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Louis piscou devagar. O sangue ainda escorria, a poça debaixo dele e de Harry já estava unindo os dois como uma última promessa suja, silenciosa. Mas ele não se mexeu. Só soltou um suspiro fraco, de um cansaço que parecia antigo, ancestral.

— Ajuda ele primeiro... — ele murmurou, rouco, quase num sussurro que se perdeu no ar carregado.

Niall já tava de joelhos do lado do corpo do Harry, tremendo, com a respiração entrecortada.

— Caralho, caralho... — ele rasgou um pedaço da própria camisa com os dentes e amarrou forte no pulso do Harry, estancando o sangue. Os dedos estavam ágeis, desesperados, mas precisos. Em seguida, fez o mesmo com Louis, com os olhos ardendo, a garganta apertada.

Louis só fechou os olhos.
Apagou.
Sem drama.
Sem cena.
Só silêncio.

⸻

O carro de Niall atravessou as ruas da zona industrial sob o sol quente das 16h, cortando a tarde como uma flecha. Zayn ia no banco de trás, segurando Louis com o braço firme, pressionando o curativo, e Niall dirigia como se estivesse carregando o mundo nas mãos. O hospital já era conhecido por eles, um dos poucos lugares que ainda não fazia perguntas demais.

Eles foram internados com nomes falsos, separados, monitorados. Cada segundo contava.

⸻

Algumas horas depois.

Harry abriu os olhos devagar.
A claridade era tênue, as paredes brancas, o teto com infiltrações sutis — mas que não tinham a frieza de uma cela. Pela primeira vez em dias, o ar não cheirava a ferro, mofo e medo.

Ele franziu os olhos, confuso.
Talvez estivesse morto.
Talvez fosse o céu.
Ou alguma ironia disso.

Até que viu Niall sentado numa cadeira ao lado, com uma expressão que misturava alívio e pura indignação.

— Tá vivo, porra. — Niall sussurrou, jogando a cabeça pra trás e cobrindo os olhos com a mão. Depois se inclinou pra frente e disse, com a voz embargada: — Vocês têm algum problema, mano? Algum caralho de problema? Se matar? Vocês têm a porra de algum problema?!

Harry bufou.

— Ai, cala a boca, Niall.

Niall apertou os olhos e deu uma risadinha curta, de quem quase chorou.

— Também tava com saudade de você, arrombado.

Harry tentou sorrir, mas só saiu um suspiro fraco. Ele olhou pro próprio pulso. Tava enfaixado, com pontos. Uma bolsa de sangue pendia do suporte ao lado, alimentando a veia dele. Os batimentos ainda estavam lentos.

— Eu... eu podia jurar que vi o Zayn — murmurou, mais pra si mesmo.

Niall ergueu uma sobrancelha, com um sorriso de canto de boca.

— É... eu vejo fantasmas de vez em quando também. — falou num tom quase debochado, mas desviou o olhar. Sabia que Harry ainda não podia lidar com a verdade inteira.

Harry fechou os olhos e sussurrou:

— Como tá o Louis?

Niall se levantou devagar.

— Ele... tá vivo. Vou pedir pra ver se te atualizam. Fica deitado, pelo amor de Deus. Eu volto já.

⸻

Quarto ao lado.

O som do monitor cardíaco era o único barulho constante.
Beep... beep... beep...

Zayn estava sentado ao lado da cama de Louis, calado. As mãos entrelaçadas, os olhos fixos no rosto pálido e machucado do amigo. Ali, naquele hospital, naquele quarto escondido do mundo, Zayn parecia um sobrevivente da própria lenda.

Faroeste Caboclo L.SHistórias para pegar e não largar. Descubra agora