Harry estava dentro do carro, com o corpo jogado no banco e a cabeça encostada no vidro, tentando assimilar tudo o que tinha acontecido. Era difícil. O caos dos últimos dias ainda pulsava dentro dele, como uma ferida aberta que não parava de arder. Ele pensava em Jeremias, no sangue, na confusão, em tudo o que tinham feito para chegar até ali. E, acima de tudo, pensava em Louis.
Pensava na forma como os dois, tomados pelo desespero, cortaram os próprios pulsos como se aquela fosse a única saída possível. Um gesto impulsivo, insano, desesperado. E agora, Louis tinha ido embora. Mais uma vez. Tinha se entregado para a polícia, sem aviso, sem retorno, sem plano. Harry mal conseguia acreditar que aquilo tinha realmente acontecido. Louis se entregou. Do jeito que ele estava, do jeito que tudo estava... ele não ia sair da cadeia nunca mais. Harry sabia disso. Louis sabia disso. E mesmo assim foi.
O carro seguia em silêncio, mas a mente de Harry gritava. Ele sentia o cansaço nas veias. Tava fraco, pálido, com a bolsa de sangue ainda presa ao braço, tentando repor o que ele tinha perdido. Mas não era só sangue. Era como se ele tivesse perdido tudo. E no meio daquele esgotamento, uma parte dele começou a pensar que teria sido melhor se tivesse morrido. De verdade. Que talvez, no fundo, aquilo tudo tivesse sido um erro — ter sobrevivido.
E então ele virou o rosto e viu Zayn sentado ali, ao lado dele. E por mais que tudo estivesse um caos, Zayn era uma constante. Uma presença que falava sem dizer nada. Era uma das pessoas que ele mais amava. Era família. E Harry olhou pra ele tentando entender como aquilo era possível. Como o Zayn tinha aparecido justo naquela hora, naquele exato momento, como se tivesse sido chamado por algo maior. Um minuto mais tarde e ele teria chegado tarde demais.
Ainda zonzo, Harry também olhou para o banco da frente. Niall dirigia em silêncio, concentrado, com os olhos atentos na estrada. Outro que fazia parte da vida dele há anos. Um dos melhores amigos que ele já teve. E ali estavam eles três, num carro, fugindo de mais um inferno, como se o tempo tivesse voltado. Como se nada tivesse mudado. Mas tudo tinha mudado.
O silêncio no carro era pesado, tenso, carregado de tudo o que eles não conseguiam dizer. Niall percebeu. Ele esticou o braço e ligou o rádio, deixando que uma música preenchesse o vazio do ambiente. E por coincidência — ou destino — a música que começou a tocar era justamente aquela que eles sempre ouviam quando tinham acabado de fazer alguma merda. Aquela música que tocava depois de roubar algum playboy, ou de escapar por pouco de alguma batida. A música dos velhos tempos.
Zayn soltou um riso curto, quase um sopro, e balançou a cabeça.
— Você é louco — disse ele, sem esconder o deboche carinhoso na voz.
Niall deu uma risadinha e deu de ombros.
— Não dá pra ficar com esse clima de velório, né?
Harry não riu. Só balançou a cabeça, ainda com os olhos fixos no nada.
— Pra onde a gente tá indo?
Niall desviou o olhar para o retrovisor por um segundo, depois voltou os olhos pra frente, diminuindo um pouco a velocidade.
— Eu... não sei. Só tô dirigindo.
O silêncio voltou, mais curto dessa vez. Niall lançou um olhar rápido para Zayn, como quem pedia uma decisão.
— E aí? Pra onde?
Zayn manteve os olhos na estrada por mais alguns segundos antes de responder.
— A gente vai pro morro.
As palavras saíram firmes, mas por dentro ele estava quebrado. O peito apertado, o estômago virado. Ele olhou pela janela, como se esperasse ver alguma coisa lá fora que desse resposta pra tudo que estava sentindo. Mas só havia a estrada e o silêncio cortado pelo som abafado do rádio.
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Faroeste Caboclo L.S
Fanfiction"Se estiver passando pelo inferno, continue andando." - Winston Churchi Inspirado na obra original do Legião Urbana. Passar pelo inferno é o que Louis Tomlinson enfrentou por toda sua vida, com a hostilidade e o destino traçado. As coisas mudam qu...
