—Você saiu correndo da cozinha. Está se sentindo bem? —Questionou, com um tom de voz tão atencioso que embrulhou meu estômago. Eu costumava achá-lo fofo, mas agora sinto vontade de tampar meus ouvidos para não ouvi-lo falar essas coisas, porque posso ver a forma que ele me olha.
—Saia do meu quarto. Você não pode entrar aqui. —Afirmei, com minha voz saindo trêmula, com o medo que eu estava sentindo naquele momento. —Saia, ou eu vou gritar pra todo mundo que está lá embaixo ouvir.
—Elisa, o que está havendo? Não estou entendendo porque está falando comigo assim. O que eu fiz a você? É por causa do que eu disse sobre o Carson? —Em vez de sair, ele entrou de vez, quase caindo quando Merlin passou correndo pro baixo das suas pernas, antes de se equilibrar e fechar a porta.
—Saia. Do. Meu. Quarto. —Falei, pausadamente, dando um passo para trás quando ele fez menção de se aproximar, com uma expressão tão confusa que me irritou, mesmo que meu medo fosse maior. A ansiedade abrindo um buraco no meu peito, porque jamais pensei que isso fosse acontecer comigo. Ainda mais com ele, que eu conhecia a minha vida toda. —Quero que fique longe de mim.
—Eu não estou entendo porque está agindo assim. Foi o Carson, não foi? Ele encheu sua cabeça de coisas. —Ele riu, colocando a mão na cintura e negando com a cabeça ao mesmo tempo. —Eu tentei avisar ao Luc sobre isso. Mas seu pai as vezes consegue ser tão cego.
—Você tem razão sobre isso. —Falei, sentindo um nó se formar na minha garganta quando me abaixei e peguei Merlin no colo, sentindo que precisava me agarrar alguma coisa para não desabar ali mesmo. —Meu pai as vezes é mesmo cego. Mas não foi com o Caleb, foi com você. Se não sair do meu quarto agora, vou contar pra ele...
—Vai contar o que? —Ele ergueu as sobrancelhas pra mim, abrindo um sorriso sarcástico enorme, enquanto o sangue latejava na minha cabeça. —O que você vai contar ao seu pai, Elisa?
—Sobre a forma que você me olha. —Sussurrei, vendo-o tombar a cabeça de lado, com aquele sorriso não diminuindo um centímetro sequer. —Sobre ter me tocado de um jeito estranho. Sobre ter invadido meu quarto.
—E acha que ele vai acreditar em você? Acha que ele vai te ouvir, depois de você ter mentido e escondido coisas dele? —Questionou, sem negar nenhuma das coisas que eu tinha falado, enquanto eu me dava conta que ele estava cada vez mais perto de mim. —Eu o conheço a tanto tempo, Elisa, que ele jamais duvidaria de mim.
Olhei para Merlin quando ele soltou um miado, antes de bufar e mostrar os dentes para Reynolds. O segurei com mais força quando ele grunhiu, ficando com os pelos totalmente arrepiados. Reynolds parou de se aproximar, estranhando o jeito do gato, enquanto eu aproveitava a oportunidade pra dar alguns passos para trás, segurando meu gato como se ele fosse minha vida.
—Você pode ser amigo do meu pai há muito tempo, mas não o conhece de verdade. —Falei, escutando o som irritado que estava saindo de Merlin, enquanto ele mostrava os dentes pra ele. —Saia do meu quarto!
—Adoro uma gatinha irritada, sabia? —Afirmou, soltando uma risada quando fiz uma careta, sentindo uma lágrima escorrer pela minha bochecha quando vi que ele estava prestes a avançar na minha direção. Eu ia gritar. E ia deixar Merlin pular em cima dele se quisesse.
A porta do meu closet se abriu, assuntando nos dois. Meu coração despencou no peito quando Nicholas saiu dali, sendo seguido pela minha mãe. Ele parecia furioso, como se desejasse muito matar alguém naquele momento, enquanto minha mãe estava enxugando algumas lágrimas que escorriam pela sua bochecha.
—Karen... —Reynolds soltou uma respiração pesada, parecendo completamente perdido, sem saber o que fazer. Ela ergueu a mão, impedindo que ele falasse qualquer coisa, enquanto se aproximava de nós dois. Fui para perto do meu irmão, sentindo o peso desaparecer do meu coração quando Nicholas passou o braço ao meu redor de forma protetora.
—A minha filha, Brayden? —Minha mãe questionou, com os olhos repletos de lágrimas e os olhos vermelhos. Os lábios tremendo quando ela falou. —A minha filha?
—Karen, não é o que estava... —Ele não terminou de falar, porque minha mãe deu um tapa tão forte no seu rosto que ele cambaleou para trás, tanto pela força que ela usou, mas também pelo choque de ela ter feito realmente aquilo.
—Não fale comigo com esse tom de voz. —Minha mãe praticamente grunhiu as palavras pra ele. —Não fale comigo como se não tivesse acabado de assediar a minha filha no quarto dela. Na nossa casa! —Minha mãe gritou, deixando as lágrimas virem, como se estivesse tão furiosa a ponto de não conseguir se controlar. —O que você ia fazer com ela se nós não estivéssemos aqui? O que você ia fazer com a minha filha?
—Eu não ia fazer nada. Eu jamais machucaria a sua filha. —Reynolds afirmou, e eu escondi meu rosto no ombro de Nicholas, sem conseguir olhar pra eles.
—Você... —Minha mãe apontou o dedo na direção dele. A mão tremendo enquanto ela tentava falar, antes das palavras se perderem na sua boca. —Deixamos você entrar na nossa casa. Deixamos conviver com nossos filhos. Pra você fazer isso? Pra você olhar pra minha filha como se a quisesse?
—Não fale assim, Karen. As coisas não foram exatamente desse jeito. —Reynolds afirmou, antes de apontar na direção em que Nicholas e eu estávamos. —Elisa não é uma criança e Nicholas nem é seu filho. Você nem mesmo conheceu os pais dele. Eles eram amigos do Luc, não seus.
—E é uma pena que eu não os tenha conhecido. Eu me lamento todos os dias por não ter tido essa oportunidade. —Minha mãe balançou a cabeça, limpando as lágrimas, mesmo que ela não conseguisse parar de chorar. —Eles eram amigos melhores do que você jamais foi para o Luc. Você nunca mais vai pisar dentro da minha casa ou chegar perto dos meus filhos. E eu vou me lamentar pelo resto dos meus dias por não ter visto quem você era antes.
—Karen, por favor, vamos manter a calma e...
Reynolds parou de falar quando a porta do meu quarto se abriu. Caleb entrou, olhando ao redor com uma expressão preocupada, até seus olhos encontrem em mim. A surpresa da cena que ele estava presenciando, antes da compreensão tomar conta do seu rosto. Ele atravessou o quarto, me abraçando apertado quando me agarrei a ele, afundando o rosto no seu peito.
—O que está acontecendo aqui? Karen, o que houve? —Meu pai entrou no quarto, indo direto até minha mãe, com a preocupação marcando cada parte do rosto quando tocou o rosto dela. Só então percebi que Victor também estava na porta, junto com Julian.
—Tivemos uma pequena discussão aqui. A falta de interpretação e comunicação...
—Cale a boca. —Meu pai lançou um olhar afiado na direção de Reynolds quando ele tentou se explicar. —Não quero ouvir você. Inclusive, não quero nem mesmo olhar pra você.
—Ah, meu Deus, até você, Luc? O que diabos eu fiz? —Reynolds jogou as mãos pra cima, como se tivesse sido amaldiçoado, enquanto eu sentia Caleb tenso contra mim.
—Pelo que eu pude perceber, porque você fez um péssimo trabalho, além de ter sido super amador. —Victor afirmou, apontando para o notebook que estava nas mãos dele. —Entrou no sistema do escritório. Invadiu a conta de outra pessoa. Alterou documentos e os enviou em nome de outra pessoa, além de ter falsificado uma assinatura. Que eu saiba, é um crime bem grave. Mas não se preocupe, eu já chamei a polícia.
—O que? —Reynolds soltou, como se estivesse completamente incrédulo, enquanto eu olhava para Caleb para saber se aquilo era verdade.
—E ele tocou na Elisa. —Nicholas falou, de uma forma que eu sabia que aquilo não iria terminar bem. —Ele a tocou e depois a seguiu até aqui e invadiu seu quarto. Ele ia agarrar ela se não tivéssemos aparecido.
O silêncio no quarto foi quase ensurdecedor, enquanto eu sentia Caleb ficar rígido contra mim, enquanto ele, Victor e Julian olhavam para Reynolds com a mesma expressão mortal. Mas olhei para o meu pai, vendo-o franzir a testa e ficar imóvel, como se não acreditasse no que tinha acabado de ouvir.
Ele encarou os olhos da minha mãe, soltando uma respiração pesada antes do seu rosto endurecer. Ninguém teve tempo de fazer nada, porque ele já estava em cima de Reynolds no segundo seguinte.
Continua...
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Todos os lances da conquista / Vol. 1
RomansaCaleb Carson é o rebatedor do time de beisebol da universidade e a promessa do esporte para a próxima temporada. Mas mesmo que o beisebol seja sua paixão e todos lhe digam para segui-lo, seu maior sonho é voltar para Aspen e trabalhar no escritório...
