Caleb
Soltei a bola de boliche, vendo-a correr até derrubar três pinos. Fiz uma careta com minha péssima pontaria, porque normalmente eu jogava melhor. Mas hoje minha cabeça estava um caos. Acho que tinha sido a conversa de mais cedo, sobre minha volta pra Aspen, além da presença de Elisa. Estava esperando o momento certo pra conversar com ela sobre meus planos, porque não queria ir rápido demais.
—Acha que ela iria querer morar aqui? —Kyle questionou, enquanto se preparava para jogar a bola também. —Ela pareceu gostar bastante lá de casa. Da gente.
—Talvez, eu não sei. Ela é bem ligada aos pais. —Falei, lembrando da historia que Elisa tinha me contado, sobre o quão difícil foi para os seus pais a terem. Aquilo e a forma que eles a tratavam me dava certeza de que eles não iam querer ficar tão longe dela, não importa quantos anos Elisa tenha.
—Ela ainda tá no primeiro semestre da faculdade. Tem muita coisa pra acontecer até ela se formar. Não tem como saber como vocês dois vão estar daqui três, quatro anos. —Collin afirmou, me fazendo hesitar e olhar pra ele, vendo-o dar de ombros quando percebeu que aquilo tinha me pegado em cheio. —Não estou querendo dizer que vocês dois não vão ficar juntos. Só estou sendo realista.
—Eu sei. —Torci os lábios, girando a bola nas minhas mãos, sem vontade para jogar com eles naquele momento, até porque Zack era o único que estava ganhando, derrubando todos os malditos pinos com muita facilidade. —Vou conversar com o Nicholas quando voltar e depois com o Luc.
—Acho que ele não vai se incomodar. —Peter olhou pra mim, falando aquilo com muita confiança. —Ele não é do tipo super ciumento.
Eu realmente esperava que não fosse, porque estava contando com a ideia de que falar com ele iria ser bem mais fácil do que falar com Luc. Depois do que meu pai me disse, me arrependi de não ter contado antes da viagem. Luc tinha confiado em mim, mas nem fazia ideia de que eu estava com a filha dele. Talvez ele nem deixasse ela viajar se soubesse disso e eu nem ficaria surpreso.
—Falando do Luc, como andam as coisas com o Reynolds? —Zack questionou, enquanto nos cinco deixávamos o boliche de lado e procurávamos uma mesa para sentarmos.
—Não sei se aconteceu alguma coisa. Se ele falou com o Luc ou sei lá, mas não trabalhei em mais nenhum caso com ele. —Falei, me sentando entre Collin e Kyle, sem conseguir esconder o tom de satisfação na minha voz. —Estou apenas com Luc e algumas vezes com o Julian. Se continuar assim até o final do estágio, vai ser perfeito pra mim.
—Que bom. Não estava gostando muito de como as coisas estavam pra você. Depois que você contou sobre o relatório, fiquei tentado em ligar para o Luc. —Zack afirmou, e eu acabei soltando uma risada, porque senti a preocupação e a proteção que vinha da sua voz. —Mas achei melhor deixar você mesmo resolver isso.
—Talvez a minha ideia tenha servido pra alguma coisa. —Peter deu de ombros, enquanto eu comprimia os lábios ao lembrar da expressão afiada no rosto de Reynolds quando viu o que eu tinha feito. —Ele pode ter percebido que não era uma boa ideia implicar com você.
—É, mas as vezes eu ainda tenho vontade de contar para Luc sobre isso, mas não faço ideia do que Reynolds fala pelas minhas costas. —Engoli em seco, negando com a cabeça quando uma sensação ruim pareceu esmagar meu peito. —Eles são super amigos.
—Melhor não cutucar o que está quieto, Caleb. Se as coisas melhoraram agora, deixa como está. —Collin murmurou, e meus irmãos concordaram com a cabeça. Assenti, porque realmente não pretendia mexer com isso, mesmo que ainda me incomodasse com a forma que ele tinha me tratado antes.
—Vocês falam como se nossa família estivesse acostumada a resolver as coisas na conversa, quando todos sabem que preferimos ação e reação ao dialogo. —Kyle retrucou, puxando o celular do bolso quando ele começou a tocar.
—Bem que a Bia sugeriu dar um apavoro no velho. —Zack falou, e soava muito como uma sugestão, que fez todos nós rirmos. Adam também queria fazer alguma coisa, mesmo que eu tivesse o cortado antes mesmo de ouvir qualquer ideia.
Paramos de rir quando Kyle ficou de pé, tropeçando para longe da mesa enquanto falava no telefone. Ele olhou na nossa direção com uma expressão séria e nem precisou dizer nada, porque já sabíamos o que era só pela forma que ele nos encarou. Nathan estava chegando.
[...]
Já tinha anoitecido e estava frio pra caramba. Mas isso não impediu que viéssemos pro hospital esperar por noticias de Florence. Elisa estava sentada ao meu lado, quietinha enquanto observava o movimento na sala de espera. Meus pais não estavam ali, assim como Zack e Bia, que tinham ido pra casa ajudar a cuidar das crianças.
Já faziam horas que Florence tinha entrado em trabalho de parto. Mas já estávamos tão acostumados com isso que sabíamos que realmente demorava. Passei o braço ao redor de Elisa, vendo-a olhar pra mim e abrir um sorriso pequeno, antes de escorar a cabeça no meu ombro. Tinha certeza que ela estava cansada, mas quando perguntei se queria ir pra casa ela se recusou.
—Licença, são os familiares da sra. Carson? —Uma enfermeira apareceu ali, nos fazendo ficar de pé na mesma hora e confirmar com a cabeça. —Por favor, podem me acompanhar.
Segurei a mão de Elisa, enquanto seguia meus irmãos pelos corredores do hospital. Tinha estado ali no nascimento de todos os meus sobrinhos, então sabia perfeitamente pra onde a enfermeira estava nos levando. Abri um sorriso quando passámos por uma porta, vendo a enorme janela que mostrava vários recém nascidos dormindo. Kyle estava lá dentro, segurando o pequeno Nathan no colo, que parecia estar dormindo. Ele se aproximou do vidro, mostrando o filho, com a expressão mais orgulhosa de todas.
—Ele é a coisa mais linda de todas. —Emma afirmou, praticamente babando no vidro junto com Anne, Hannah e Hazel. Até Elisa estava com um sorriso enorme e uma expressão de pura adoração.
—É a cara do Kyle. —Collin murmurou, e eu vi Peter fazendo uma careta, antes de balançar a cabeça negativamente.
—Isso é mentira, bebês tem todos a mesma cara. —Peter retrucou, soltando um muxoxo quando recebeu um beliscão de Anne. —Mas pelo menos ele não tem cara de joelho.
—Meu Deus, você é péssimo. —Hannah exclamou, lançando um olhar demorado na direção de Peter, que deu de ombros com a expressão mais inocente de todas.
—Ele é fofo. —Peter afirmou, e eu soltei uma risada quando Kyle revirou os olhos, deixando claro que estava ouvindo cada coisa que falavam. Mas ele também não parecia incomodado, porque estava ocupado demais observando o filho, como se não quisesse perder nada desses primeiros momentos dele ali.
—E os Carson's acabam de ficar maiores. —Hazel sussurrou, se inclinando mais para perto do vidro. Nathan não acordou. Ele parecia tranquilo demais dormindo no colo do pai, mas eu sabia que não ia demorar pra ele se juntar aos outros nas tentativas de derrubar a casa.
—Você ainda pode vencer no número de filhos, sabia? 5 é um número interessante. —Peter soltou, olhando pra mim com um sorriso idiota. Elisa ficou rígida na minha frente, olhando dele pra mim com uma expressão assustada. —Nossa mãe teve 7.
—Eu não vou ter 5 filhos. —Elisa exclamou, enquanto meus irmãos riam. Até mesmo as garotas, como se estivessem se divertindo com o tom incrédulo de Elisa e a expressão indignada de Kyle, que estava fulminando Peter com os olhos.
—Não incomode a minha namorada. —Afirmei, empurrando Peter para longe de Elisa, vendo-o rir.
Abracei Elisa por trás, tentando não rir da desconfiança no seu rosto quando olhou pra mim. Mas ela deixou que eu a puxasse pra mim, além de abrir um sorrisinho quando beijei sua bochecha. Amanhã cedo a levaria até o campo de beisebol onde nos vimos pela primeira vez. Acho que tínhamos algumas coisas pra conversar antes de voltarmos pra Nova Iorque.
Continua...
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Todos os lances da conquista / Vol. 1
RomanceCaleb Carson é o rebatedor do time de beisebol da universidade e a promessa do esporte para a próxima temporada. Mas mesmo que o beisebol seja sua paixão e todos lhe digam para segui-lo, seu maior sonho é voltar para Aspen e trabalhar no escritório...
