Trabalhar como estagiário era um saco, porque as vezes alguém me dava uma ordem que eu tinha certeza que não fazia parte do meu trabalho quando fui contratado. Mas estava valendo muito a pena, sempre que eu recebia um elogio ou quando Luc me encarava com uma expressão orgulhosa que me lembrava meu pai.
Kyle — A gente queria ir também, pro primeiro jogo do Adam. Mas é impossível com a Florence pronta pra dar a luz a qualquer momento.
Peter — Pelo menos nossa mãe vai ficar também. Você ainda vai enlouquecer a Florence do jeito que fica parecendo uma galinha superprotetora quando ela está prestes a ganhar.
Kyle — Você não tem moral pra falar nada. Anne te colocou pra dormir no sofá no final da gravidez dos gêmeos, porque você não a deixava em paz.
Peter — Isso não é verdade!
Collin — É sim. Todo mundo viu.
Soltei uma risada com a expressão ofendida que se abriu no rosto de Peter, como eles estivessem mentindo, quando era a mais pura verdade. Estava no meio da minha pausa para o almoço, comendo na pequena salinha de descanso dos funcionários, enquanto falava com eles por vídeo chamada.
Caleb — Eu estou marcando todos vocês. No meu jogo ninguém apareceu, mas no do Adam todo mundo quer vir pra cá assistir.
Zack — Seu jogo era um amistoso. Não é como se não tivéssemos ido para os seus jogos mais importantes da universidade. E a Bia vai arrancar meu coração se eu falar pra ela que não vamos no jogo do seu irmão.
Peter — É verdade que você convidou uma garota e ela foi com a camisa adversária? Precisa de umas dicas de conquista, Caleb?
Comprimi meus lábios, tentando imaginar quem tinha contado aquilo a ele. Era difícil saber, quando se tinha tantos irmãos e a maioria deles era fofoqueiros. Mas não importava de fato, porque já tinha dado um jeito naquela situação. Ou pelo menos esperava que sim.
Caleb — Se eu precisasse, você seria a última pessoa que eu ia pedir. Você jogou uma torta na cara da Anne no dia que a conheceu.
Peter — E hoje ela é casada comigo e nós temos três filhos, então isso não é uma ofensa pra mim.
Collin — Ainda acho que ela podia conseguir coisa melhor.
Peter — Pelo bem da nossa família, vou fingir que você não disse isso na minha cara.
Peter ergueu a mão e mostrou o dedo do meio para Collin pelo celular, enquanto eu, Zack e Kyle caímos na risada. Alguém gritou pelo telefone, fazendo nós cinco nos encolhermos, antes de Zack murmurar que era Mason e precisarmos desligar a ligação. Terminei de comer e saí da sala, pegando o elevador para voltar para o meu andar.
Estava estranhamente tranquilo, apesar de ter terminado a noite de ontem com uma dor de cabeça horrível e um mal humor pior ainda. Mas eu finalmente tinha me dado conta de onde estava errando. E quando chamei Hazel para me dar mais alguns de seus conselhos, dessa vez a ouvi e fiz uma nota mental para não fazer nada de errado de novo.
—Ei, Julian? —Chamei, assim que sai do elevador e o vi indo em direção a própria sala com um copo fumegante de café na mão. Ele parou quando me ouviu, se virando para me encarar. —Você já conheceu o advogado novo?
—Reynolds? —Ele fez uma careta, balançando a cabeça positivamente. —Achei um pouco exigente. Não que o Luc não seja, mas...
—É, e eu caí em um trabalho com ele. O cara está sugando minha alma já no primeiro dia aqui. —Falei, porque logo que eu cheguei ele já me passou uma lista do que eu precisava fazer. Uma lista um tanto grande. Não que eu estivesse reclamando, mas eu nem consegui parar pra respirar quando estava com ele.
—Ele é um amigo antigo do Luc, então acho que eu só posso te desejar boa sorte. —Julian murmurou, antes de indicar a sala dele. —Se quiser alguma ajuda com o que ele te passou, podemos ver antes do horário do almoço acabar.
—Claro que quero. Vou pegar as coisas na minha sala. —Falei, já dando a volta pra pegar a pilha de papeis que tinha recebido, porque não ia recusar uma ajuda de Julian, quando ele era o cara mais gente boa daquele escritório.
Segui pelo corredor em direção a sala que eu tinha ganhado. Era minúscula, mas eu não estava esperando nada enorme pra um estágio. Mas a coitada estava cheia de papeis por todo lado, que eu precisava urgentemente organizar. E organização não era bem uma coisa que combinava comigo.
Olhei pro lado quando uma porta se abriu, não tendo tempo de ver quem era quando fui puxado para dentro, tropeçando nos meus próprios pés quando a porta foi fechada atrás de mim e uma Elisa muito furiosa me encarou, com as bochechas e os braços cruzados na frente do peito, como se eu tivesse feito uma merda muito grande.
—Oi. —Falei, abrindo um sorriso, porque estava realmente feliz em vê-la ali. Eu esperava que ela fosse me procurar, mas não tão rápido assim.
—O que diabos você está fazendo? —Questionou, me fazendo erguer as sobrancelhas, antes de olhar para a sala ao redor. Uma sala de reuniões, onde nós dois certamente não deveríamos estar.
—Nada. Quem me puxou aqui pra dentro foi você. —Falei, dando de ombros, antes de olhar pra ela com a expressão mais inocente de todos, adorando vê-la bufar em indignação, com os olhos verdes flamejando como se ela quisesse me matar.
—Você me mandou flores! —Afirmou, mais como uma acusação do que qualquer outra coisa. E nossa, ela era fofa quando estava toda felizinha, mas ficava linda quando estava furiosa.
—Você gostou? —Questionei, dando alguns passos para perto dela, o que a fez dar alguns passos para trás até bater contra a porta fechada. —Hazel disse que rosas eram perfeitas. Achei que se mandasse vermelhas, você me faria engolir todas elas. Então mandei brancas, porque elas também são muito bonitas.
—Você está brincando comigo? —Indagou, soltando uma respiração pesada, enquanto eu erguia as sobrancelhas, sem conseguir parar de sorrir. —Por que me mandou flores?
—Me dei conta de alguns fatos importantes na festa. —Falei, engolindo em seco enquanto tentava pensar nas palavras certas pra usar. —Não quero que você pense que tudo isso é pelo seu pai. Sim, em parte é, mas não completamente. Eu errei em não contar a você aquela vez e eu sinto muito. Me desculpa, Elisa. Não queria que você se sentisse mal e muito menos humilhada. Eu só estava tentando fazer a coisa certa e acabei sendo um idiota no processo. E estou falando isso porque entendo sua magoa.
—Por que as flores? —Insistiu, me encarando de uma forma que quase me deixou sem fôlego, porque era como se ela pudesse ver tudo dentro de mim e isso acendeu algo no meu peito.
—Por que você achou que isso era pelo estágio e eu queria provar que não era. As flores são como um pedido de desculpas também, pra que você saiba que eu realmente me importo.
—Eu não quero flores. —Retrucou, mas sua voz vacilou um pouco, me dando certeza que eu tinha acertado, mesmo que ela não quisesse dar o braço a torcer.
—Um urso de pelúcia, então? —Indaguei, no automático, vendo os lábios dela tremerem como se ela quisesse rir, mesmo que tivesse conseguido se segurar.
—Eu não tenho cinco anos, Caleb! —Rebateu, mas só conseguir notar que ela tinha me chamado pelo meu nome, o que fez algo se agitar dentro de mim. Um arrepio percorrendo meu corpo, enquanto eu não conseguia conter meu sorriso.
—Algumas garotas gostam. —Dei de ombros, a vendo tomar a cabeça de lado e me encarar como se eu fosse um idiota.
Mas ela já não parecia mais tão furiosa. Na verdade, ela parecia vulnerável e aquilo me pegou desprevenido. Suas bochechas ainda estavam vermelhas, mas seus olhos estavam quase brilhantes demais, como se ela não tivesse esperando pelas flores e aquilo a tivesse abalado.
—Se você não quer as flores, o que você quer? —Indaguei, não suportando aquela faísca de tensão entre nós dois, que me fez da alguns passos até estar bem na frente dela, obrigando Elisa e erguer o queixo para me encarar. Ela estremeceu quando coloquei minhas mãos na porta atrás dela, inclinando meu rosto pra perto, o que fez minha própria respiração vacilar. —Eu estou bem aqui, Elisa. O que você quer?
Continua...
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Todos os lances da conquista / Vol. 1
RomantikCaleb Carson é o rebatedor do time de beisebol da universidade e a promessa do esporte para a próxima temporada. Mas mesmo que o beisebol seja sua paixão e todos lhe digam para segui-lo, seu maior sonho é voltar para Aspen e trabalhar no escritório...
