupa, quando expliquei a ela como planejava concertar minha vida.
- Talvez você esteja certa – eu disse terminando de prender os cabelos – Mas não vou ficar parada vendo a minha vida ruir porque alguém armou pra cima de mim.
- Mas invadir uma casa? Isso é sério, Maih? – ela disse abotoando a camisa branca. O rosto estava tenso. – Até pra você
- Não é tão sério assim.... – mas ela tinha razão e eu sabia disso. O grande problema é que eu tinha certeza de que havia algo oculto naquela história, algo que poderia me ajudar a sair daquele pesadelo, e eu estava pronta para pagar o preço. Porém colocar a Isa naquela roubada estava me matando.
- Você não vai comigo. Tô sozinha nessa.
- Nem pensar! Se você for eu também vou. – ela cruzou os braços sobre o peito quando tentei argumentar. – E nem adianta tentar discutir. Ou vamos as duas, ou não vai nenhuma!
- Isa – suspirei – Eu já te meti em mais confusão do que gostaria. Aqui estou eu outra vez, incomodando você. Você sempre foi a mais responsável de nós duas. Pensa no que está querendo fazer.
- É por isso mesmo que quero ir. Preciso fazer algo bem idiota. – ela resmungou.
Suspirei passando os braços sobre seus ombros. Nós duas estávamos arrasadas emocionalmente, mas por razões diferentes.
- Você ainda está chateada com a Luisa?
- Não – ela encostou a cabeça no meu ombro e gemeu. – Tá bom, estou. Não é que eu não entenda. Quer dizer, ela estava fazendo as aulas de mergulho e eu sabia. Mas, até você sugerir, nunca me ocorreu que ela pretendia mudar para o litoral e trabalhar como guia turística subaquática. E nunca me ocorreu que ela quisesse que eu fosse junta. A gente mal se conhece!
- Na verdade, vocês se conhecem há um tempão – apontei.
- Tá, mas eu digo conhecer. Isso é loucura! Não posso simplesmente largar tudo e mudar com ela para uma praia qualquer. Seria praticamente um casamento, um passo grande demais e idiota e...
- Invadir casas é bem menos assustador? – tentei.
-Exatamente – ela riu – Vamos mesmo fazer isso?
- Eu vou – esclareci – Vou precisar da ajuda da Marilia. Não sei como ela vai me receber hoje, então cruza os dedos pra dar tudo certo.
Ela avaliou meu rosto e murchou um pouco.
- Ela ainda não ligou?
Sacudi a cabeça, encarando o chão.
Eu estava furiosa, entre outras coisas com a Marilia. Como ela pode imaginar que eu estava mais interessada em dinheiro do que nela? Eu ainda me questionava como ela fora capaz de pensar algo assim a meu respeito. Como?
Tudo bem, eu havia me casado com ela para rever minha herança, mas isso foi antes de me apaixonar. Ela devia saber disso.
- Ela acha que eu a troquei por grana – comentei – Nem me deu chance de explicar. Que tipo de mulher ela acha que sou? Tudo bem, admito, foi o que pareceu, mas ela é minha esposa, droga! Devia me conhecer. Acho que o orgulho dela é maior do que o que ela sente por mim.
- Não, Maih. Você está enganada. A Marilia te ama, só está magoada. Talvez ela precise de mais tempo para curar as feridas. Não faz nem vinte e quatro horas que tudo desandou. Quem sabe hoje vocês acabam se acertando....
- Ela não vai me procurar. Mas tenho que falar com ela mesmo assim. Não sei se vou suportar, Isa. Ver a Marilia ali perto e ao mesmo tempo a quilômetros de distância.
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Procura-se Uma Esposa
Fiksi PenggemarMaiara sabe curtir a vida, já viajou o mundo é inconsequente, adora uma balada e é louca por sua avo, uma rica empresária, dona de um patrimônio incalculável é sua única família. Após a morte de sua vó, ela vê sua vida ruir com a abertura do testame...
