2. Gauthier Company

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I

Carma, só poderia ser carma, pensou o Sr. Gauthier enquanto olhava seu relógio pela quinta vez nos últimos trinta segundos. Sempre tinha que começar um engarrafamento justamente no dia em que havia uma reunião importante.

Sr. Gauthier, era o CEO da empresa que recebeu seu sobrenome, embora ele não quisesse esse egocentrismo, os outros seis acionistas majoritários — seus amigos — insistiram, argumentando que a ideia da empresa surgiu dele e que era ele quem estava na linha de frente, brigando por espaço e investidores no mercado.

A ideia surgiu de um jantar com seus amigos. Como de costume, reuniram-se na casa de um deles para beber um pouco, jogar cartas e falar sobre a vida, dois deles estavam desempregados, dois faziam bicos e os outros se mantinham de forma razoável ele mesmo era um dos que lutava para manter o emprego em uma empresa que ameaçava realizar cortes constantemente.

Todos eles estavam meio bêbados e meio deprimidos depois de a conversa entrar no âmbito financeiro, até que a ideia simplesmente lhe veio à mente enquanto Jhonson e Colin reclamavam das dificuldades em realizar entregas – ambos trabalhavam como office-boy no centro empresarial da cidade e, segundo eles, o esforço físico era enorme e as atribuições diversas. Então, como um estalo, um pensamento surgiu: E se criássemos uma prestadora de serviços, unificando e coordenando aquele ramo? Não seria muito complicado para aquele grupo multiprofissional criar uma empresa e, com os relatos dos amigos, Sr. Gauthier sabia que o mercado tinha carência, principalmente no que se dizia respeito à capacitação de pessoal e preservação de direitos.

Levou sete anos para a ideia sair do papel e se concretizar. Quando ele completou trinta anos, sua empresa prestava serviços em várias cidades, até mesmo para multinacionais, tendo aberto algumas filiais por volta do quinto ano. A empresa havia até ganhado destaque em várias revistas de negócios.

Tudo ia perfeitamente bem.

O Sr. Gauthier chegou atrasado na reunião, se desculpou e se sentou na ponta da mesa, se tudo desse certo, eles poderiam abrir uma filial fora do país e a perspectiva o animava muitíssimo. A sala estava escura para destacar as apresentações das propostas, de forma que ele não pôde ver quem estava presente na reunião.

Como ele e os amigos possuíam formações diferentes, cada um deles tomava conta de um setor específico e, com o auxílio um do outro, as coisas funcionavam. A maioria havia se casado e já possuía filhos, dos quais ele se considerava tio ou era padrinho. A amizade entre eles se manteve com o passar dos anos e ele sabia que poderia confiar cegamente neles.

— Pois bem, com a chegada do Sr. Gauthier, podemos dar início a essa reunião.

Ele franziu o cenho quando as luzes acenderam e, a partir daquele momento, ele pressentiu que tudo daria errado. O que, inferno, está acontecendo? perguntou-se atônito. No outro extremo da mesa, seus seis amigos e também acionistas majoritários, assim como ele, estavam reunidos, juntos com outros acionistas menores.

— O que está acontecendo? — Perguntou.

A maioria de seus amigos não olhava em sua direção, porém Hendrik, sentado na ponta da mesa, não tirou os olhos dele o tempo inteiro. Tão logo começou, o Sr. Gauthier percebeu o que estava havendo, seus próprios amigos lhe estavam derrubando da empresa que ele teve a ideia de fundar.

A reunião não durou muito para falar a verdade e o Sr. Gauthier sabia porque estava sendo traído, só não fazia ideia de que todos eles estavam juntos nessa.

Semanas atrás, enquanto olhava a folha de contabilidade da empresa, ele havia percebido uma leve discrepância nos números. Hendrik era o contador, por isso o Sr. Gauthier foi conversar com ele, ingenuamente, pensando ter sido um erro do amigo, porém Hendrik não reagiu bem, apesar de dizer que iria corrigir o erro.

Onde as lágrimas repousam [Concluído]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora