7. Novo Inquilino

157 70 193
                                        

I

- Não, porra! - Grunhiu Alyssa.

Ethan permaneceu inalterado com os braços cruzados diante do corpo e o queixo erguido, em uma clara demonstração de teimosia.

- Sim. - Anuiu simplesmente.

- Arrrrggggghhh - Alyssa jogou as mãos para o alto, frustrada.

Toda a discussão havia começado quando Ethan bateu em sua porta até que ela saísse da cama, o que por si só deixou-a irritada. Embora ele tivesse feito com a boa intenção de impedir que se atrasasse para o trabalho.

Alyssa ignorou o fato de que Ethan sabia qual horário ela deveria acordar, supondo que ele sabia a hora que o Du Mond abria pelo fato de ter dormido algumas vezes na rua, ao lado do café.

O caso era que Alyssa não era acordada por alguém desde que saíra do orfanato, o que foi uma das muitas coisas que ela adorou em se tornar independente.

Mas a discussão começou após o café da manhã, quando Ethan declarou que a levaria e a buscaria todos os dias do trabalho. No fundo, havia ficado feliz por saber o quanto ele se preocupava com a segurança dela. Entretanto, Alyssa esteve praticamente a vida toda por conta própria, se orgulhava de sua autonomia e como a havia conquistado, sentia que poderia perder isso caso se permitisse ter medo de andar sozinha.

Príncipes encantados em cavalos brancos apenas ensinam as meninas a dependerem de um homem para salvar suas próprias bundas.

Alyssa jamais se identificou com princesas encantadas, não, ela sempre preferiu as bruxas. Por que as mulheres poderosas e independentes eram sempre as vilãs malvadas e invejosas?

- Escute aqui, cara grande, eu vou trabalhar e você vai pegar o meu notebook, fazer um currículo, tirar uma foto decente, pegar o jornal e procurar algo que você possa fazer. Use meu endereço e telefone como referência enquanto eu vou para o trabalho, isso. - Disse apontando para ele. - Não está em discussão.

Ethan ergueu as sobrancelhas em surpresa e estava prestes a protestar quando foi interrompido.

- Agradeço muito a tua oferta, de verdade, mas eu tô bem e não vou deixar que um filho da puta me faça ter medo de sair sozinha na rua. Boa sorte hoje.

Dito isso, Alyssa pegou suas coisas e deixou dinheiro o suficiente para ele juntamente com as chaves extras, virou-se sem falar mais nada e saiu. Não iria perder mais tempo discutindo aquilo.

Suspirou alto enquanto botava os fones no ouvido e apertava melhor o cachecol preto em volta do pescoço. Não conseguiria mais usar saias ou vestidos naquele clima, de modo que escolheu um par de jeans desbotados e justos, botas de cano baixo marrons e uma camisa de botão branca por baixo de um casaco de tricô azul marinho.

O vento frio a fez se encolher um pouco e começou a andar rápido para tentar se aquecer.

- DADDY! I'M HERE! - Gritou ao entrar pela porta dos funcionários.

Um Matthew preocupado entrou no corredor, seguido por Gina, Ana, Jack e até mesmo Chris.

- Finalmente tô sendo recepcionada como eu mereço, tinha esperança que algum dia, vocês me reconheceriam por quem eu sou, uma rainha.

Apesar da piada, Alyssa gemeu mentalmente, sabendo que todos estavam preocupados e queriam saber o que aconteceu. Ela havia se preparado, levou uma cópia do B.O para Matt, de forma que apenas ergueu a mão esquerda, pedindo silêncio antes mesmo que qualquer um deles pudesse começar a enxurrada de perguntas.

- Antes de tudo, sim, a aposta ainda tá de pé.

- Mesmo que não seja nada mais que a sua obrigação chegar no horário certo para o trabalho. - Interferiu Matt.

Onde as lágrimas repousam [Concluído]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora