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POV. Katharine Moore
Duas semanas depois.
Eu podia sentir a minha mão presa em outra mão. O barulho dos inúmeros aparelhos dentro do quarto que me lembravam que eu ainda estava dentro daquele hospital. Dois meses, exatamente dois meses que eu não saia pra nada se quer.
Abri os meus olhos com dificuldade notando a pouca luz do local. Virei o meu pescoço, sentindo uma pequena pontada no mesmo e imediatamente tive os meus olhos em Justin. Ele segurava a minha mão como todas as noites, a sua cabeça estava deitada em uma parte vaga da cama enquanto o seu corpo sentado na poltrona branca. Ele dormia em um sono profundo.
Continuei olhando seus traços e Justin aparentava estar tão cansado. Em dois meses dentro daquele hospital, ele esteve todos os dias e noites ao meu lado, não me deixando sozinha se quer por duas horas. Todas as minhas noites mal dormidas ele me fazia companhia, todas as minhas dores e medos ele esteve acordado pra me dar segurança e lembrar que estaria ao meu lado até o final dessa luta.
E eu nunca desacreditei do contrário.
Seus olhos fechados e a sua respiração calma demonstravam que ele estava em um outro mundo, em um sono calmo e gostoso. O seu cabelo desalinhado que caia alguns fios em sua testa, outros espetados. A sua mão entrelaçada com a minha como se tivesse medo que eu acordasse ou, fosse apenas um gesto de dizer que ele estava lá.
Eu não sabia que horas eram, mas por conta da pouca claridade do quarto pude ter certeza que ainda era de noite. Olhei para o celular do Justin presente na cômoda ao lado da cama onde também tinha uma jarra de água e dois copos de vidro, então, com cuidado, inclinei o meu corpo pra pegar o celular e sem fazer muito barulho pra que ele não acordasse, acendi a tela. 2:40h da manhã.
Soltei um suspiro baixo por notar que eu não tinha um pingo de sono e que faltava muito pra amanhecer. Pra falar a verdade, eu nunca acordei do nada de madrugada enquanto estive nesse hospital. Todas as noites as enfermeiras me dão um remédio pra que eu possa dormir a noite toda sem sentir dores ou algo do tipo, mas por algum motivo, naquela noite o remédio não fez efeito.
Olhei mais uma vez pra tela do celular que ainda estava com a luz acesa. 22 de Novembro.Como eu pude esquecer?
22 anos. Hoje dia 22 de Novembro é o meu aniversário de 22 anos. E onde eu estou? Em uma cama de hospital. Com câncer e gravida.
Me recordei imediatamente do meu aniversário do ano passado. Eu ainda ia pra todas as aulas da faculdade e depois da aula de Artes fui com alguns amigos e Emilly para o shopping. Almoçamos no melhor restaurante e lá eu tive uma das melhores tardes da minha vida. Muita risada, bebida e comida boa. Todas as pessoas que estavam sentadas ao meu redor, hoje, nenhuma delas mantem contato comigo, apenas Emilly. Apenas Emilly bate na porta do hospital pra perguntar se eu estou bem. Apenas Emilly me liga todos os santos dias pra dizer que ainda me ama e lembra de mim. Apenas Emilly. Engraçado, não?
Depois daquela tarde, fui pra balada com os mesmos amigos. Nos divertimos até o dia seguinte e era como se o meu aniversário nunca fosse acabar. Eu também não queria, eu estava animada, eu sentia o álcool percorrer o meu sangue e me deixar animada, agitada, feliz. Me lembro de estar dentro de um táxi junto com Emilly a destino de casa e eu abrir o vidro. O vento batia em direção ao meu rosto e eu podia sentir o gosto de liberdade na ponta da minha língua. Eu era capaz de me recordar de todas as sensações daquele momento, de todos os sorrisos daquele dia e da única certeza: eu nunca imaginaria que depois de um ano eu estaria aqui.
Eu não tinha doença nenhuma. Eu não tinha namorado, mas eu ficava com alguns rapazes, é claro. Eu não tinha filho e muito menos estava gravida. Eu não me preocupava com o amanhã. Eu não pensava na morte, ora... Morte pra mim era um mal que só vinha buscar os mais velhos, eu era tão nova pra morrer. Eu não tinha preocupações, não tinha horário pra tomar remédio, os meus únicos horários era pra acordar cedo pra ir pra faculdade apresentar algum trabalho ou fazer alguma prova. O único medo que eu sentia era... não ter medo de nada.
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Flatline // J.B
ФанфикшнPorque a vida pode te tirar todos os planos que voce criou durante anos e te dar uma data prevista da sua partida atraves de uma doenca cerebral, mas eu parei de ver o lado ruim das coisas a partir da hora que eu ignorei cada segundo que se passava...
