Quando voltei para o jardim, Elisa estava escorada na árvore, olhando ao redor com uma expressão ansiosa. Mas quando me viu, abriu um sorriso doce, que fez algo quente percorrer minha pele, como uma reação química. Ela tinha vestido minha camisa, que tinha ficado grande demais no corpo dela, mas que a deixava muito atraente.
Desviei meus olhos ao me aproximar, porque sabia que não podia querer nada com ela. Eu tinha 20 anos e se eu estivesse certo sobre ela, ela era uns 5 anos mais nova, mesmo que pudesse parecer que não. Havia uma bandeira vermelha ali, que eu não podia ignorar, mesmo que ela fosse muito tentadora. Se ela fosse mais velha, talvez a noite terminasse de uma forma bem diferente.
—Tudo bem? —Indagou, com o sorriso oscilando, como se percebesse que havia alguma coisa diferente em mim. Abri um sorriso pra ela, me escorando na árvore ao seu lado, mais perto do que seria recomendado. Elisa soltou uma respiração trêmula, erguendo o queixo pra olhar pra mim.
—Tudo bem. Alguém mexeu com você? —Questionei, vendo-a rir e negar com a cabeça, antes de morder o lábio inferior com força, desviando os olhos de mim para o chão.
—Posso confessar uma coisa? —Indagou, com a voz saindo baixa demais e as bochechas se pintando de vermelho. Balancei a cabeça ir sim, vendo-a erguer a mão e colocar os cabelos atrás da orelha. —Acho que você vai me achar uma idiota.
—Muito improvável. —Retruquei, o que a fez rir, antes de ficar seria de novo, parecendo muito nervosa. Elisa ergueu a cabeça e me encarou, com aqueles olhos verdes me puxando em direção a ela.
—Fui assistir o jogo por sua causa. Já sabia quem você era e já tinha visto alguns dos seus jogos na internet. —Ela riu, esfregando as mãos na bochecha, parecendo muito sem graça, enquanto eu engolia em seco ao ouvir aquilo. —Estava ansiosa pra te ver pessoalmente e quase não acreditei quando você apareceu lá na tela pra falar comigo. Vim nessa festa esperando encontrar você.
Ela balançou a cabeça negativamente, encarando meu rosto como se esperasse por alguma reação minha. Mas eu estava rígido contra aquela árvore, sabendo que aquilo ali não ia terminar bem. Eu provavelmente era só uma paixonite idiota pra ela, que ia acabar aquela noite.
—Eu sei, isso é bem patético, né? Eu sou muito boba. Mas é que você sempre me chamou atenção...
—Elisa?
Olhei para o lado, sentindo meus ombros caírem em alívio e desânimo quando o irmão dela surgiu do meio das pessoas, parecendo visivelmente aliviado por vê-la. Elisa se encolheu ao meu lado, como se tivesse sido pega fazendo alguma coisa muito errada.
—Nicholas? —A voz dela saiu hesitante, como se ela não acreditasse que ele estava realmente ali.
Mas não era difícil destacá-lo no meio de todos aqueles jovens, já que Nicholas tinha mais de 30 anos e aquele lugar não era nem um pouco a cara dele. Ele se aproximou, erguendo as mãos, como se esperasse que ela se explicasse sem ele precisar falar nada.
—Você sumiu e não me deu mais notícias. —Ele parou quando ela se aproximou apressadamente dele, com a respiração pesada. —Eu já estava quase ligando pra casa pra avisar nossos pais.
—Desculpa, eu só queria vir um pouco na festa. Não ia demorar a voltar pro hotel. —Elisa tentou se explicar, parecendo visivelmente envergonhada.
—Isso não é desculpa, Elisa. Eu sou responsável por você nessa viagem. E se acontece alguma coisa? Eu estava morrendo de preocupação. A Ella também estava. —Nicholas soltou uma respiração pesada, parecendo irritado e até mesmo frustrado. —Eu disse pra você que não queria você nessa festa. Isso não é lugar pra você.
—Desculpa. —Sussurrou, abaixando a cabeça, enquanto abraçava o próprio corpo. A voz não passando de um sussurro. —Não conta pro papai e pra mamãe, por favor.
Observei Nicholas respirar fundo, exibindo uma expressão de pura resignação, antes de a puxar para um abraço e deixar um beijo no topo da sua cabeça. Elisa o abraçou de volta, enquanto eu dava alguns passos para sair dali, porque já tinha cumprido a minha parte.
—Ei, Caleb, bom ver você. —Nicholas olhou pra mim, o que fez Elisa se afastar dele na mesma hora, quando percebeu que o irmão falava comigo. —Obrigado por me ligar, cara. Eu estava morrendo de preocupação já.
—Eu entendo. Irmãs mais novas. —Falei, dando de ombros, vendo os olhos de Elisa se fixarem no meu rosto, enquanto ela absorvia aquelas palavras. A expressão envergonhada dando lugar a surpresa e depois a magoa, quando ela percebeu o que aquilo significava. O que eu tinha feito.
Ela empurrou Nicholas, saindo em disparada para dentro da casa, enquanto eu tentava ignorar a sensação de aperto no meu peito. Eu tinha feito a coisa certa. Eu nem mesmo a conhecia direito, assim como ela não me conhecia. Eu sabia da existência dela e ela sabia sobre a minha. Mas aquilo era só. Elisa não deveria estar naquela festa.
—Desculpa por isso e obrigada de novo. —Nicholas falou, antes de ir atrás dela.
Me escorei na árvore de novo, balançando a cabeça negativamente, enquanto Adam se aproximava de mim. Ele olhou com a testa franzida na direção de Nicholas, como se não tivesse certeza de que estava vendo certo, já que a última pessoa que esperávamos encontrar naquela festa era ele.
—Aquele era o...
—Sim. —Falei, antes que Adam terminasse de falar.
—O que ele estava fazendo aqui?
—Veio buscar a irmã. —Adam me olhou ao ouvir minha resposta, parecendo ainda mais confuso com tudo aquilo. —A garota que você viu comigo.
—Ah, sério? Jurava que ela ainda era criança. —Adam riu, erguendo a mão para esfregar a testa, como se aquilo fosse realmente surpreendente. —Quantos anos ela tem?
—Se eu não estiver errado, 15 ou 16. —Soltei, quase entredentes, porque queria esquecer daquele assunto. Adam olhou pra mim, erguendo as sobrancelhas quando ouviu meu tom de voz, como se soubesse que havia alguma coisa ali.
—Ah, cara, você ficou interessado? —Questionou, antes de soltar um som resignado com a boca, balançando a cabeça negativamente. —Você ligou pro irmão dela, não foi? —Olhei pra ele, tombando a cabeça de lado, porque aquilo era óbvio. —Foi o melhor, Caleb. Aquela garota só ia trazer problemas pra você. Ela nem deveria estar nessa festa.
Eu sabia que ele tinha razão, mas por algum motivo aquilo não diminuiu a sensação esquisita dentro do meu peito.
Continua...
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Todos os lances da conquista / Vol. 1
RomanceCaleb Carson é o rebatedor do time de beisebol da universidade e a promessa do esporte para a próxima temporada. Mas mesmo que o beisebol seja sua paixão e todos lhe digam para segui-lo, seu maior sonho é voltar para Aspen e trabalhar no escritório...
