Kim Taehyung
O carro seguia silencioso pela estrada cercada de árvores. O céu estava nublado, como se o mundo refletisse meu estado interno. Eu olhava pela janela, sem realmente ver o caminho. Minha cabeça estava cheia demais para qualquer coisa fazer sentido.
— Você vai ficar bem. — disse Bo Gum no volante, com a calma de quem já tinha dito aquilo dez vezes.
— Eu sei. — murmurei. E era verdade. Uma parte de mim realmente acreditava naquilo. Mas a outra... a outra só queria gritar e correr na direção oposta.
Namjoon estava no banco do passageiro. Seu rosto ainda era lento em expressões, mas seus olhos falavam. Ele lançava olhares curtos pelo retrovisor. Apoio silencioso. Como sempre foi.
A clínica era grande, rodeada de muros baixos cobertos por heras e com uma fachada tão limpa que parecia ter sido pintada ontem. Tudo nela cheirava a calma forçada. A um tipo de paz que você não escolhe... mas precisa.
A entrada foi rápida. Os papéis já estavam preenchidos, as malas prontas. Um funcionário sorriu e se apresentou, explicando o funcionamento do local. Eu fingia escutar. Só queria que aquilo passasse logo.
Namjoon se aproximou e, com esforço, segurou meu ombro. Sua fala ainda era pausada, hesitante — mas firme:
— Você... é forte, Tae. — ele disse. — Vai... conseguir.
Meus olhos arderam. E eu só consegui assentir. A mão dele tremia, mas não me soltava. Nunca me soltava.
Bo Gum se aproximou também e, ao me puxar num abraço, sussurrou no meu ouvido:
— Quando estiver escuro aqui dentro... lembra da gente, ok? A gente ainda tá lá fora te esperando.
Fui guiado para dentro da clínica com as palavras dos dois grudadas no peito.
[...]
Os primeiros dias foram os piores.
A abstinência era cruel. Meu corpo doía como se eu tivesse sido atropelado por dentro. A pele ardia. Os pensamentos zuniam como um enxame de abelhas loucas. Eu chorava sem saber por quê. Eu queria gritar. Correr. Me esconder.
Mas também queria ficar. Porque no fundo, por mais que doesse, era a primeira vez que eu estava lutando por mim.
Bo Gum ligava todos os dias. Às vezes falava sozinho por dez minutos enquanto eu chorava do outro lado da linha. Ele não se importava.
Namjoon mandava mensagens simples, quase sempre com emojis. Mas cada uma delas parecia um abraço. “Comendo direito?”, “Orgulho de você”, “Hj tá nublado, igual o dia que vc entrou aqui. Saudades.”
Comecei a ter sessões com uma terapeuta chamada Ji-won. Uma mulher miúda, de cabelo curto e olhar afiado.
— O que você sente falta? — ela perguntou um dia.
— Do controle. — respondi sem pensar.
Ela sorriu.
— Então é isso que vamos trabalhar. Não como ter controle... mas como não se destruir quando perdê-lo.
Fiquei em silêncio. Pela primeira vez, senti que alguém me via.
[...]
Duas semanas depois, eu andava pelo pátio da clínica, o sol esquentando meus ombros, quando um dos funcionários me avisou que havia uma encomenda para mim.
Era um envelope. E dentro dele, havia uma foto.
Era uma selfie boba. Hoseok e Yoongi, com os rostos espremidos um contra o outro, em frente a uma cafeteria qualquer. E na legenda, escrita à mão no verso:
“Ainda falta um pra completar o trio. Estamos te esperando, esquentadinho.”
Senti algo se quebrar dentro de mim. Mas dessa vez, era o muro.
E pela primeira vez em muito tempo, eu sorri.
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Forbiden Love {Taeyoonseok}
Fan-FictionTaehyung não conseguia se lembrar do exato momento em que se tornara amigo de Yoongi e Hoseok ou nem de quando começara a nutrir sentimentos por ambos. Mas de uma coisa ele tinha certeza, o sentimento que tomava conta de si a cada dia, o destruía o...
