CAPÍTULO 93

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•• VOCÊ ••
Eu sai daquele hospital sem rumo. Ja havia aceitado a gravidez, uma criança dentro de mim, uma criança que nasceria nove meses depois e que viria para alegrar aquela casa que é cheia de problemas. Mas de repente tudo acabou. Imaginar o rostinho dele ou dela, imaginar nomes, sentir crescer dentro de mim, acabou. Acabou tudo. Não consegui pensar em nada na hora, não queria voltar pra casa pra não ficar lembrando. Único lugar que lembrei foi aqui. Sei que não é o melhor lugar do mundo, mas iria me distrair, fazer eu esquecer um pouco e talvez ate me ajudar a acreditar que tudo isso aconteceu. Eu bebi, bebi pra esquecer, mas isso não quer dizer que eu não sei o que estou fazendo. Eu sei o que estou fazendo, não estou bêbada.
Sai do palco porque Caio pediu, pensando agora eu não deveria nem ter subido, mas na hora eu só queria esquecer de tudo.
Ouvindo ele falar tudo aquilo me bate um negócio. Eu não quero perder ele, mas eu só queria esquecer o que aconteceu, ficar no meu canto.
— e aí? -pergunta novamente, encostado na porta me encarando.
Respiro fundo e limpo as lágrimas que escorriam em meu rosto.
— fica pra sempre? -olho a ele.
Ele me estende a mão, sem se mover. Me levanto e a seguro.
— venha, vamos antes que ele volte.
Pego minha bolsa que estava ao lado e saio acompanhando ele. Rápido.
— eles ali, não deixa eles saírem! -escuto Fabrício vindo.
— corre! -Caio segura em minha mão e vai puxando.
Corremos até o carro, entramos e saímos.
— você pode me explicar o que aconteceu? -pergunta enquanto nos afastavamos de Tatuapé.
— desculpa, tá? -olho a ele- Eu sei que eu devia ter te ligado, mas eu saí tão ruim daquele hospital que na hora eu nem pensei em nada. Só queria um lugar que me fizesse esquecer de tudo e o Pecing foi o único lugar que pensei.
— você não confia em mim, né?
— eu saí tão atordoada daquele lugar que eu nem sei o que fiz.
— eu faço de tudo pra você confiar em mim e...
— e eu confio! Só que você tem que entender que sempre fui eu por mim mesma, não é comum acontecer alguma coisa e eu ligar pra alguém. Sem contar que você estava em uma reunião importante, eu não ia te ligar e atrapalhar.
— você não atrapalha! Mas da próxima vez ligue pra alguém. Junior me ligou preocupado porque não conseguia falar com você, eu também não consegui. Cadê seu celular?
— tinha me esquecido do Junior.
— é, mas ele não esqueceu de você. Acho melhor ligar pra ele e falar que está bem, já vou te levar pra casa.
— não. -olho a ele- Não me leva pra casa. Não quero ir pra lá.
— por que? -me olha.
— vai me fazer lembrar de coisas que não quero. -abaixo a cabeça- Me leva pra qualquer lugar, menos lá.
— amanhã vamos em um médico, tá? Para ver porque isso aconteceu. -para o carro- Mas agora você vai precisar se acalmar, isso não vai fazer bem pra você.
Sorrio.
— posso te levar pra minha casa? Não tem ninguém lá e se tiver já estão pra sair.
Afirmo com a cabeça.
— eu fiquei preocupado, -olha em meus olhos- não faz mais isso.
Sorrio de canto. Ele liga o carro novamente e segue em direção a sua casa.

Maquiagem Borrada - Caio CesarHistórias para pegar e não largar. Descubra agora