22. Pulgas e afins

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I

Ethan observava em silêncio Alyssa fazendo outra careta e suspirou, aquilo não estava saindo como ele havia planejado.

Havia se passado três dias desde que ele descobrira que não só conseguira o emprego, como também era um emprego praticamente equivalente ao que possuía antes... antes de ser traído cruelmente e deixado sem nada pelas pessoas que passou metade da vida chamando de amigos. Tendo levado os documentos do contrato assinado e recebido um livreto consideravelmente grosso sobre toda a história da SendaX CO. bem como os regulamentos, metas da empresa central, etc. etc. etc.

O livro tinha cheiro de novo e escritório, algo pelo que ele percebeu que sentia saudades, de forma que devorou o livro até estar seguro de que conhecia cada linha.

Ethan iria assumir o cargo apenas no começo do ano seguinte, após as festas natalinas, ano novo e tudo o mais, de acordo com a Dra. Foster, para que ele pudesse começar um ciclo juntamente com a empresa.

Ethan, com pesar, havia dado o aviso prévio no café, o que fez com que Matt praguejasse por vários minutos sobre como teria que achar imediatamente não só um, mas sim dois novos garçons, uma vez que Ana iria parar de trabalhar uma semana antes do final do ano, para que pudesse preparar a mudança para o campus da universidade em que fora aceita.

Ele sentiu-se confiante de usar grande parte do último salário de seu primeiro emprego, para preparar uma grande ceia com Alyssa e os caras, mas apenas agora percebia quão profundamente ela havia sido arruinada para o natal. Alyssa passava pelos produtos típicos de um ceia, observando atentamente outras pessoas fazendo suas próprias compras para esse evento.

A cada menção a algo tipicamente natalino, sua expressão se fechava ou ela fazia uma careta que Ethan duvidava que ela percebesse estar fazendo, então deixava o que quer que fosse pegar e mudava de corredor.

Ethan olhou melancólico para o carrinho, ela havia pegado uma garrafa de vinho, uma de conhaque e dois pacotes de rosquinhas recheadas de chocolate e morango. Eles estavam "fazendo compras" há trinta minutos, sabia que Alyssa estava terrivelmente desconfortável, como se fosse a primeira vez na vida dela que fazia aquilo.

Ele arregalou os olhos e parou de empurrar o carrinho, sentindo-se um idiota. Era um idiota, ela realmente nunca havia comemorado o natal da forma como a maioria comemorava. Sua casa na infância era um inferno, pelo que ele sabia, o orfanato não fora o melhor ambiente para propiciar uma festa essencialmente familiar, apostava que ela não tivera boas experiências também em quaisquer famílias adotivas, e depois ela estivera sozinha, não totalmente sozinha, uma vez que tinha os caras, mas não sabia ainda como eles lidavam com essa data.

Porra, xingou a si mesmo, olhando para os itens dentro do carrinho de uma maneira totalmente diferente. Então era assim que ela passava o natal? Ou melhor, pelo natal? Tomou uma decisão.

— Aly. — A chamou, ela virou-se para ele, com uma sobrancelha erguida, ela vinha fazendo aquela mesma cara muitas vezes nos últimos dias. — Pode levar o carrinho um pouco?

— Okay. — Assentiu ela, visualmente aliviada de que poderia distrair-se de toda a vibe natalina que assolava todo o supermercado e as pessoas dentro dele.

Ethan respirou fundo, fazendo uma lista mental de tudo o que precisaria, ele tinha que ser rápido para não dar tempo a Alyssa para contestar qualquer coisa. Começou a andar rapidamente, ouvindo-a com a respiração pesada pelo esforço de andar rapidamente e empurrar o carrinho ao mesmo tempo.

A medida que ia passando pelos corredores, pegava as coisas que precisaria e as jogava para trás, sem olhar, ouviu Alyssa praguejar algumas vezes, provavelmente porque teve que esticar os braços para pegá-loá-los antes que fizessem barulho ao caírem.

— Ethan! Você está indo rápido demais. — Resmungou ela.

Ele a ignorou, quando terminou os enlatados, foi para os frios, não tendo tempo de ser criterioso na escolha, apenas foi pegando e seguindo adiante. Deu toda a volta no supermercado e foi para a fila do caixa. Virou-se para Alyssa bem a tempo de receber um soco no braço.

— Ai, esse doeu! — Resmungou ele, mesmo que na verdade não tivesse doído de verdade, apenas para chamar a atenção das pessoas em volta, Alyssa corou imediatamente com a atenção indesejada.

— Por que você fez isso? — Questionou ela.

— Olhe. — Ele apontou para o carrinho satisfatoriamente cheio. — Levou uns dez minutos pelos meus cálculos.

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M

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Onde as lágrimas repousam [Concluído]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora