Caleb
Eu com certeza não vou esquecer dessa noite tão cedo. Algumas coisas foram ótimas, é claro, porque não posso descrever a sensação de alívio que senti quando Victor me mostrou todas as provas que tinha conseguido encontrar. Para minha surpresa, Luc apareceu atrás de nós dois, questionando o que estávamos aprontando, porque ele parecia já prever que alguma coisa estava acontecendo pra Victor está ali.
Não posso descrever também como foi a reação de Luc enquanto Victor explicava pra ele o que tinha encontrado. Vi os olhos dele absorverem as informações, como se ele se negasse a acreditar naquilo. Luc tinha ficado uns bons minutos em silêncio, antes de pedir para Victor ligar para a polícia.
Mas acho que isso não foi pior do que ele perceber o que um amigo próximo dele estava tentando fazer com sua filha. Queria que meus pensamentos sobre Reynolds estivessem errados. Queria mesmo. Ver a forma como Elisa ficou abalada porque ele tinha tentado algo, quebrou alguma coisa dentro de mim. Eu não deveria tê-la deixado sozinha um segundo sequer.
Apertei a mão de Elisa, sentindo a tensão dela. Estávamos sentados o sofá. Meu braço ao redor dela e o outro segurando sua mão. Merlin estava aninhado no seu colo, como se estivesse sendo protetor com ela também. Todos os convidados tinham ido embora quando a confusão começou, não antes de ajudarem a tirar Luc de cima de Reynolds, já que ele não parou de batê-lo por nada.
Não sei qual o estado que ele ficou, mas tinha certeza que foi feio. Mesmo querendo bater nele também, sabia que Elisa precisava de mim mais do que qualquer outra coisa. Ela era a única coisa que importava no momento. Me inclinei e beijei sua testa, antes de olhar para Nicholas, vendo-o sentado no outro sofá ao lado de Ella e Victor. Os três estavam em um silêncio tenso.
Karen foi a primeira a entrar em casa, enquanto o casa, enquanto o som dos carros da polícia se afastavam. Ela já não estava mais chorando, mesmo que durante os momentos no quarto de Elisa, ela parecesse muito abalada, tanto quanto a filha. Ela parou quando nos viu, umedecendo os lábios com a língua, antes de respirar fundo.
—Amanhã cedo todos nós teremos que comparecer à delegacia, mas por hoje está tudo resolvido. —Ela abriu um sorriso dolorido, olhando para Nicholas , Ella e Victor. —As crianças estão bem?
—Sim, Julian e a Abigail foram ficar com eles. —Victor afirmou, antes de ficar de pé, enquanto Karen assentia com a cabeça. —Acho melhor eu ir pra casa, na verdade. Amanhã cedo estarei aqui pra ajudar no que precisarem.
—Obrigada, Victor. —Karen deu um beijo na bochecha de Victor, antes de ele se despedir de todos nós e ir embora. —Vocês dois podem dormir aqui se quiserem. Acho que seria bom.
—Claro, vamos ficar. —Ella abriu um sorriso para Karen, antes de ficar de pé e estender a mão para Nicholas. Ele se levantou com movimentos lentos, como se estivesse cansado. —Vamos subir, se não se importarem. Preciso ligar para a Abigail pra saber se a Madison já dormiu.
Ninguém falou nada, além de Karen ter concordado com a cabeça com um movimento quase robótico. Ela hesitou por um momento, antes de caminhar até onde eu e Elisa estávamos sentados. Elisa ergueu a cabeça quando sua mãe se ajoelhou na nossa frente, erguendo a mão para passar a mão em Merlin.
—A culpa não é de vocês. —Elisa sussurrou, enquanto algumas lágrimas escorriam das bochechas de Karen, quando ela fechou os olhos e negou com a cabeça. —Não é, mãe. Vocês não tinham como saber.
—Nenhuma mãe quer que seus filhos passe por uma situação assim. —Karen abriu os olhos e encarou Elisa, parecendo estar se sentindo muito culpada. —Ainda mais dentro da nossa casa, com alguém que a gente confiava e...
Elisa se inclinou e as duas se abraçaram apertado, enquanto eu sentia vontade de ir até a delegacia e bater em Reynolds por estar fazendo eles passarem por isso. Mas eu sabia que se dependesse de Luc, ele ia passar um bom tempo na cadeia e não ia chegar perto de Elisa nunca mais.
Ergui a cabeça quando escutei o som da porta, vendo Luc se aproximando da sala. Ele me encarou por um momento, antes de vir até a esposa e a filha. Ele se abaixou ali, tocando os cabelos de Elisa até ela olhar pra ele. Luc se inclinou e envolveu as duas naquele abraço, beijando o topo da cabeça de Elisa.
—Me desculpa. —Sussurrou, quase sem emitir som, quando seus olhos procuraram os meus. Aqueles mesmos olhos que eu amava em Elisa.
Abri um sorriso pequeno, antes de acenar pra ele, querendo deixar claro que estava tudo bem. Karen afastou o rosto, procurando por mim, antes de sua mão me alcançar e ela me puxar para aquele braço também. Então ficamos ali, abraçados por uns bons minutos, tentando superar alguma parte daquela história.
[...]
Enviei uma mensagem para minhas irmãs avisando que não ia dormir no alojamento, porque não queria que eles ficassem preocupados. Também não contei sobre nada do que tinha acontecido, porque achava melhor explicar tudo isso pessoalmente. Então amanhã teríamos uma conversa um tanto caótica.
Ergui a cabeça quando Elisa entrou no quarto. Estava de banho tomado e de pijama. Ela veio pra cama, se sentando ao meu lado. Ainda não tínhamos conversado, porque nenhum de nós dois parecia saber qual a coisa certa a se dizer. A puxei para mais perto de mim, brincando com nossas mãos juntas.
—Se me falar o que você está pensando, eu te falo o que eu estou pensando agora. —Elisa sussurrou, me fazendo soltar um suspiro pesado e me inclinar para beijar a testa dela, vendo seus olhos em Merlin, que estava ronronando ao receber carinho.
—Só queria saber o que fazer em uma situação como essa. Queria poder mudar o que aconteceu ou ir até lá e bater nele até me sentir minimamente aliviado. —Afirmei, engolindo em seco quando Elisa ergueu os olhos pra me encarar, parecendo entender o que eu estava sentindo naquele momento. —Odeio saber que estava certo sobre ele. Odeio que ele tenha tentado fazer alguma coisa com você.
—Mas ele não fez. Ele não teria feito. Eu teria gritado. Eu teria batido nele o tanto que conseguisse pra me soltar e eu teria gritado até alguém ouvir. —Elisa escorou a cabeça no meu ombro, enquanto nós dois observávamos a escuridão do quarto, com nossos pensamentos barulhentos. —Estou pensando que meus pais não mereciam isso. Eles confiavam tanto nele e estão se sentindo tão culpados pelo que aconteceu, mesmo que a culpa não tenha sido deles. Mas eu sei que eles vão continuar se sentindo culpados, não importa o que eu diga.
—Ele está preso agora. —Falei, deslizando minha mão pela bochecha de Elisa quando ela me encarou de novo. Os olhos procurando por alguma coisa nos meus. —E ele nunca mais vai fazer nada contra você.
—E nem contra você. —Elisa abriu um sorriso pequeno, antes de fechar os olhos e se aproximar para me dar um beijo. Foi um beijo rápido e leve, que eu sabia que significava muito mais do que parecia.
Continua...
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Todos os lances da conquista / Vol. 1
RomanceCaleb Carson é o rebatedor do time de beisebol da universidade e a promessa do esporte para a próxima temporada. Mas mesmo que o beisebol seja sua paixão e todos lhe digam para segui-lo, seu maior sonho é voltar para Aspen e trabalhar no escritório...
