O que tinha acontecido realmente ali? Desde quando que ela podia tomar o sangue de outra pessoa sem ser o dele? Ele tinha permitido aquilo a quanto tempo? E o que Peter tinha haver com aquilo tudo? O que ele fez?
Observei ela ir embora sem suas coisas e sem pensar duas vezes, o que me fez ter de pegar as suas coisas do chão e a seguir em silêncio. Ao encontrá-la, ela estava terminando de descer as escadas ainda meio avoada, perdida no êxtase do sangue e o que ele significava a ela. Viktor queria algo dela e tinha o conseguido, por isso que sua presença sumiu do nada?
Muitas perguntas e nenhuma resposta.
Suspirei e a segui sem preocupações alguma em me manter alguns passos dela, afinal, a mesma ainda estava catalogando tudo e todos com o olhar. Aquilo me preocupou, mas não podia fazer nada além de a vigiar de longe e de perto para não sair morrendo Deus e o mundo. Criança mimada dos infernos, parece até a Lorie quando quer fazer birra... Deus é mais!
- Drogo, o que faz com ela?
Minha atenção é roubada da loira em minha frente para a morena que chegou me chamando, vendo Camille e pela reação da loira, também a ouviu. Apenas espero que ela não a ataque de alguma forma. Parei de andar e a esperei, que parou em minha frente jogando os braços sobre meus ombros, abraçando meu pescoço e me deu um beijo e em uma fração de segundos, não sentia ou ouvia mais Sarah por perto, tentei a procurar, mas a morena não desgrudava e sempre levava meu rosto de volta ao dela.
- De quem é essa bolsa? Não vai me dizer que é da vadia?!
Suspiro com a fala dela, engolindo a minha raiva daquele momento para não estrangular a garota em minha frente. Mas no momento não era meu foco e sim a vampira que sumiu sem deixar rastros. Uma vampira loira e sem controle algum. Depois de meses.
Com toda a paciência do mundo que eu não tenho, tirei os braços dela de cima de mim e me afastei de um passo, a mantendo longe e no lugar dela, enquanto estava com a mochila da Sarah no ombro.
- Sim, é da Sarah e não a chame assim, está me ouvindo, Camille? E nós dois estamos indo embora.
Ela faz uma careta com minhas palavras, não aceitando bem eu defendendo a loira, mas pouco me importava. Camille para mim era uma foda aqui e ali, Sarah não. Sarah é diferente, um caso diferente.
- Idiota.
Com esse xingamento, Camille saiu de perto de mim com os olhos levemente úmidos e foi embora, afinal, ela ainda estava tendo o último período de aula. Nem deveria estar aqui. E então, fui atrás da Bittencourt que tinha fugido.
.⬪.
O que aconteceu comigo, por que a beijei do nada? Não faz sentido. E a cara que ela fez com o meu beijo, me deixou bem ciente de que nenhum dos dois estava esperando por aquilo e muito menos tinha esperado, mas que também, para nenhum dos dois, era aceitável aquilo. O que estava sentindo no momento? Não lembro de ter pensado ou sentido algo, era apenas a aula de inglês, estava prestando atenção na aula. Com a saída rápida dela da sala ao fim da aula, a chamei uma vez e outra para conversar sobre, mas ela não parou de andar. Então a deixei ir e fui para minha próxima aula.
As aulas passaram voando e eu perdido em pensamentos, nem mesmo toquei uma partitura na aula de música, por estar distraído demais, ou sequer prestei atenção no que Dorothy dizia. A mesma mulher que ficava encarando Sarah irritada toda vez que a loira chegava perto de mim. Uma loucura que só.
No início da última aula, senti aquela presença.. os poderes de Viktor e tanto eu quanto as bruxas, o lobo e o Drogo ficamos em alerta. Meus olhos passaram pela sala à procura de uma pessoa e quando não a encontrei ali, xinguei baixinho. Será que ele estava atrás dela? Qual seria o motivo de sua presença aqui? Ela estaria bem? Droga! Quando fui me levantar para ir atrás dela, a Osborne se levantou e saiu correndo, deixando a Lyrita para trás confusa. Morgana não sabe o que aconteceu antes a Sarah, mas a Osborne sabe, assim como sabe que o alvo dele é ela. Como sempre foi. Ela é a obsessão dele, ela é a sua bonequinha. Não tardou para Drogo se levantar também e sair correndo, deixando a morena mais irritada ainda por não estar recebendo atenção dele durante a aula do Jones.
Travei meu olhar com o professor, negando a sua pergunta, não sabendo onde ela estava ou sobre o motivo daquilo. A aula prosseguiu após uns minutos que Sara e Drogo saíram da sala de aula, e não demorou muito para Camille sair também como se não quisesse nada, logo após de Sara ter voltado. Ela falou que Drogo levaria a Bittencourt para casa por não estar bem e que ela pegaria a matéria para ela, o Jones afirmou e suspirou ao ver Camille sair apressada da sala, voltando uns minutos depois frustrada e irritada, chorosa.
Com o fim da aula, meu olfato e o de Jones sentiu algo que não deveria estar acontecendo ali no campus. Que desgraça tinha acontecido agora? Juntei minhas coisas e saí da sala junto dos outros, mas ao contrário deles, eu fui atrás do cheiro que senti. Passei empurrando os outros sem muita preocupação, pedindo licença e dizendo mais palavras que o costume. E quando finalmente estava na área dos vestiários, travei. O cheiro estava forte ali dentro, o que tinha acon... Meus olhos se arregalaram ao sentir o cheiro dela ali dentro também. Logo um som de algo se quebrando foi ouvido e assim eu entrei no vestiário masculino, tomando o cuidado de trancar a porta atrás de mim.
O que vi ali dentro, fez meu estômago revirar e me fazer apoiar na porta. Sangue para todos os lados, pedaços mutilados e espalhados. Drogo estava caído contra os armários, amassados e ali mantido, era como se estivesse sob as ordens de alguém.. sob as ordens dela.
— Sarah!?
Gritei por ela, apenas para sentir um calafrio ao ter suas garras arranhando minha mente, logo em seguida sua risada e sua voz "sim, querido? Deseja algo de mim?" Meu Deus.
— Poderia, por favor, parar com essa chacina e liberar o Drogo?
Não sentia nada, apenas ouvia o sangue gotejando no chão, com ela apenas se esbanjando e se deliciando. Fui para perto de Drogo, logo antes de ouvir sua voz de volta. "Drogo sim, a chacina não. Estou faminta." E assim, o loiro voltou a se mover, o segurei pelo braço e peguei meu celular, mandando uma mensagem para Nicolae.
— O que aconteceu a ela?
— Conseguiu a liberdade de se alimentar. Como? Não sei. Mas ela a conseguiu e agora está aí... Camille me interceptou e essa foi a brecha que ela achou para se afastar de mim. Precisamos fazer algo, antes que a polícia chegue.
Franzo o cenho ao ter aquelas palavras de meu irmão, não queria nem mesmo saber o que ela tinha barganhado em troca da permissão para se alimentar e por quanto tempo ela tinha aquilo permitido.
— E como não ouvimos os gritos?
— Ela cortou as cordas vocais de todos junto da audição, para não a ouvirem chegar e gritar. A loira é astuta e inteligente, não é igual a Samantha.
— Me compare a ela novamente e eu arranco fora o seu coração e o dou de comer para o Jones, Drogo.
— Caralho..
Falamos juntos com o susto que ela nos deu, olhamos para o lado e ela estava ali, de pé e toda suja de sangue. Da cabeça aos pés. Seus olhos vermelhos e suas presas a mostra, afiadas e bem indiscretas. Seus fios loiros estavam vermelhos rubros por conta do sangue que o sujou, assim como seu uniforme.
— Precisamos que você se limpe e vamos embora. O Jones também sentiu o cheiro de sangue, não fui o único. Não demorar para ele vir ver o que aconteceu.
Ela inclinou a cabeça para o lado com os olhos desfocados, como se estivesse falando, ou discutindo, com outra pessoa e rosnou, focando o seu olhar em mim. Senti suas garras em minha mente, fincando ali e me fazendo gritar pela dor. Me dobrar sobre mim mesmo e vomitar sangue.
— Quem você acha que é para mandar mensagem a Nicolae, Peter Bartholy?
Senti Drogo sobre mim, me ajudando a me erguer de volta e gritando com ela, para ela parar e, só quando ela estava satisfeita, que parou com a tortura. Se virou, pegou sua bolsa e foi para um dos chuveiros, onde se lavou e se trocou, logo saindo de lá. Ela passou reto por nós e saiu do vestiário.
— Se não quiserem ficar soterrados, é melhor saírem.
Nos olhamos sem entender nada e quando ouvimos o primeiro crack vindo do teto, nos movemos. Estávamos longe quando tudo desabou finalmente e a gritaria começou, o desespero. Para todos os efeitos, Drogo e Sarah já estavam longe do campus quando o aroma do sangue surgiu e como eu estava na sala com o professor Jones e as bruxas, não teria como a culpa cair em nós.
VOCÊ ESTÁ LENDO
A Puro-Sangue
FantasíaSarah Bittencourt é uma vampira Puro-Sangue, a última de sua espécie e por ser a única está sendo perseguida e ameaçada por um vampiro original que quer tomar seu poder. Sarah está morando em Mistery Spell, uma cidade no interior da França e está tr...
