Elisa se sentou do meu lado no avião, depois de passarmos o tempo todo do aeroporto separados, sobre os olhos preocupados dos pais dela. Tinha ficado surpreso com o quão fácil eles deixaram, mesmo quando a encheram de recomendações logo depois, fazendo Elisa prometer que tomaria cuidado.
Era um voo de um pouco mais de 6 horas até Aspen. Íamos chegar super tarde, mas teríamos o sábado todo livre para fazermos o que quisermos na cidade. Tinha planos de levar Elisa aos meus lugares favoritos. E claro, eu queria saber se ela iria sobreviver a um jantar em família, com literalmente todo mundo. Tinha a sensação que Elisa ficaria assustada, mas esperava que isso não a fizesse mudar de ideia sobre nós.
—Tudo bem? —Questionei, entrelaçando meus dedos no de Elisa e puxando sua mão até meus lábios, deixando um beijo ali. Elisa olhou pra mim, parecendo um pouco tensa.
Tínhamos acabado de voar por cima da cidade, observando a noite devorando as montanhas cobertas de neve. Sempre achei aquela uma visão muito linda, ainda mais no nascer do sol. Mas aquilo tinha se tornado ainda mais perfeito com Elisa ali, do meu lado.
—Não vou mentir que estou um pouco nervosa. —Elisa afirmou, umedecendo os lábios com a língua, como se estivesse em dúvida do que dizer pra mim. —Estou com medo do seus pais não gostarem do meu jeito. E se as crianças não gostarem de mim?
—Essa é a coisa mais boba pra você se preocupar. —Soltei uma risada, me inclinando para dar um beijo nos lábios dela.
—Não é, não. —Elisa engoliu em seco, negando com a cabeça enquanto mordia o lábio inferior com força. —Você mesmo adora dizer que eu sou mimada demais. Como é que você tem mania de me chamar? A princesinha do papai.
—E eu nunca disse isso como uma critica. —Falei, vendo Elisa comprimir os lábios em frustração, como se eu não entendesse o lado dela, além de eu estar rindo daquele adorável apelido que eu tinha lhe dado. —Eu só constatei um fato. Isso é parte da sua personalidade. Mas não é um problema.
—Por isso você me manda rosas toda semana? —Elisa questionou, e havia um brilho profundo naqueles olhos verdes, como se ela adorasse que eu fizesse isso. —Você está tentando me mimar igual meus pais fazem?
Dei de ombros, vendo Elisa tentar conter um sorriso. Ela desviou os olhos para a janela quando o avião começou a pousar, apertando minha mão com força, como se tivesse ficado ainda mais nervosa. Queria dizer a ela que ia ficar tudo bem, porque meus pais iriam adora-la. Mas sabia que Elisa só relaxaria quando estivesse lá e percebesse isso com os próprios olhos.
Josh Carson estava nos esperando no estacionamento do aeroporto quando atravessamos as portas para o clima frio de Aspen. Ele abriu um sorriso assim que nos viu, abrindo os braços quando Hannah e Hazel correram para dar um abraço apertado nele. Elisa estremeceu ao meu lado, encarando meu pai com uma expressão envergonhada demais.
—Como foi a viagem? —Meu pai questionou, ajeitando o gorro de Hannah, enquanto Hazel enfiava nossas coisas no carro.
—Ótima. Dormi o tempo todo e nem vi o tempo passar. —Hannah deu de ombros quando meu pai riu, antes de se virar quando eu me aproximei. O sorriso que ele me deu era quase feliz demais.
—Oi, pai. —Soltei a mão de Elisa para dar um abraço nele.
Parecia que fazia meses que não nos víamos, mas era apenas uma semana longe. Mas pra minha família qualquer tempo era importante. Quando me afastei dele, Elisa estava com um sorriso tímido nos lábios, além de estar com as bochechas coradas. Passei o braço ao redor da cintura dela, a puxando para o mais próximo que conseguia de mim.
—Pai, essa é a Elisa, minha namorada. —Falei, sentindo Elisa vacilar do meu lado, porque era a primeira vez que eu a chamava assim. Mas era o que ela era, não é? Minha namorada. Nunca tinha ficado com uma garota por mais de uma semana. Tinha visto meus irmãos se apaixonarem e encontrarem a pessoa certa, então eu nunca tinha tentado, porque nunca tive certeza, até Elisa aparecer. —Elisa, meu pai, Josh Carson.
—É um prazer conhece-lo, sr. Carson. —Elisa se apressou em cumprimenta-lo, se atrapalhando um pouco com as mãos. Meu pai riu, se inclinando para dar um abraço desajeitado nela. —Obrigada por me receber.
—Você é muito mais que bem-vinda. Minha esposa está ansiosa para conhece-la. —Meu pai afirmou, com um sorriso tranquilo. Tenho certeza que ele não notou, mas Elisa engoliu em seco, como se conhecer minha mãe estivesse a aterrorizando. —Pode me chamar apenas de Josh. Senhor faz eu me sentir muito velho.
—Você é velho. —Hannah retrucou, nos fazendo rir, enquanto meu pai se virava pra ela com uma expressão ofendida, mesmo que soubéssemos que era tudo fingimento. Mas Elisa relaxou ao meu lado, como se o clima estivesse ficado mais leve. —Você tem quase 11 netos, pai.
—E mais três filhos jovens para te dar mais netos. —Hazel completou, fazendo meu pai dar uma freada brusca com o carro, que ele havia acabado de tirar do estacionamento. Hannah soltou uma risada no banco da frente, enquanto Elisa mordia o lábio para não rir da expressão horrorizada do meu pai quando olhou para Hazel.
—Ainda tenho esperanças de que vocês duas virem freiras. —Afirmou, fazendo Hannah soltar um barulho de descrença com a boca, enquanto eu ria e negava com a cabeça, porque já sabia que aquilo era impossível.
—Desiste, pai, a Hannah é pior do que a Emma. —Murmurei, e Hannah se virou para me lançar um olhar traído, enquanto meus lábios se curvavam em um sorriso zombeteiro. —E a Hazel é romântica demais pra isso.
—Isso não é uma ofensa pra mim. —Hazel retrucou, me lançando um sorrisinho suave. Não podia ser injusto com ela, porque tinha me aproveitado do seu lado romântico quando ela me ajudou com Elisa.
Fiz uma careta pra ela, antes de olhar para Elisa quando vi que ela estava rindo. Me inclinei e beijei a ponta do nariz dela, antes de segurar sua mão. Elisa me encarou com uma expressão diferente. Quase sonhadora. Era aquela mesma expressão que estava no seu rosto quando nos conhecemos. E eu não pude deixar de pensar se estava sendo o Caleb que ela esperava. O Caleb que ela tinha sonhado quando assistia meus jogos, antes de me conhecer.
Desviei os olhos dela para a rua, pensando naquela noite. Já tínhamos deixado aquilo para trás. Já tínhamos superado isso. Mas agora estávamos em Aspen de novo e tudo que eu queria era dar as melhores lembranças possíveis pra ela. Aquela cidade era minha casa. E se tudo dessa certo entre nós, poderia acabar sendo a casa dela também, se ela quiser.
Continua...
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Todos os lances da conquista / Vol. 1
RomanceCaleb Carson é o rebatedor do time de beisebol da universidade e a promessa do esporte para a próxima temporada. Mas mesmo que o beisebol seja sua paixão e todos lhe digam para segui-lo, seu maior sonho é voltar para Aspen e trabalhar no escritório...
