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21 de Dezembro de 2014.

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O quarto ainda cheirava a cigarro e suor, uma mistura agridoce do que havia sido a noite anterior. O sol da manhã vazava pelas frestas da cortina puída, banhando o chão em tons de ouro e poeira. Harry se remexeu nos lençóis revirados, os olhos pesados pelo sono inquieto, e virou-se na cama, esperando encontrar a presença morna e familiar ao seu lado.

Mas só havia o vazio.

Seu coração afundou no peito antes mesmo que sua mente despertasse completamente. O ar ficou preso na garganta, o estômago revirando em um enjoo súbito e amargo.

Ele se sentou de um pulo, o colchão rangendo sob seu peso.

— Não... — sussurrou para si mesmo, a voz falhando.

Seus olhos varreram o quarto, desesperados, em busca de algum sinal, alguma pista de que estava enganado. Mas as roupas de Louis não estavam mais jogadas pelo chão. Sua jaqueta não estava pendurada na cadeira. A arma que sempre repousava no criado-mudo ao lado do cigarro também havia sumido.

Harry passou as mãos pelos cabelos desgrenhados, sentindo a pele do rosto queimar.

"Ele prometeu."

As palavras ecoaram em sua mente, afiadas como navalha. Na noite anterior, Louis havia segurado seu rosto com aquelas mãos calejadas, os olhos queimando de sinceridade.

"Eu não vou a lugar nenhum, amor. Eu juro."

Mentiroso.

Um grito de frustração rasgou a garganta de Harry enquanto ele empurrava os lençóis para longe, levantando-se num rompante. O corpo todo tremia, de raiva, de dor, de um medo sufocante.

Ele caminhou a passos pesados pelo quarto, os punhos cerrados, a respiração entrecortada. Queria quebrar algo. Queria socar a parede até seus nós dos dedos sangrarem. Queria correr atrás dele, puxá-lo pela gola da camisa e obrigá-lo a ficar.

Mas Louis já tinha ido.

De novo.

Seus olhos ardiam, mas ele se recusava a chorar.

Foi então que algo chamou sua atenção: um pequeno gravador sobre a cabeceira da cama. Ao lado dele, um papel amassado, dobrado de qualquer jeito.

As mãos de Harry hesitaram antes de pegarem o bilhete. A letra era apressada, torta, quase rabiscada.

"Por favor, escute com atenção. Eu volto logo."

Um soluço preso atravessou sua garganta.

Com os dedos trêmulos, ele apertou o play.

Por alguns segundos, só houve estática. Então, a voz de Louis preencheu o quarto, rouca, carregada de cansaço e algo que Harry não queria nomear.

"Eu sei que você tá puto comigo agora."

Harry apertou os olhos. Ele odiava como a voz de Louis ainda tinha o poder de desarmá-lo.

"Mas escuta, por favor. Eu não fui porque quis. Eu tive que ir. Se eu não pagar o que devo, se eu não acertar as contas, a gente nunca vai ter paz. Eles nunca vão nos deixar em paz."

O peito de Harry subia e descia pesadamente.

"Eu juro que volto. Eu juro por Deus, por tudo que eu sou. Só me dá um tempo. Eu vou dar um jeito nisso."

Faroeste Caboclo L.SHistórias para pegar e não largar. Descubra agora