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20 de fevereiro de 2015.

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Após o breve diálogo Pedro não pensou. Atirou.

O tiro rasgou o silêncio. Jeremias caiu com um gemido de dor, a mão tremendo ao pressionar a perna ferida. O sangue se espalhava rápido pelo chão de terra, e a arma dele girou no chão até parar alguns centímetros à frente.

Pedro manteve o braço estendido por mais um segundo. O peso da decisão não o atingiu. Ele não vacilou. A ordem de Zayn ecoava em sua mente como uma sentença definitiva. Se o inimigo está na sua frente, atire.

E ele atirou.
Mas o que veio depois não foi o alívio da vitória, nem o respeito imediato dos irmãos ao redor.

Foi o olhar de sua mãe.

Ela não olhou para Jeremias. Não olhou para o sangue. Olhou diretamente para Pedro.

E Pedro soube.

Aquele olhar não era de medo, nem de súplica. Era de luto. Não pelo homem caído no chão, mas pelo filho que ela perdeu no momento em que ele puxou o gatilho.

Ela avançou, o abraço vindo antes de qualquer palavra. Um aperto sufocado, desesperado. Como se tentasse segurar a última fagulha da criança que um dia ele foi. Como se, por um segundo, acreditasse que podia trazê-lo de volta.
Mas era tarde.

Pedro ficou ali, parado, sentindo o calor da mãe, mas sem retribuir. Porque ele sabia. O que restava nele não era mais dela. Ele pertencia a outra coisa agora.

Lentamente, ele se afastou. Se desvencilhou do abraço como alguém que larga um peso. A infância morreu ali. E Pedro não a lamentou.

Ele ergueu o olhar e encontrou os irmãos do comando.
O silêncio entre eles era um campo de batalha. Não havia apoio explícito. Mas também não havia negação.

— Isso não tá certo — um dos mais velhos murmurou, baixo, como se testasse as águas.

— Não é assim que se sobe — outro completou, cruzando os braços.

— Mas e se a gente não deixar? — alguém questionou. — Quem assume no lugar?

Esse era o problema.

Pedro sabia que sua ascensão não era natural. Não era assim que as coisas funcionavam. O crime não era uma bagunça. Havia uma hierarquia, um ciclo a ser respeitado. Mas havia também um vazio de poder.

Benê estava morto. Zayn, também. Jeremias, caído no chão, sem condições de assumir qualquer coisa.

E então, só restava Pedro.

— Se derrubarmos ele agora — um dos irmãos ponderou, baixo, para os outros —, quem segura o morro? Quem bota ordem no corre?

— Ué caralho, a gente coloca, sempre colocamos — retrucou o terceiro irmão.

— Ele não estará acima de nós, será a imagem que Zayn era, sabem como funciona. Porra. Estamos de acordo? - perguntou o mais velho.

Os olhos recaíram sobre o garoto. Sim, ele era jovem. Mas ele sabia demais. Ele carregava o sangue de Zayn nas veias, mesmo sem ser seu filho. Ele entendia os caminhos do crime porque cresceu dentro deles.

E, mais importante que tudo: Pedro já tinha tomado o controle.

Eles podiam questionar, podiam discordar, mas impedir significaria criar outro problema.

Um vácuo de poder era um convite para guerra.

Pedro deu o último passo que o separava do destino que escolheu.

Faroeste Caboclo L.SHistórias para pegar e não largar. Descubra agora