—Tia Lisa! —Abri um sorriso enorme quando Madison cruzou a porta e veio correndo na minha direção. Ela pulou no meu colo assim que eu abri os braços, quase me derrubando para trás, quando uma cachoeira de cabelos ruivos tampou minha visão de Ella e Nicholas, que tinham acabado de entrar e fechar a porta.
—Senti saudades. Você não veio mais ficar aqui comigo. —Falei, erguendo-a no colo, mesmo que ela fosse grandinha demais pra isso já, além de pesada pra mim. —Pensei que tivesse me trocado pelo tio Bryan.
—Todo mundo sabe que ele é o tio favorito porque da doces escondidos pra ela. —Nicholas afirmou, enquanto Madison descia do meu colo e balançava a cabeça negativamente.
—Isso não é verdade. Ele nunca me deu doce nenhum. —Madison negou, enquanto Ella ria e vinha me dar uma abraço. A esposa do meu irmão tinha os mesmos cabelos ruivos da filha de 11 anos, mas estavam presos em uma trança escondida parcialmente pelo casaco.
—Eu encontrei o esconderijo de vocês dois na cozinha, no pote vazio de sal no último armário. —Nicholas rebateu, fazendo a filha piscar algumas vezes enquanto olhava pra ele, claramente tentando achar algum argumento para rebater aquilo. Quando não encontrou, ela se virou pra mim com a expressão mais inocente de todas.
—Você é minha titia favorita, mas não pode contar para os outros pra eles não ficarem com ciúmes.
—Você fala isso pra todo mundo, Mad —Ella afirmou, colocando as mãos na cintura e olhando pra ela. Madison deu de ombros, como se aquilo não fosse algo muito grande, antes de correr até a cozinha quando escutou a voz dos meus pais. —Como estão as coisas por aqui?
—Tudo bem. Vocês já ficaram sabendo sobre o motivo desse jantar? —Questionei, e os dois confirmaram com a cabeça na mesma hora. —Vocês vão vir, não é?
—Está com medo de precisar ficar no mesmo ambiente que o Caleb por muito tempo? —Nicholas indagou, recebendo um olhar feio não só de mim, mas de Ella também. —Eu estou brincando, ok? Sei que você ainda está magoada, mas ele fez o que era certo aquele dia.
—Por que vocês homens são tão idiotas as vezes? —Ella exclamou, passando o braço ao redor de mim e me puxando para longe de Nicholas, que soltou um muxoxo frustrado como se a culpa não fosse dele, mas ele estivesse pagando por ela também. —A gente vai estar aqui sim. Vocês dois já conversaram?
—Mais ou menos. —Falei, porque não tinha engolido o pedido de desculpas esfarrapado que ele havia me dado. Ele não estava arrependido de verdade, então podia ficar com aquelas desculpas pra ele, porque eu não as queria. —O Nicholas não falou nada pro meu pai, né?
—Como prometeu. —Ella concordou, me deixando aliviada, porque não queria mesmo atrapalhar as coisas do meu pai, mesmo que Caleb estivesse envolvido nelas. Além disso, meu pai não fazia ideia que eu tinha fugido na nossa viagem em Aspem pra ir numa festa. Não ia querer ver a reação dele se soubesse, porque tinha a sensação que ele ficaria bem decepcionado.
[...]
Brayden Reynolds era o mesmo homem que eu me lembrava, gentil e engraçado, mesmo que agora estivesse mais velho, a ponto dos cabelos já estarem brancos. Ele tinha trazido presentes pra todo mundo. Até mesmo Madison pulou de alegria quando ganhou o dela. Eu costumava ganhar presentes também, mas recebi flores dessa vez, como a minha mãe.
—Desculpa, não sabia bem o que comprar. Eu estava um pouco em duvida sobre quantos anos você já tinha. —Comentou, me arrancando uma risada, enquanto eu observava o vaso de girassóis.
—Tudo bem, as flores são lindas. Muito obrigada. —Falei, vendo-o assentir com a cabeça, como se estivesse contente por eu ter gostado. Mas não deixei de notar que as bochechas estavam pintadas de vermelho, como se ele estivesse com vergonha.
—Você cresceu bastante. Me lembro que da última vez que eu vim você era super baixinha ainda. —Afirmou, me fazendo exibir uma careta que o fez rir. —Ainda faz balé?
—Claro, não parei em nenhum momento. É a minha grande paixão. —Ergui o queixo ao dizer aquilo, porque me orgulhava muito do talento que tinha com balé. Todo mundo sempre me elogiava, além de eu conseguir ser sempre o foco nas apresentações.
—Isso é muito legal, Elisa. Quando tiver uma apresentação, não esquece de me chamar. Vou gostar de ir assistir. —Ele piscou pra mim, com um sorriso envergonhado quando eu concordei, antes de desviar a atenção de mim para o meu pai.
Olhei para onde Madison brincava no sofá, junto com a minha mãe, antes de notar que Nicholas estava olhando pra mim, com uma expressão pensativa e um pouco esquisita. Ergui as sobrancelhas pra ele, o que o fez desviar os olhos na mesma hora, sussurrando alguma coisa no ouvido de Ella.
—Tenho um novo estagiário, na verdade. Acho que vai gostar dele. Super esforçado e inteligente. —Olhei para o meu pai ao ouvi-lo dizer aquilo, sem conseguir esconder a careta de resignação no meu rosto. —Vocês dois podem trabalhar juntos em alguns casos, se você quiser começar de uma forma mais tranquila.
Não ouvi a resposta do senhor Reynolds, mesmo que ele tivesse do meu lado, porque minha mãe estava olhando pra mim e tinha notado a cara que eu havia feito quando meu pai mencionou Caleb. Ela estava com uma das sobrancelhas erguidas, antes de torcer os lábios em desconfiança quando abri um sorriso disfarçado.
Desviei meus olhos, porque a última coisa que eu queria era minha mãe desconfiando que eu tinha alguma coisa com o Caleb. Puxei meu celular quando ele vibrou, ficando muito feliz ao ver que era Taylor e não Caleb. Ele tinha mesmo me mandando mensagem falando o horário e a data do jogo, mesmo que eu não tivesse o seguido de volta e muito menos respondido sua mensagem.
Tay — Consegui a camisa do time rival.
Tem certeza que quer fazer isso?
Com um irmão atleta, posso dar certeza que a última coisa que você vai querer mexer é no esporte do cara.
Acho que ele não vai ficar muito feliz.
Elisa —A intenção é exatamente essa.
E vou gritar até ficar rouca pro time dele perder.
Ninguém mandou ele me chamar pra assistir.
Continua...
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Todos os lances da conquista / Vol. 1
RomanceCaleb Carson é o rebatedor do time de beisebol da universidade e a promessa do esporte para a próxima temporada. Mas mesmo que o beisebol seja sua paixão e todos lhe digam para segui-lo, seu maior sonho é voltar para Aspen e trabalhar no escritório...
