Após toda a adrenalina passar e as consequências de ter usado os poderes no estado em que estava, veio a dor dos infernos. O veneno que vagava em cada veia e artéria de meu corpo, me fazendo gritar, suar e me debater. Uma dor excruciante e mortal, que me faz querer arrancar os meus cabelos e a minha própria pele com minhas próprias unhas, o que me é impossibilitado, por estar com as mãos presas na lateral da cama.
Meu Deus, por favor, faça parar!
Tem momentos em que perco a consciência pela dor absurda e quando acordo, ainda está ali, mas mais fraca por conta do sangue dele que recebo. Uma mísera gota que é suficiente apenas para me fazer acordar e acelerar um pouco minha regeneração para assim não morrer por falta de sangue e pelo veneno. Sei que estou em minha cama, quer dizer na dele, pois vejo a decoração do quarto e o cheiro dele mesclado com o do meu sangue espalhado pelo local e pela cama, assim como sei que ninguém tem a permissão para entrar aqui a não ser ele.
Quando acordo novamente, sentindo a mente e o corpo em pedaços, vendo tudo embaçado e me sentindo exausta e faminta, estou vendo tudo vermelho e quem vejo em minha frente todo distorcido é alguém que não deveria estar entre os vivos. Alguém que nao deveria estar ali. Alguém que fez muita falta a mim. Ele se senta na cama ao meu lado e me toca o rosto, secando as lágrimas que nem mesmo sabia que estavam escorrendo e logo um soluço me escapa e o choro vem desenfreado.
— Shh, está tudo bem, minha pequena. Você ficará bem logo. Tudo passará, minha menina linda. Descansa agora, que o papai vai ficar aqui te vigiando.
Entre choro e soluços, a mente em frangalhos e envenenada por um licantropo, faço exatamente o que meu pai diz, fecho os olhos de volta e volto a dormir, para assim não sentir mais aquela dor dos infernos.
Ao acordar novamente, meu corpo está pesado mas sinto o gosto de sague em minha boca, minhas mãos estão soltas da cama e minha visão ainda se encontra levemente vermelha, mas aquela dor dos infernos está mínima. Não vejo meu pai, o que apenas me diz que eu tinha delirado e o invocado. Lágrimas escorrem pelo meu rosto mais uma vez, pelo menos tinha o visto e isso já estava bem, pois não me lembrava do rosto de minha mãe e dele, o ver ali, fez reavivar essa lembrança sobre ele... Uma mão foi posta sobre meu rosto e assim que olhei para o dono dela, vi Viktor.. ele secava as lágrimas que desciam sem parar e deu um beijo em minha testa.
— Descanse, quando acordar de volta, vai estar totalmente bem, pequena. Estarei aqui para ti quando acordar e se não estiver, basta me chamar.
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Vê-la chorar durante a última hora daquela forma foi devastador, ainda mais por ouvir os pedidos de Lorie do lado de fora do quarto para poder entrar e a ver, mas não a deixaria entrar, nem mesmo se ela implorasse. Já estava sendo difícil a manter minimamente em sua consciência, com a loira ali junto, seria pior e mais complicado, já que ela tinha aquele poder de aumentar as emoções de terceiros.
O quarto está uma bagunça, objetos quebrados, roupas rasgadas, plumas espalhadas por ai e objetos caídos no chão, tudo isso sendo alvo dos poderes dela, que só não destruiu as portas, janelas e a cama, porque a impedi, mas de resto, foi tudo destruído. Essa garota é um poço de poderes e força, mesmo estando nesse estado debilitado dela. Agora está dormindo tranquilamente, então resolvo ir tomar um banho e me trocar, ela está limpa já e veste um vestido leve e fácil de se pôr, os fios loiros estão soltos e úmidos sobre o travesseiro.
Quando estou terminando meu banho, ouço a voz de Nikolai em minha mente, "Como ela está?" , suspiro e a olho dormindo pacificamente sobre a cama, alheia a toda a destruição que está ao seu redor. "Está dormindo e está melhor, já não está mais sofrendo pelo veneno. Seu organismo já o retirou de seu sistema. Me arrume sangue O- e me traga aqui." Tive uma resposta após alguns minutos de aprovação e então fui me vestir, ao terminar, voltei para a poltrona onde estava sentado antes e fiquei a observando por um bom tempo.
Desperto ao ouvir baterem na porta, não sei quanto tempo passou e nem o momento em que adormeci. Me levantei da poltrona, dei um olhar em Sarah que ainda dormia tranquilamente e fui atender a porta, Nikolai. Ele está com um copo térmico preto na mão e o cheiro que vem dele, já diz o que é.
— Encontrou?
— Sim, a gente manteve alguns em casa por conta dela, por ser o favorito dela e antes da sua proibição de tomar qualquer tipo de sangue, sem ser o seu.
Saber aquilo me irritou, mas ao mesmo tempo me deixou aliviado, pois eles tinham pensado em uma solução viável para ela não ficar fraca. Afirmei e peguei o copo de sua mão, olhei por cima de seu ombro, vendo Lorie e Drogo ao fundo, a menor com os olhos injetados de preocupação e choro e o mais velho de raiva e preocupação. Voltei para dentro, fechando a porta e fui para a cama, onde a acordei. Já chega de dormir, ela teria de se recuperar antes de amanhã.
"Ah, garota esperta. Você o provocou para retirar seu sangue contaminado e o meu de seu sistema. Uma pena para ti que eu não te deixaria sem meu sangue. Mas muito esperta mesmo."
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Meus olhos se abriram aos poucos, a claridade machucando eles, mas as garras dele em minha mente, me forçando a acordar, me fez resmungar em desgosto. Estava tendo um sono tão bom, poxa. E o que era aquele sorrisinho em seu rosto? O que tinha acontecido? Sinto um cheiro diferente no ar.. sangue. Meus olhos vão direto para sua mão e quando piscou, estou em sua frente de pé, apenas para ser pega pelos seus braços, antes de cair no chão, pelo menos estava com o copo em mão. Ele riu baixinho, mas eu não dei a mínima, minha preocupação agora era beber este sangue todo, o que não demorou mais do que quatro minutos por culpa do canudo.
Respirei fundo e por fim resolvi olhar para os lados, não entendia como tinha conseguido tomar aquele sangue sem problemas, mesmo não sendo o sangue dele... Será que tinha conseguido? Não, não seria tão fácil assim. Deveria quase morrer para de livrar de todo o sangue de seu corpo, ficar com o mínimo possível de seu sangue entre o meu e me alimentar de outro e não foi bem isso que aconteceu.. já que para sobreviver a isso, tive de me alimentar.
— O que aconteceu aqui? – questiono baixinho vendo o quarto todo destruído, tirando as portas, a cama e as janelas. Senti os braços dele me apertarem e depois me retirar do chão e me levar ao banheiro. — Por que está tudo destruído?
— Você o destruiu durante seu surto pelo veneno. Consegui manter a cama, onde você estava e as portas e janelas intactas, assim como a poltrona em que eu estava. – ele me apoiou sentada sobre a bancada da pia e me fez o olhar nos olhos. — Mas não me importo com o quarto, podemos o reformar. Já estava cansado daquela decoração também.
— Ah...
Sussurrei em resposta, sem saber o que mais dizer e desvio o olhar para a banheira, pensando sobre ele tomar banho ali e depois ficar sentado naquela poltrona me vigiando... Balanço a cabeça fazendo uma careta, não querendo imaginar aquela cena e me solto de sua mão.
— O que fazemos aqui?
— Você irá tomar um banho agora e depois vamos conversar sobre sua saída às escondidas que deu muito mal.
Suspirei as suas palavras e quando ele voltou a me segurar pelo queixo, me ergui da bancada e fui para a banheira, me olhando por fim. "Saia então" ele riu e saiu do banheiro, fechando a porta atrás de si e eu fui tomar meu banho. Não sabia quem tinha me trocado, mas esperava do fundo do coração que não fosse ele.
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A Puro-Sangue
FantasiSarah Bittencourt é uma vampira Puro-Sangue, a última de sua espécie e por ser a única está sendo perseguida e ameaçada por um vampiro original que quer tomar seu poder. Sarah está morando em Mistery Spell, uma cidade no interior da França e está tr...
