Louis fechou os olhos do amigo com dois dedos manchados de sangue. Fez com calma, com reverência. Era como se aquele gesto fosse a única coisa digna que podia oferecer naquele momento.
Então ele se levantou.
Os outros detentos estavam ali, em volta, parados, congelados. Alguns tinham os olhos vermelhos, outros choravam abertamente, outros pareciam em choque. Era como se ninguém soubesse o que fazer. Como se o mundo tivesse parado e estivesse esperando uma ordem.
Louis olhou ao redor.
Todos esperavam ele decidir.
Porque ele era a regra ali.
Ele era a lei.
Ele respirou fundo. Profundo. Como quem segura a respiração no fundo de um abismo. Porque tudo dentro dele gritava por vingança. O corpo dele inteiro pedia por sangue. Ele queria matar cada carcereiro que não era fechado com ele, queria subir até a sala do diretor e estourar a cabeça dele. Queria ver o chão vermelho, queria acabar com tudo, queria morrer junto.
Porque era culpa dele.
Só dele.
O Lesado morreu porque estava com ele. Porque o seguiu. Porque o protegeu. E agora estava ali, no chão, sem vida, sem nome, sem futuro.
Mas então... ele lembrou.
As últimas palavras.
"Talvez o caos tenha que ser deixado de lado."
Louis fechou os olhos por um instante, respirou fundo de novo. A respiração dele agora era uma luta entre a raiva e o autocontrole. Quando abriu os olhos, falou alto, firme, com a voz rouca:
— Todo mundo volta pra cela. Agora. Ninguém sai até eu dizer que pode.
Ninguém questionou.
Quase todos obedeceram, em silêncio.
Mas um deles, um dos mais novos, mais impulsivo, ainda com os olhos arregalados, perguntou:
— O que tu vai fazer?
Louis apenas lançou um olhar. Rápido. Frio.
E então assentiu com a cabeça, sem dizer nada.
⸻
Ele caminhou sozinho pelo pavilhão. O corpo tremia de raiva, de luto, de culpa. O silêncio era pesado. Tudo em volta parecia mais escuro, mais feio, mais injusto.
Chegou à cela.
As coisas do Lesado ainda estavam lá. Bagunçadas. Simples.
Ele se ajoelhou, respirando fundo, engolindo o choro, e pegou os papéis. As folhas estavam dobradas, escondidas, organizadas do jeito que só eles sabiam.
Era o dossiê.
O que podiam derrubar tudo.
Ele ficou um tempo ali, parado, segurando as folhas contra o peito. Fechou os olhos, sentiu o cheiro da cela, o cheiro do cigarro, da maconha, da ferrugem, do mofo. Era a essência do lugar que ele mandava, do trono que ele sustentava — e que agora queria queimar.
Se levantou.
Saiu em silêncio.
Andou até o setor de administração. Era uma parte que ele evitava. Nunca tinha entrado ali. Não precisava. Não era do jogo.
Parou diante de uma porta de ferro. Respirou. Bateu três vezes.
Um carcereiro abriu com o cenho franzido, irritado.
— Que porra você tá fazendo aqui, caralho? Tu não pisa aqui nunca.
Louis olhou nos olhos dele.
— Preciso falar com o diretor.
— Você é louco? Ele te odeia. Vai te meter numa cela de castigo, sem visita, sem porra nenhuma. Se bobear, tu nem volta.
— Eu preciso falar com o diretor — repetiu.
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Faroeste Caboclo L.S
Fanfiction"Se estiver passando pelo inferno, continue andando." - Winston Churchi Inspirado na obra original do Legião Urbana. Passar pelo inferno é o que Louis Tomlinson enfrentou por toda sua vida, com a hostilidade e o destino traçado. As coisas mudam qu...
