Elisa pareceu ainda mais envergonhada quando me afastei, olhando rapidamente para nossos amigos, como se quisesse ter certeza de que eles não iriam falar nada. Para o crédito de todo mundo, eles fizeram um ótimo trabalho em fingir que não tinham visto nada. Acho que aquilo era mais por Elisa do que por mim, porque eu sabia que eles iriam pegar no meu pé assim que ela estivesse longe.
—Por que você está me olhando assim? —Indaguei, porque Elisa tinha girado o rosto pra me encarar e parecia nem estar piscando. Havia um brilho de euforia naquele tom verde. Quase sonhador.
—Só estou pensando que... —Elisa riu, mordeu o lábio e balançou a cabeça negativamente, como se descartasse o pensamento. Pensei que iria precisar insistir, mas ela me deu uma resposta. —A Elisa de 15 anos jamais acreditaria nisso.
Elisa gesticulou entre nós dois, me fazendo comprimir os lábios ao lembrar do que ela havia me contado quando nos conhecemos. Algo dançou na boca do meu estômago quando pensei no que tinha feito a ela. No que tinha perdido. Mas aquela era uma outra época e as coisas tinham mudado.
—Se você não fosse menor de idade naquela época...
—Eu sei. —Elisa abriu um sorriso pra mim, com as bochechas pintadas de vermelho. A vergonha estava ali, mas a animação também. —Você deixou bem claro pra mim da última vez que falamos sobre isso. E eu acredito em você. Você meio que fez por merecer, né?
—Em que momento eu amoleci esse coraçãozinho rancoroso, hein? —Questionei, soltando uma risada ao pensar nas coisas que eu tinha feito. Eu tinha praticamente corrido atrás dela. Mas olhando pra ela agora, sentada do meu lado com aquele sorriso doce, sabia que tinha valido a pena.
—Não tenho certeza. Sendo mimada agora, mas ter você atrás de mim me amoleceu um pouco. Gostei de ter sua atenção e saber que você queria a minha. —Ela torceu os lábios como se estivesse sem graça de falar aquilo em voz alta. —Mas o que me atingiu primeiro foi as flores brancas. Você nem mandou um cartão, mas eu sabia que tinha sido você. E quando eu fui atrás de você no escritório, acho que foi o momento mais real e sincero entre nós dois, mesmo com todas as provocações.
—Porque mesmo sendo uma provocação, ainda era verdade. —Afirmei, e Elisa concordou com a cabeça, parecendo pensar naquele dia, assim como eu.
—Mas aquele dia do coelho, quando deixei que você fosse pra minha casa se explicar... —Elisa respirou fundo, parecendo tentar controlar as próprias emoções. Toquei a nuca dela, fazendo círculos com o polegar, o que a fez engolir em seco muito lentamente. —Quando coloquei você pra fora da minha sala de balé, já sabia que ia perdoar você, antes mesmo de te ouvir.
—Eu sou super persuasivo. —Falei, sem conseguir evitar de sorrir, vendo Elisa revirar os olhos e tentar segurar uma risada. Mas eu podia ver seus lábios tremendo, querendo se abrir em um sorriso pra mim.
—Persuasivo e irritante. —Retrucou, cruzando os braços na frente do peito, como se tentasse evitar qualquer contato comigo. Mas minha mão ainda estava na nuca dela, massageando a pele de uma forma que eu sabia que estava a deixando toda arrepiada.
—Mas você gosta de mim desde os 15 anos. —Rebati, sabendo que aquilo iria atingi-la em cheio. Elisa abriu a boca como se estivesse chocada. Como se não esperasse ouvir aquilo de mim, ainda mais em voz alta, onde minhas irmãs e Adam poderiam ouvir. Mas os três estavam distraídos demais com Taylor e jogo de basquete para sequer prestar atenção em nós dois. —Você ainda guarda aquela bola de beisebol? Ou queimou ela numa fogueira enquanto me amaldiçoava?
—Apesar da segunda opção ser super tentadora, eu guardei ela sim. —Elisa riu, escorando o rosto no meu ombro, de um jeito que pudesse continuar me encarando. —Eu fiquei com uma camisa sua, lembra?
—É, eu lembro. Mas essa eu tinha menos esperança de ter sobrevivido. —Dei de ombros quando Elisa soltou uma risada, balançando a cabeça negativamente. —Você a guardou então?
—É, guardei. Você a quer de volta? —Indagou, e eu parei um momento para pensar, antes de balançar a cabeça negativamente. —Que bom, eu não tinha qualquer intenção de devolve-la mesmo.
—Você dorme abraçada com ela toda noite? —Inclinei meu rosto para perto de Elisa, vendo-a morder o lábio ao ouvir o tom de provocação na minha voz, antes de negar com a cabeça. Dei um beijo na ponta do nariz dela, adorando vê-la envergonhada.
—Não, mas ela está muito bem guardada e escondida. —Elisa esfregou a bochecha no meu ombro, parecendo cansada. Eu imaginava que sim, já que tinha acabado de se apresentar pra várias pessoas. Eu costumava ficar morto depois de um jogo. —Você quer falar sobre o meu pai agora?
—Não quero falar sobre o seu pai em momento nenhum. —Afirmei, soltando uma risada fraca, tentando não pensar nele. Sabia que uma hora precisaria lidar com isso. Mas não faria isso agora. —Não estou no escritório. Não sou estagiário dele nesse momento. Não tenho porque pensar nisso agora.
—Caleb... —Elisa usou um tom de voz cauteloso e repressivo ao mesmo tempo, enquanto eu abria um sorrisinho inocente. A última coisa que eu queria naquele momento era pensar em Luc Graham. Tinha acabado de ficar com uma garota incrível. Posso deixar pra me incomodar com o pai dela depois. —Não quero atrapalhar o seu estágio.
—Você não vai. —Afirmei, com tanta convicção que até mesmo eu cheguei a acreditar nisso. Ela não ia. Se algo acontecesse, seria totalmente culpa minha. —Não quero falar do seu pai.
Elisa revirou os olhos, em um ato de pura frustração, afastando o rosto de mim. Soltei uma risada, sabendo que Elisa não fazia ideia do que causava em mim. Ela era uma coisinha pequena e rancorosa, completamente linda e fofa. Até mesmo quando fingir estar irritada. Caramba, tínhamos acabado de ficar e ela já estava frustada comigo. Aquilo deveria significar alguma coisa.
Continua...
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Todos os lances da conquista / Vol. 1
Storie d'AmoreCaleb Carson é o rebatedor do time de beisebol da universidade e a promessa do esporte para a próxima temporada. Mas mesmo que o beisebol seja sua paixão e todos lhe digam para segui-lo, seu maior sonho é voltar para Aspen e trabalhar no escritório...
