Alguns dias depois da chegada dos gêmeos à mansão Evans, o mais novo papai está nas nuvens — e não sai do lado da esposa e dos filhos. Apesar de não levar jeito nenhum para trocar fraldas... tadinho! Mas Sara acha uma gracinha o cuidado dele com ela e com os bebês.
— Pimentinha, trouxe um lanchinho pra você — ele entra no quarto com uma bandeja cheia de delícias. — Li que você precisa se alimentar bem enquanto está amamentando. E temos três bebês esfomeados, então... precisa comer direitinho.
— Hum, que fofo! Quem diria que o meu rebelde seria tão carinhoso assim?
— Claro, preciso cuidar da minha pimentinha.
Ele lhe dá um selinho, mas Sara aprofunda o beijo. Já está subindo pelas paredes, mas Marcel ainda tem receio de machucá-la. O desespero que sentiu ao pensar que poderia perdê-la foi aterrorizante.
— Você podia cuidar de outra necessidade minha...
— Sara, não me provoca... — ele sussurra, rouco, com o beijo quente dela.
— A Violet já me liberou há dias e você continua fugindo de mim... — diz, chateada com a recusa. — Fiquei feia?
— Claro que não, Sara! Longe disso. Eu te acho ainda mais linda... mais gostosa. — Ele acaricia seu rosto, mas sua expressão muda ao lembrar do trauma. — Você não faz ideia do desespero que senti achando que podia te perder. Ou perder um dos nossos pequenos...
— Mas eu estou bem!
Sara o abraça com força, depois o encara e seca discretamente uma lágrima que escorre dos olhos do marido.
— Eu tive tanto medo, como nunca antes... Acho que não suportaria...
— Amor, vem cá...
Ela o puxa pela mão até o quarto onde os bebês dormem tranquilos.
— Tá vendo? Estamos todos bem. Nossos filhos são lindos, e estão saudáveis.
— Só vou ficar em paz quando acabar com os desgraçados que causaram toda essa bagunça.
Na penumbra do quarto dos bebês, Marcel observava cada respiração tranquila dos filhos. Seus olhos, antes marejados de emoção, agora estavam duros como pedra. O carinho ainda estava lá mas por trás, havia algo mais sombrio crescendo. Ele se virou devagar para Sara, que já percebia aquela mudança silenciosa.
— Você ainda está pensando nisso, não está? Em como vai acabar com eles.
— Não consigo parar. — A voz dele saiu baixa, controlada. — Eles colocaram colocaram vocês em perigo, Sara. Mexeram com o que eu tenho de mais sagrado.
Ela não disse nada, mas segurou a mão dele. A força com que ele a apertou era firme, cheia de promessas não ditas.
— Davi tem feito um trabalho mas... Eles ainda respiram... por enquanto. — A voz dele se tornou fria. —
Sara engoliu seco, mas não tentou impedi-lo. Ela sabia com quem tinha se casado. E agora, mais do que nunca, entendia que aquela escuridão fazia parte de quem ele era — e de quem ela também se tornara.
— E o que vai fazer?
— O que precisa ser feito.
Ele se afastou dos berços, ajustou os punhos da camisa e beijou a testa da esposa.
— Vou sair com Davi, Olavo e o Luke. Os nossos não vão crescer num mundo onde homens como aqueles respiram livremente.
— Marcel...
— Eu volto antes do café da manhã.
E saiu.
O cheiro de ferrugem, óleo e sangue impregnava o ar.
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Mafioso Submisso
Storie d'amoreApós ver sua namorada ser torturada e assassinada diante dos seus olhos, Luke Evans, capo da máfia nova-iorquina, se torna um homem quebrado. Para ele, a única forma de aliviar a culpa é sentir na própria pele a dor que ela sofreu. Mas nenhum de seu...
