3. Amizade Improvável

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II

Arrastaram-na até o banheiro masculino e Jenna abriu a porta, havia um grupo de três garotos mais velhos dividindo um cigarro. Quando Jenna saiu da frente para que as garotas a arrastassem para dentro, eles pararam e arregalaram os olhos, surpresos. Jenna foi a primeira a falar, uma vez que todos estavam dentro.

- Aí está, Jason, sua garota. - Havia amargura em sua voz.

Alyssa mal notara, assustada demais com o que poderia acontecer.

- Mas que merda Jen, O QUE INFERNO VOCÊ FEZ? - Jason parecia verdadeiramente em choque.

Jenna adquiriu uma falsa expressão de reflexão enquanto batia a unha pintada no queixo.

- Hmm, até onde eu sei, você estava afim da vadia "mais bonita da ala feminina". - Jenna falou, fazendo o sinal de aspas.

Alyssa amaldiçoou mentalmente. Ciúmes? Jenna malditamente a espancou e a estava humilhando na frente de várias pessoas por causa de ciúmes? Sequer havia falado com Jason mais que um par de vezes!

Fúria a golpeou, mas manteve-se inteligentemente quieta, não tivera a menor chance contra quatro garotas, teria menos ainda contra um grupo de sete, todos maiores e mais velhos que ela.

Jason ofegou e pareceu lívido antes de dar um passo ameaçador contra Jenna, fazendo-a arregalar os olhos.

- EU NÃO ACABEI COM VOCÊ PORQUE ACHO ALYSSA BONITA, SUA IMBECIL. Acabei com você porque você é um chute no saco de sufocante. - Jason olhou para Alyssa e amenizou sua expressão, antes de voltar a fitar Jenna. - Porra Jen, o que você fez com ela? Você é louca? Ela... Ela me-menstruou? - Jason olhou para as coxas nuas de Alyssa antes de dar dois outros passos ameaçadores na direção de Jenna. - SAIA!

- Mas...

- SAIA ANTES QUE EU CHUTE SUA MALDITA BUNDA POR TODO O ORFANATO ATÉ O INFERNO!

Jenna e as garotas correram para fora do banheiro, na pressa, atropelando-se e tropeçando umas nas outras até deixarem Alyssa sozinha com os três garotos.

Alyssa tremeu, tentando cobrir com mais afinco os pequenos seios que mal começaram a desenvolver.

Jason a olhou e praguejou em voz alta, como se simplesmente não soubesse o que fazer. Alyssa olhou para seus dois amigos, recuando um passo. Nenhum deles parecia querer chegar perto dela, ela agradeceu o sangue entre suas coxas, pensando que poderia ser o motivo de eles não parecerem querer toca-la, se todos os machucados em seu corpo não fossem o suficiente para mantê-los longe.

De repente, Jason retirou o casaco e o estendeu para ela, com uma tentativa de sorriso tranquilizador.

- Não precisa ficar com medo da gente, Alyssa. Eu tô realmente muito puto e chocado com o que a Jen te fez.

Alyssa hesitou apenas um momento antes de aceitar o casaco, os três caras se viraram para que ela pudesse se cobrir, o que a fez finalmente relaxar um pouco. Se eles quisessem fazer alguma coisa com ela, não seriam gentis, seriam?

Depois que ela se cobriu, Jason pediu para seus amigos pegarem um absorvente e roupas limpas, com a namorada de Max - que era o cara de cabelo loiro curto -.

Enquanto estavam sozinhos, Jason a tranquilizou completamente e conversou com ela enquanto ajudava a limpar os cortes em seu rosto.

Max e Daniel - o cara de cabelo encaracolado -, voltaram depois de alguns minutos. Entregaram tudo para Jason, que por sua vez, ensinou Alyssa a usar o absorvente.

Ela estava malditamente envergonhada, descobrira que menstruou pela primeira vez da pior forma possível e ainda por cima, um garoto que ela mal conhecia, era quem estava lhe ensinando a usar um absorvente.

Os amigos dele tiraram sarro pelo fato de ele saber aquela informação. Jason deu de ombros enquanto Alyssa entrava na cabine do banheiro, com as roupas da namorada de Max e o absorvente.

- Eu tenho uma irmã mais velha. Miriam me pediu várias vezes para correr para a farmácia para comprar absorventes. Acabei aprendendo como escolher essas coisas por causa dela que me fez ler as embalagens para pegar o certo. Infelizmente esse tipo de informação nojenta não se apaga da cabeça.

Os caras riram e ela teria rido também se não estivesse com dor e envergonhada, limpou o sangue o melhor que pôde com o papel higiênico.

Alguns minutos depois, saiu da cabine e Jason conversou com ela sobre o que ela deveria fazer, já que não tinha uma maldita maneira de esconder o que foi feito a ela. De modo que quando saiu do banheiro, Alyssa foi direto para a sala de descanso, procurar um cuidador para leva-la ao hospital, já que Jason duvidava que a enfermaria do orfanato seria o suficiente para trata-la.

Jason explicou que Alyssa poderia dedurar Jenna e as garotas, disse que elas haviam ido longe demais com aquela merda toda e garantiu que ninguém a veria como dedo duro.

Ele e os caras iriam espalhar boatos de que Jenna havia ficado meio histérica depois de completar dezesseis e saber que ninguém mais a adotaria e descontou em Alyssa porque havia sido adotada. O que não era totalmente mentira.

A grande maioria deles sabia que Jenna jamais seria adotada com o histórico dela. Tendia a ser violenta e transformava qualquer confusão em um evento. Alyssa sempre se perguntou por que um cara que parecia ser tão legal como o Jason, havia começado a namorar com ela.

Alyssa teve que fazer vários exames e testemunhar para a polícia a agressão, Jenna e suas amigas foram para o reformatório depois disso.

Alyssa se tornou amiga de Jason, Max e Daniel, e eles a tornaram intocável no orfanato e na escola. Ensinaram-na a lutar e ela os fez parar de fumar, embora casualmente se encontrassem no banheiro masculino para jogar cartas ou conversar sobre as coisas.

Dois anos depois, os três saíram do orfanato por serem maiores de idade, isso foi uma grande perda para Alyssa, mesmo que eles tivessem prometido visita-la e acolhê-la quando ela própria saísse.

Quando Alyssa completou dezoito anos, Max e Jason haviam mudado de cidade, eles a ajudaram, dando dinheiro, procurando um lugar para morar e apresentando-a para pessoas que poderiam lhe dar um emprego.

Alguns anos depois, Alyssa decidiu mudar de cidade, atualmente Jason morava do outro lado da cidade em que ela residia. Ele havia se tornado bombeiro. Max havia se tornado barman em uma casa noturna e Daniel tinha uma banca de hq's, livros e mangás.

Embora não se vissem com a frequência que gostaria, Alyssa prometeu jamais esquecer tudo o que aprendeu com eles.

Foi com eles que aprendeu que as vezes, a melhor coisa que você pode fazer, é ajudar alguém, simplesmente porque você pode fazer isso.

Alyssa rolou na cama, ainda sem conseguir dormir, esperava que não tivesse cometido um erro sobre o cara na sala, Ethan.

Se perguntasse a alguém, com certeza lhe diriam que não foi sua atitude mais inteligente colocar um estranho dentro de casa, mas ela apenas viu no cara a mesma gentileza que viu em Jason, Max e Daniel. Decidiu ligar para eles no dia seguinte, a caminho para a delegacia, eles a ajudariam a decidir o que fazer.

Isso é, se ele não simplesmente roubar minha casa e eu acordar para descobrir que fiquei sem móveis. Alyssa apurou os ouvidos, mas não identificou nenhum som no apartamento.

Ele dormiu? Ou se mandou? Será que eu deveria verificar?

Moveu-se na cama e olhou para o teto.

Tudo vai depender de como vou encontrar meu apartamento amanhã.

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Onde as lágrimas repousam [Concluído]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora