Garotinha irritante, mimada e teimosa. Igualzinha a mãe dela, não estava esperando por aquela reação dela e a minha. Eu nunca tinha levantado a mão para nenhum dos meus filhos antes, nunca tinha feito nada a eles, além de uma pequena punição por quebrar algumas regras que não deveriam.. mas ultrapassei os limites com ela. Merda.
Bebo minha taça de sangue, enquanto observo a Cooper presa dentro da cela, acorrentada e sangrando, fraca, pálida. Ver o seu sofrimento estava sendo o único escape para me manter longe e seguir a ordem dela, se bem que, nem se eu quisesse, conseguiria chegar até ela naquele momento. Apenas se eu quebrasse aquela ordem, o que me custaria um tempo precioso. Então o que me restaria era outro caminho, para ela entender o que tinha feito de errado. Invadi sua mente, derrubando cada tijolo e armação feita por ela, lhe causando uma leve dor de cabeça para me manter longe dela.
"Bonequinha, realmente achou que conseguiria me manter fora de sua mente? Pobrezinha. Mas tem outra coisa. Uma punição por ter me expulsado de seu quarto e me feito ficar longe de ti."
Senti ela rosnar, se retesar as minhas palavras e a punição que já imaginava sobre o que era. Abri um sorriso frio por trás da taça de sangue que bebi em frente a cela de Mia e lhe dei a ordem. A punição.
"Chega de sangue para ti. Está proibida novamente, Sarah. Apenas o meu sangue será aceito pelo seu organismo e apenas uma vez por semana. Então tome bastante cuidado."
Senti o pavor e a raiva dela daqui, me deixando extasiado e luxurioso, querendo a punir pessoalmente, mas infelizmente não podendo por conta dela mesma, então me restava os poderes psíquicos e o controle que tenho sobre ela. Bonequinha de porcelana.
Me levantei da cadeira em que estava ao ouvir passos rápidos pela porta subindo as escadas e depois barulhos de coisas sendo quebradas. Uma risadinha baixa me escapou, que bom que ela se sinta dessa forma, assim aprende. Saí do porão e fui para o meu quarto, ignorando as súplicas dela em minha mente e as de Nicolae questionando sobre o que tinha acontecido a ela. Retirei minha camisa e me sentei em minha cama, pegando um livro para ler e me perdi nele, bloqueando a vontade de Sarah para me perturbar.
.⬪.
Ouvi bater na porta um tempo depois, como se quisessem derrubar, me fazendo rosnar irritado por terem perturbado meu sono. Caminho até a porta descalço mesmo e sem a camisa, abrindo em seguida, onde vi Lorie toda desesperada e chorando. Franzi o cenho a olhando, sem entender nada, quando ouviu burburinhos vindo do corredor.
— O que aconteceu?
Ela engoliu em seco o seu medo e o choro, um pouco, para conseguir falar sem problemas e rodeios.
— A Sarah... ela destruiu o quarto dela e.. e se feriu no processo... Ela não quer se curar... Não permite que sua regeneração o faça.. ela tá negando e barrando esse poder dela...
Fiz uma careta ao ouvir o que a loirinha dizia sobre sua babá e amaldiçoei Sarah por conta disso, por culpa dela própria, não poderia chegar perto dela ou do quarto. Passar por ele, okay, mas entrar não. Mas que merda!
— Garota pirracenta. Em uma dessas pirraças sua, você ainda se mata.
Lorie arregalou os olhos e eu passei por ela, sem dar detalhe nenhum do que aquilo queria dizer e vou em direção ao seu quarto, enquanto desfaço a artimanha e arapuca de sua ordem em minha mente, me livrando dela de passo em passo, causando dor de cabeça em mim e me fazendo trincar os dentes com força. Estava enxergando vermelho quando enfim parei em frente ao seu quarto e a olhei em sua cama, sentada e com ferimentos de cortes por todo o corpo, com Nicolae ao lado tentando a convencer a se curar, mas que era rechaçado com sucesso cada palavra dele.
— Agora já chega, Sarah Bittencourt Bartholy! Passou de todos os limites agora!
Ela se assusta com minha presença e pelo seu nome inteiro ser dito, algo que apenas nós dois tínhamos conhecimento, fazendo com que o mais velho dos meus filhos me olhasse confuso, mas logo desviou o olhar de volta a ela. O olhar assustado dela mudou após alguns segundos, se tornando violentos e ferozes, assassinos enquanto que mudavam do verde para o vermelho e mostrava as presas sibilando em ódio ao perceber que eu tinha desfeito a sua ordem.
— Seu bastardo, como você conseguiu?!
— Olha a boca, menina! Ainda sou seu pai, você aceitando ou não!
— Você não é o meu pai!
Ela gritou em puro ódio, mas sabia que no fundo, eu sou sim seu pai. E que o papai querido que ela tanto lembra, é o marido da mãe dela, que arrumou depois de ter fugido de mim quando soube da gravidez.
— Pense o que quiser, mas a realidade não irá mudar. Agora, pare de ser tão pirracenta e se cure logo. Não quero saber se é por conta da punição ou pira birra, você irá se curar por bem ou por mal. Se cure agora, anda!
Ela gritou em frustração e lançou pedaços das mobílias de madeira do seu quarto em minha direção, visando me acertar e me tirar da jogada por um tempo. Mas para o azar dela, não sou um vampiro inexperiente, então, aqueles pedaços logo estão no solo, uma mera poeira agora. Caminhei em sua direção, que lutava contra a minha ordem de se curar, causando sangramento nasal e dores de cabeça nela. Nicolae tentou a ajudar, mas o proibi de se aproximar dela agora.
— Tire Lorie daqui e a mantenha longe desse quarto, Nicolae. E avise os outros para não chegarem perto também.
— Certo.. Vem, vamos Lorie. Vamos ver se tem bolo lá embaixo ainda.
— Ela vai ficar bem?
— Vai sim, não se preocupe. Agora vamos, pequena.
Ela deve ter respondido com um aceno, pois não ouvi resposta e não a olhei também, já que estou com os olhos fixos em Sarah que de pouco em pouco começava a se curar, a contragosto dela. A loira chorava pela dor que sentia, tanto mental quanto física.
— Basta parar de lutar, que não sentirá nenhuma dor e você sabe disso.
— Sai.. sai daqui...
Ela agarrou os próprios cabelos e os puxou, gritando e gritando, em ódio, dor, tristeza, frustração e muitas outras emoções que não estou com vontade de catalogar.
— Está proibida de sair de seu quarto até segunda ordem minha, e também de destruir qualquer mobília ou parte desse quarto. Estamos entendidos?
Me xingando mentalmente, ela afirmou com a cabeça e se deitou de volta, enquanto eu dou meia volta e saio de seu quarto, a trancando ali dentro de volta, colocando uma barreira para impedir qualquer um de entrar ou sair. A impossibilitando sair caso tente quebrar a minha ordem, igual eu fiz.
Desci para o hall e de lá fui para a biblioteca, precisava desestressar e ficar longe da Cooper e da Bartholy, mas mesmo assim, perto o suficiente para saber o que elas duas faziam.
VOCÊ ESTÁ LENDO
A Puro-Sangue
FantasíaSarah Bittencourt é uma vampira Puro-Sangue, a última de sua espécie e por ser a única está sendo perseguida e ameaçada por um vampiro original que quer tomar seu poder. Sarah está morando em Mistery Spell, uma cidade no interior da França e está tr...
