9- Kiss me a before go

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Eu estava em um ambiente escuro e frio. A minha pele estava toda arrepiada, mas não era o mesmo arrepio que eu sentia quando tinha Justin por perto, era um arrepio de medo, de insegurança, de... morte.

Uma luz bem no final desse ambiente começou a ser acesa, tão pequena e serena. Ela começou a vir perto de mim a cada vez mais, mas ela continuava a ser tão pequena mesmo assim. Uma sensação de medo invadiu ainda mais o meu corpo e a cada vez que a luz se aproximava, eu dava passos pra trás impedindo que ela chegasse até eu.

Quando de repente, a luz voou na minha direção e eu corri, corri tão rápido que quando eu notei no meio daquela escuridão, não havia mais chão. E um frio enorme se deu na minha barriga e eu cai. Eu caia, caia naquele enorme penhasco escuro sem saber onde ia dar.

- NÃO. - Gritei, acordando no mesmo instante e me sentando na cama.

A minha respiração estava ofegante e algumas gotas de suor escorriam pela minha testa. A porta daquele quarto foi aberta e Justin correu na minha direção, se sentando na cama na minha frente.

- O que aconteceu? - Ele sussurrou e eu o fitei.

Seus olhos preocupados, apesar de eu não conseguir enxergar muito bem por conta de o quarto estar um pouco escuro, era o suficiente que eu via.

- Eu tive um pesadelo. - Falei.

Justin esticou seu braço até o criado-mudo do lado da cama e acendeu o abajur. Olhei para o relógio de baixo do abajur e marcava 3:13h da manhã.

A minha respiração ainda estava descompensada e flashes do sonho vinham na minha mente. Eu tremia como se ainda sentisse o frio daquele ambiente do pesadelo. Justin notou a minha situação do momento e no mesmo instante, seus braços fortes e nus me abraçaram, como se fossem me proteger de qualquer mal que pudesse me causar.

A minha mão estava no seu peitoral nu já que ele não usava nem se quer uma camiseta, apenas uma calça moletom cinza, parecida com a que eu tinha visto quando trouxe Mandy no dia do piquenique, mas aquela era preta.

Afundei o meu rosto no seu ombro e deixei algumas lágrimas caírem na minha bochecha. Eu estava começando a sentir medo de morrer, e eu realmente não era assim. Eu nunca fui alguém que sentia medo de alguma coisa, quando dava na minha cabeça certas vontades, desde pequena eu fazia. Nunca fui uma pessoa que cometia coisas erradas também, mas não era de passar vontade.

E agora, talvez o fato de eu ter uma data marcada - e pra piorar: eu não sabia qual era. Um mês, um dia ou um ano, eu não tinha certeza de nada - aquilo estava começando a me amedrontar.

E se eu não conseguisse realizar tudo o que eu queria? E se eu morresse sem dizer pra algumas pessoas o que eu tanto queria dizer a elas? Eu queria viajar pra alguns lugares antes de partir, mas, e se não desse tempo disso acontecer?

Justin ainda me tinha em seus braços. Ele me abraçava como se nada fosse me tirar dali ou que nada fosse me causar qualquer mal enquanto os seus braços estivessem em volta do meu corpo. E por um instante a minha respiração começou a voltar ao normal, o medo começou a sumir devagarzinho e eu me senti até mesmo um pouco melhor.

O fitei e notei que estávamos mais perto que o normal. Eu conseguia sentir a sua respiração bater de encontro ao meu rosto, bem na ponta do meu nariz que estava quase colada com a ponta do nariz dele. Seus olhos cor de mel olhavam o meu que provavelmente demonstrava um pouco de insegurança.

Sua mão foi até uma mecha do meu cabelo e a colocou pra trás, podendo ter a imagem completa do meu rosto.

- Você tem medo de alguma coisa? - Perguntei para o Justin enquanto ele me olhava nos olhos.

Um pequeno sorriso brotou dos seus lábios, mas ele nem se quer mostrou os dentes com ele. Seu olhar fugiu do meu e ele fitou o chão por alguns instantes, voltando a me olhar nos olhos. Ele parecia pensativo.

- Não, já aconteceu tantas coisas comigo que eu não tenho medo de mais nada.

Eu não sei por que, mas naquele exato momento eu me recordei de perguntar da mãe da Mandy, da sua mulher. Mas Justin acabou com os meus pensamentos assim que ele perguntou:

- E você, Kath? Tem medo de alguma coisa?

Medo? Se alguém me fizesse essa pergunta a dois dias atrás eu responderia que não, mas hoje eu não tinha tanta certeza assim.

- Muitas coisas mudaram desde quando você me deu a noticia da doença, Justin. - Falei. - Antes eu era alguém sem medo, eu não tinha pesadelos, eu levava a vida razoavelmente bem. Hoje, provavelmente o medo que eu devo sentir e que me corroí por dentro das veias é morrer. Partir.

- Você tem medo da morte? - Ele perguntou em um sussurro e notei que estávamos mais perto ainda por conta do seu halito fresco ter entrado nas minhas narinas rapidamente.

- Não necessariamente da morte, mas tenho medo de não conseguir realizar tudo o que eu desejo.

- E o que você deseja?

- Viajar. Voar de asa-delta. Subir em cima de um prédio e ver o pôr do sol de lá. Fumar maconha. Roubar uma loja de doces. Fazer uma tatuagem. Ir a um velório de um desconhecido. Receber flores. Ser beijada. Plantar uma arvore. Ter um filho. Dar um abraço a um desconhecido. Nadar em uma piscina sem roupa. - Nesse mesmo instante Justin me olhou com a testa franzida e riu fraco, então continuei: - Fazer um book nua. E talvez, casar.

- Por que talvez? - Justin perguntou.

- Porque eu preciso encontrar alguém. Esse alguém precisa se apaixonar por mim, e precisamos casar. Eu não tenho tanto tempo pra isso.

- Uma coisa pode ser riscada dessa lista desde já. - Ele disse e eu o fitei sem entender.

- O que?

Antes que eu pudesse raciocinar, ele me beijou. Sem dizer nada, ele me beijou.

Os mesmos lábios que eu beijei na boate de repente naquela noite. Mas agora, o beijo havia muito mais sentimentos e eu podia sentir pela sua saliva doce. Entrelacei o meu braço em volta do seu pescoço e Justin desceu a sua mão até a minha cintura, me puxando pra mais perto de si.

Passei a minha unha de leve na sua nuca, perto do seu cabelo, entrelaçando meus dedos por eles.

Puta que pariu! A sua língua explorava cada canto da minha boca como se sentisse sede dos meus lábios, por alguns instantes eu até me havia esquecido do medo que eu estava tendo e agora, a única coisa que eu torcia era que aquele momento nunca acabasse.

Justin afastou os nossos lábios por alguns segundos e eu já ia lhe xingar por ter feito isso, mas, antes que eu pudesse falar alguma coisa ele murmurou:

- Eu acho que nesse exato momento eu sinto medo de uma coisa...

- Do que? - Perguntei eu um sussurro.

- De te perder. - E em seguida, ele caçou os meus lábios novamente juntos aos seus, e naquele exato momento eu tinha certeza que aquele era o melhor lugar pra se estar.

Flatline // J.B Onde histórias criam vida. Descubra agora