II
— Por que você quis fazer isso?
Ana deu de ombros novamente.
— Quando se nasce rico em uma família rica, as relações são puramente de interesse, não tive amigos, tive coleguismos com filhos de pessoas que queriam estreitar relações comerciais. Além disso, você faz ideia da quantidade de gente escrota nesse meio? — Perguntou ela estacionando na esquina de uma pizzaria.
— Posso imaginar. — Ethan murmurou, lembrando-se do golpe que levou de seus amigos, tudo em nome do dinheiro.
Ana esticou o braço para trás de seu banco e tateou até puxar um par de galochas roxas com flores brancas. Ethan a encarou. Depois que calçou as galochas, Ana puxou um pesado sobretudo e abriu a porta do carro.
Ethan a seguiu, como havia esquecido seu sobretudo na festa, ergueu a lapela do paletó quando desceu do carro, para tentar evitar o vento congelante, acompanhou Ana para dentro da pizzaria, que naquele horário estava vazia. O atendente — um adolescente magricelo visivelmente sonolento — arregalou os olhos quando Ana se dirigiu a ele com um sorriso sedutor.
— Uma pizza grande, metade bacon, lombo e queijo cheddar e metade vegetariana, por favor. — Pediu ela. — Ah! E dois refrigerantes.
O adolescente atrapalhou-se para registrar o pedido, Ana esperou pacientemente, ao dizer o valor, Ana lhe entregou uma nota de cem.
— Pode ficar com o troco. — Piscou.
O atendente ficou vermelho e abriu um sorriso de orelha a orelha, evidenciando seu aparelho dentário com borrachas verde neon. Ana andou até uma mesa com assentos acolchoados, as galochas fazendo barulho de borracha no piso.
Ana parecia uma louca adorável, com as galochas roxas que subiam até o meio de suas pernas, o vestido chique e dourado amarrado na altura dos joelhos e um pesado casaco verde escuro cobrindo seus ombros.
Ethan sentou-se diante dela, notando que a maquiagem preta em volta de seus olhos os deixavam mais brilhantes.
— Por que você não levou Alyssa ao evento? — Perguntou repentinamente.
— Você deve se lembrar do que falei no carro sobre minha situação atual. O fato é que não quero envolver Alyssa no meio disso tudo, quando a merda bater no ventilador.
Ana o analisou criticamente.
— Entendo. — Respondeu devagar.
A pizza — a enorme pizza — chegou, fumaça ainda saindo dela. Ouviu o estômago de Ana roncando, ela o olhou na defensiva.
— O que foi? Eu odeio aquela comida ridiculamente elaborada de eventos, eu mal consigo lembrar o nome inteiro de um petisco, tenha dó!
Ethan riu.
— Eu estava me perguntando por que você pediu meia pizza pingando carne gordurosa e meia vegetariana.
— Quando o bacon e cheddar ficam enjoativos demais eu parto pra o palmito, brócolis e manjericão. — Explicou de forma muito simples.
Ana pegou uma fatia com as mãos, mudando os dedos de apoio para não queimar a pele, e mordeu, fechando os olhos de prazer.
— Meu deus eu amo esse lugar.
— Você vem aqui com frequência? — Perguntou Ethan surpreso.
Pegava uma fatia para si, da mesma forma que Ana.
— Bem, a Ana vinha. — Ela riu dando uma golada no refrigerante.
Passaram algum tempo comendo em silêncio, quando Ethan lembrou-se de outra coisa que queria perguntar para Ana.
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Onde as lágrimas repousam [Concluído]
RomanceOs caminhos de Alyssa e Ethan se cruzaram de maneira inesperada. Embora tenham vidas totalmente distintas, possuem algo em comum: traumas que não superaram. Desde que era apenas uma garotinha assustada e tornou-se órfã de forma violenta, Alyssa car...
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