Capítulo 16: Todo mundo quem?

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Elisa

—Quando você vai me explicar o que aconteceu lá dentro? —Taylor indagou, cutucando minha costela quando saímos do centro de patinação.

Estava frio pra caramba, mas meu rosto ainda queimava como se alguém tivesse me dado um tapa nas duas bochechas. E a culpa era toda de Caleb. Ele só precisava ficar longe de mim, assim como eu dele, mas o universo parecia me odiar. Ir bater justamente na porta do quarto dele tinha sido uma coincidência horrível, mas ele aparecer aqui tinha sido de caso pensado.

—Não tem nada pra eu explicar. Você sabe quem ele é e sabe o que rolou. Não quero ficar perto dele, simples assim. —Afirmei, lançando a ela um olhar traído, porque Taylor não ajudou em nada, nem mesmo depois que ele se apresentou. —E a gente nem deveria ir nesse jogo.

—Você sempre amou beisebol. —Taylor retrucou, tombando a cabeça de lado. —Você é muito rancorosa, sabia? Apesar de que o que eu vi lá dentro não era só rancor não.

—Do que você tá falando? —Fiz uma careta pra ela, antes de balançar a cabeça negativamente na mesma hora quando entendi o que ela estava tentando insinuar. —Ele está fazendo estágio com o meu pai. Além do mais, eu não tenho mais aquela quedinha enorme por ele, como tinha quando era adolescente. Aquilo morreu no dia daquela maldita festa. Sabe que se eu pudesse, teria mudado aquele dia e nunca pisado naquela cidade.

—Mas você pisou e agora ele veio até aqui atrás de você, deve significar alguma coisa. —Taylor retrucou, me fazendo parar de andar e olhar pra ela. Ela fez o mesmo, apesar de alguém estar buzinando na nossa direção.

—Significa que ele está com medo que eu atrapalhe o estágio dele com meu pai. Não vou fazer isso, óbvio. Jamais faria algo que prejudicasse o meu pai. —Afirmei, porque aquilo nem tinha passado pela minha cabeça. —Ele tentou se desculpar, mas nem está arrependido de verdade. Se não fosse pelo meu pai, ele estaria fazendo qualquer uma dessas coisas?

—Elisa, acho que você está esperando demais de alguém que você nem conhece direito e que também não te conhece direito. —Taylor ergueu a mão e mostrou o dedo do meio para o carro estacionado na rua, que estava buzinando sem parar na nossa direção. —Ele vacilou, sim, mas você também não estava certa naquela noite. E ele não está errado em prezar pelo estágio dele.

—Você deveria ficar do meu lado! —Exclamei, sem acreditar que ela estava usando nosso tempo juntas para defendê-lo.

—Eu estou do seu lado. Quer tirar com a cara dele? Vamos em frente. Adoro ver homens sendo feitos de trouxa. Mas vamos fazer isso pelo motivo certo. —Taylor afirmou, me fazendo comprimir os lábios e erguer as sobrancelhas.

—Que seria?

—Você está mais chateada porque acha que ele só está fazendo isso por causa do seu pai e não por você. No fundo, aquela adolescente que tinha um penhasco enorme por ele, ainda está aí dentro.

—Não está, não. —Retruquei, exibindo uma expressão de incredulidade que fez Taylor soltar uma risada.

—Está sim, Elisa. Você ainda guarda aquele seu diário e as coisas dele. —Taylor me lançou um olhar risonho quando fechei a cara, porque não tinha como rebater aquilo. Eu realmente guardava aquelas coisas idiotas, mesmo querendo jogá-las fora. —Viu, no final das costas eu estou certa. E a gente vai no jogo e na festa.

—Tudo bem, mas não significa que ele vá se dar bem nessa. —Afirmei, vendo-a soltar uma risada, como se já esperasse isso de mim. —Preciso arranjar uma camisa do time rival.

—Isso é... —Taylor ia dizer alguma coisa, com um sorriso muito perverso, antes de fechar a cara e se virar para o carro quando ele buzinou de novo e alguém gritou, sem se importar se estava chamando a atenção de todo mundo ao redor.

—Se você não entrar no carro no próximo segundo, vou deixar você ir andando pra casa, Taylor! —Wyatt exclamou, com a cabeça enfiada pra fora da janela, com uma expressão impaciente. Os cabelos loiros sendo jogados pela testa com o vento. —Oi, Elisa. Bom ver você, linda.

Soltei uma risada e acenei na direção de Wyatt, enquanto Taylor fuzilava o irmão mais velho com os olhos, como se quisesse matá-lo com as próprias mãos.

—Malditos irmãos mais velhos! —Resmungou, antes de se despedir de mim e correr na direção do carro. —Você é um babaca, sabia?

—Sabia, agora entra no carro. Tenho treino daqui a pouco e estou quase atrasado. —Wyatt afirmou, antes de se virar para olhar pra mim. —Carona?

—Não, valeu. Tenho aula daqui a pouco. —Falei, soltando uma risada e acenando para os dois quando Wyatt arrancou o carro. Fiquei parada na saída do centro de patinação, pensando no que Taylor havia me dito antes de ir embora. Não queria nem um pouco que ela estivesse certa.

[...]

—Mãe? —Chamei, assim que entrei em casa, porque o cheiro maravilhoso do jantar estava lá fora.

A sala estava organizada, com vasos de flores espalhados por todos os lados, dando vida a decoração. Minha mãe era florista, então ela estava sempre trazendo flores pra casa, deixando todo o ambiente com um cheiro incrível que me lembrava natureza.

Caminhei até a sala de jantar, observando a mesa posta, pra mais de três pessoas. Não demorei a adivinhar que iriamos receber alguma visita e não era apenas meu irmão, mesmo que o lugar de Madison tivesse sido colocado premeditadamente ao lado de onde minha mãe costumava se sentar.

—Quem vem jantar com a gente? —Indaguei, assim que minha mãe surgiu na porta, abrindo um sorriso pra mim.

—Além do seu irmão, o senhor Reynolds. Seu pai me avisou em cima da hora e não tive tempo de te avisar. —Minha mãe ajeitou o restante das coisas da mesa, enquanto eu a observava. —Como foi a aula hoje?

—Ótima. Sai pra patinar com a Taylor na minha pausa. —Falei, mordendo o lábio inferior com força. —Por que ele vem jantar aqui? Faz tanto tempo que eu não o vejo.

Brayden Reynolds era um grande amigo do meu pai, que trabalhava em um escritório de advocacia em Chicago. Tinha o visto algumas vezes durante os anos. Ele era sempre gentil e costumava trazer presentes, além de dar flores pra minha mãe, só pra provocar meu pai. Mas tinha estado longe nos últimos cinco anos.

—Bom, você sabe, ele ficou viúvo e não anda muito bem. Seu pai o convidou pra trabalhar no escritório daqui. Acha que uma mudança pode fazer bem a ele. —Minha mãe deu de ombros, cantarolando algo baixinho, antes de se virar pra me encarar. —E o aniversário da empresa está chegando, então seu pai quer organizar uma confraternização com todo mundo aqui.

—Todo mundo quem? Aqui em casa? —Indaguei, vendo minha mãe fazer uma careta com o tom de voz esquisito da minha pergunta. —Ele vai convidar todo mundo que trabalha na empresa?

—Todo mundo exatamente não, mas os mais próximos a ele, sim. Por que está com essa cara? Você conhece todo mundo que trabalha lá. Já tivemos outros eventos assim aqui em casa. —Minha mãe me lançou um olhar desconfiado quando dei de ombros e se afastou.

Quando ela estava fora de vista, escondi meu rosto entre as mãos e balancei a cabeça sem parar, porque já tinha uma ideia de quem estaria na lista de convidados e o quanto eu gostaria de não precisar participar disso, apesar de saber que seria impossível.


Continua...

Todos os lances da conquista / Vol. 1Histórias para pegar e não largar. Descubra agora