Por um momento, eu achei que estivesse presa num pesadelo. Tudo aconteceu tão rápido e de repente desacelerou, como em câmera lenta. Até a bala que vinha em minha direção se movia lentamente. Fiquei esperando o tal filme da minha vida começar, louca para relembrar os momentos mais felizes, mas o que vi se desenrolar á minha frente foi muito mais assustador do que todas as minhas piores memórias juntas.
Antes que eu pudesse piscar, um ombro bloqueou minha visão e mãos agarraram meus braços, seu peso me fez perder o equilíbrio e seguir em direção ao piso de mármore. Ouvi o som aterrorizante de carne e músculos sendo dilacerados pelo projétil. Escutei o gemido de dor. Então encontrei aqueles olhos verdes me observando, espantados.
- Não! – tentei gritar, mas estava sem ar, o momento me fez perder o ar por alguns segundos,
O corpo da Marilia ficou mole sobre o meu. Tentei empurra-la para o lado, para que eu pudesse acudi-la, mas não consegui estava em pânico. Ela piscava muito, tentava não gemer. Eu não conseguia ver onde a bala atingira.
O mundo voltou a girar, veloz e assustador. Alguém caiu. Magda. Isa se abaixou atrás do sofá, e Sheron ignorando a idade, o tamanho e o bom-senso, estava dando vários tapas e socos no Simon para desarma-lo. Os seguranças se entre olhavam, sem saber o que fazer.
Marilia começou a se mover, tentando sentar, a mão pressionada sobre o ombro esquerdo, os olhos presos no embate entre o Simon e Sheron. Antes que ela decidisse se levantar e tentar salvar o mundo, procurei qualquer coisa que pudesse usar para atingir o Simon, que acabara de empurrar Sheron com ignorância, derrubando-a. Sheron gemeu.
- Você não devia ter me desafiado! – Simon disse, subitamente á minha frente.
- Marilia, não! – gritei, mas não fui rápida o bastante.
Marilia se lançou sobre Simon, desajeitada, e acabou acertando um soco naquela cara. Simon balançou, e Marilia usou o peso do próprio corpo para derruba-lo. O punho da Marilia encontrou o nariz de Simon varias vezes. Simon era maior, mais pesado e, em segundos se recuperou e trocou vários socos com a Marilia, e eu não conseguia me meter entre os dois, com medo de que a Marilia se ferisse ainda mais. Em algum momento, avistei a arma ali no meio. Era como naqueles filmes em que o bandido e a donzela se engalfinham, e em seguida haveria um tiro. Um dos dois estaria morto. Eu não podia permitir que isso acontecesse.
- Chamem a policia! – ordenei aos dois seguranças abobalhados. Eles se entreolharam novamente, e depois de um minuto de hesitação, um deles deixou a sala. O outro tapado observava a luta, sem saber o que fazer.
- FAZ ALGUMA COISA!- gritei pra ele que assentiu e correu em direção a Sheron.
- Ela...Não...Vai...Ficar... com o meu dinheiro – grunhiu Simon, conseguindo se colocar sobre a Marilia e envolvendo seu pescoço com uma das mãos, enquanto a outra alcançava a arma, que caíra no chão por um microssegundo.
Tomando impulso, voei sobre Simon, derrubando-o meio de lado. Acertei-o como pude, no estômago, no queixo, na orelha, nas costelas. Ele tentou apontar a arma para mim, mas mãos pequenas e fortes o impediram. Marilia se esforçava para desarma-lo enquanto eu tentava nocauteá-lo. Os ossos de minha mão estalaram, mas eu não senti a dor. Numa ultima tentativa, Simon conseguiu enfiar o joelho entre minhas costelas e eu cai, sem fôlego.
Marilia hesitou ao me ver arfando em busca de ar, e Simon se aproveitou, atingindo-a no nariz, deixando-a atordoada o suficiente para se livrar de suas mãos. Simon se colocou de pé, meio torto, trôpego, ensanguentado, os olhos injetados presos nos meus. Então seus lábios se curvaram para cima, num sorriso diabólico. Ele ergueu o braço lentamente, apontando o cano do revólver para mim.
Fechei os olhos e esperei que tudo acabasse.
Um baque surdo e um gemido me fizeram abrir os olhos, Simon estava caindo, os olhos se revirando nas órbitas. Marilia estava atrás dele, arfante, ferida. O vaso de prata pendeu em sua mão e caiu a seus pés. Simon desabou, mole soltando a arma, os olhos fechados, a boca entreaberta. Marilia chutou o revólver para longe antes de entregar os pontos e se deixar afundar no chão. Corri para ela, desabalada.
- Marilia, fala comigo! – pedi, me agachando a seu lado, tocando seu ombro e encharcando minhas mãos de sangue. Observei-as por um momento onírico, tomada pelo mais absoluto horror – Ah, Deus, não!
- Shhh.... – ela gemeu com a voz engasgada – Estou...bem. não se preo...cupe.
- Não fique ai parado como um idiota! Chame ajuda! – ouvi Sheron dizer. Talvez ela se dirigisse ao segurança, eu não conseguia desgrudar os olhos de todo aquele sangue. Meu coração batia num ritmo alucinante, doía, sangrava. Marilia sangrava. E era minha prioridade.
- Ah, não! Você não! – chorei, saindo do topor, quando percebi que ela pretendia se sentar. Eu a empurrei o mais gentil possível que pude de volta para o chão, estendendo as pernas embaixo de sua cabeça na tentativa de deixa-la o mais confortável, quando vislumbrei a enorme ferida em suas costas, no meio do ombro – Não!
- Estou bem... Não chora- ela ofegou, num esforço hercúleo para soar menos agonizante. Seus lindos olhos estavam fixos nos meus. Seu rosto estava coberto de sangue. Sangue dele, de Simon, eu não fazia ideia.
- Por favor, não morre! – implorei.
Ela sorriu brevemente
- Não vou morrer. Prometo –mas uma poça de sangue se formava no mármore branco.
- AH, MEU DEUS! O SIMON MATOU A MARILIA! O SIMON MATOU A MARILIA!- ouvi a Isa gritar histericamente.
- A Marilia está ferida, mas está consciente – Sheron tentou acalmá-la – Ela vai ficar bem. Acalme-se querida, você só está tendo uma noite ruim. – e tentou se endireitar.
Tentei mudar de posição para que a Marilia ficasse mais confortável, se é que isso era possível, mas ela me interpretou mal.
- Fica comigo – pediu com a voz mais controlada.
Lágrimas turvavam minha visão. Eu assenti freneticamente.
- Fico. Pra sempre.
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Procura-se Uma Esposa
FanfictionMaiara sabe curtir a vida, já viajou o mundo é inconsequente, adora uma balada e é louca por sua avo, uma rica empresária, dona de um patrimônio incalculável é sua única família. Após a morte de sua vó, ela vê sua vida ruir com a abertura do testame...
