capítulo 12

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- Pare de me provocar - ralhou Dulce, sem con­ter o riso. - Bem, a ligação familiar entre Daniel e Anna MacGregor e meus pais é mesmo complicada, então para que me esforçar em simplificar? Minha tia Shelby se casou com o filho deles, Alan Mac­Gregor, você já deve ter ouvido falar nele, da época em que morava na Casa Branca.

- O nome não me parece estranho.

- E minha mãe, que antes tinha o sobrenome Grandeau, é prima dos irmãos Justin e Diana Bla­de, que se casaram, respectivamente, com outros dois netos de Daniel e Anna MacGregor, Serena e Caine MacGregor. Por isso, Daniel e Anna são considerados como meus avós, entendeu?

- Acho que sim, mas já esqueci o motivo que nos levou a falar sobre isso.

- Oh, eu também. - Dulce começou a rir, tendo de se apoiar nele para não perder o equilíbrio. - Acho que tomei vinho demais. Deixe-me ver... Sim, já lembrei. Casamenteiros. Estávamos falando de pessoas casamenteiras,-o que meu avô, que por acaso é Daniel MacGregor, mostra ser em todos os sentidos. Quando o assunto é arranjar casa­mentos, é ele quem dita as regras. O homem é uma verdadeira raposa, Uckermann. Você nem ima­gina... - Dulce parou um instante e começou a contar nos dedos. - Hum... Até agora, acho que sete dos meus primos se casaram com pretenden­tes arranjados por ele.

- O que você quer dizer com "arranjados"?

- Não me pergunte como, mas ele meio que escolhe a pessoa certa para os netos e depois dá um jeito de uni-los de alguma maneira, deixando a natureza seguir seu curso. Então, antes que você se dê conta, já está a caminho do altar. No último telefonema, ele me contou que meu primo, lan, e a esposa dele, que se casaram no último outono, já estão esperando o primeiro filho. Meu avô está nas nuvens.

- E alguém já mandou ele parar de se meter na vida dos netos?

- Ah, constantemente - respondeu Dulce, lem­brando-se das reprimendas da avó.

- Mas ele não dá atenção. Tenho a impressão de que a pró­xima "vítima" será Adria ou Mel, enquanto ele ainda estiver disposto a dar algum tempo de paz a meu irmão, Matthew.

- E quanto a você?

- Ah, sou esperta demais para ele. Conheço todos seus truques e não pretendo me apaixonar tão cedo. E você, já esteve lá?

- Lá onde?

- Na terra dos apaixonados, Uckermann. Não seja tão lento.

- Ora, não é um lugar, é uma situação. E não, acho que realmente não estive lá.

- Mas acabará indo - falou Dulce, com ar so­nhador. - Eventualmente... - Ela ia dizer mais alguma coisa, mas parou de repente.

- Essa não! Aquele é o carro de Johnny. Pelo visto, ele acabou vindo mesmo de Nova Jersey. Droga, droga, droga! Muito bem, lá vamos nós novamente com o plano. - Dizendo isso, virou-se para Christopher, mas teve de se apoiar nele ao sentir uma onda de tontura. - Eu não deveria ter tomado aquela última taça de vinho, mas acho que ainda sou dona do meu destino.

- Pode apostar que sim, menina.

Dulce fez uma careta de desagrado.

- O suficiente para saber que o fato de você me chamar de "menina" demonstra que está sendo ar­rogante e querendo parecer superior a mim, mas isso não vem ao caso. Teremos apenas de andar mais um pouco de mãos dadas, até passarmos pela janela da casa dela. Com muita naturalidade, está bem?

- Não vai ser fácil, mas verei o que posso fazer.

- Adoro essa sua veia sarcástica. Muito bem, estamos prontos e preparados. Agora vamos fi­car só mais um pouco aqui porque ela está olhando - acrescentou Dulce, arriscando um -olhar na direção da janela da casa da sra. Wo­linsky. - A qualquer momento a cortina vai se fechar. Tenho certeza.

Um Vizinho PerfeitoOnde histórias criam vida. Descubra agora