15. Fios Vermelhos

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II

Os olhos de Jason suavizaram, ele sentou-se ao lado dela e a puxou para o colo. Ethan arregalou os olhos de surpresa, sentiu um aperto que agora sabia com toda certeza ser ciúme, ainda assim, não se moveu ou falou. Dan e Max sentaram-se ao lado dele, todos tocando-a com carinho e aguardando que ela falasse.

Havia algo acontecendo que Ethan soube imediatamente que estava por fora. Ela parecia tão pequena nos braços musculosos de Jason, nenhum dos caras tinha um ar minimamente malicioso e ele sabia que todos a viam como uma irmã caçula. Outro aperto no peito, dessa vez, ele sabia que era por empatia à dor emocional que ela parecia estar sentindo.

— Os pesadelos já estão ficando piores. — Sussurrou ela com o rosto enterrado na curva do pescoço de Jason.

Ele afagou os cabelos dela, em um ato carinhoso de conforto.

— Aly, você sabe que não são pesadelos — Disse suavemente.

— E que você está segura agora. — Continuou Dan. — Aquele cara que te atacou está preso, você sabe chutar o rabo de qualquer um nesse telhado e, além disso, você tem seu próprio harém inverso fraternal.

Ela soltou um risinho.

— Olhe em volta Aly. — Adicionou Max. — Quatro caras lindos que matariam por você e morreriam por você.

Alyssa ergueu o queixo até poder olhar de soslaio para Ethan, ele fez que sim com a cabeça, cruzando os braços em uma postura teimosa.

O dia havia corrido bem, depois de se acalmar eles começaram a maratonar uma série de comédia dos anos 90. A noite, depois que Alyssa se retirou para dormir, Max os chamou para comer fast food.

O relógio marcava 1:20 da manhã quando Dan ligou o carro, estava extremamente frio e as luzes amareladas do subúrbio, somado aos pequenos prédios estreitos estilo antigo e a leve névoa, davam ao lugar um ar de cenário de filme de terror, mas estranhamente, era muito reconfortante.

Quase nenhum veículo mais trafegava e o único som era o do vento, até Max ligar o rádio em um country lento. Ethan ergueu a sobrancelha, teria apostado um rap.

O atendente do caixa tentou esconder um bocejo quando eles entraram. Ethan deu-se conta de que pagaria algo para si próprio pela primeira vez em anos, não lamentou que fosse comida, passou muito tempo almejando poder pagar a própria comida.

Cada um deles pediu um combo diferente e Jason comprou um brinquedo temático que vinha de brinde no combo infantil. O caixa ergueu a sobrancelha ao pegar o brinquedo que ele havia escolhido, uma delicada princesa de cabelo rosa, cheio de cachos grandes e um vestido branco, com uma pequena joia dentro de uma estrela na cintura.

— Vamos começar. — Falou Jason quando se sentaram com suas bandejas em uma mesa com bancos acolchoados.

Max estava ao seu lado e Dan e Jason de frente a eles.

— Você sabe o que vem acontecendo com Alyssa? — Perguntou ele.

— Ela não te disse? — Perguntou Dan, com pesar.

Ethan fez que não.

— Até onde ela ou nós, te contamos sobre a vida dela?

— Mais ou menos a partir do momento que vocês se conheceram. — Respondeu Ethan.

Max suspirou.

— Alyssa sempre teve uma vida difícil, até onde sabemos, ela ficou órfão ainda criança, os pais dela eram horríveis, batiam nela, faziam-na passar fome e todo o tipo de coisa, os dois eram drogados e o pai de Aly costumava bater nela e na mãe dela quando estava no pior do uso. — Começou ele.

Ethan arregalou os olhos. Aquilo era muito pior do que tudo o que poderia imaginar.

— Ouvimos algumas vezes os funcionários conversando entre si sobre ela depois de ser devolvida de uma família adotiva. Aly foi encontrada pela polícia, escondida no quintal de casa, tremendo, chorando e com várias cicatrizes das vezes que apanhou, tinha duas costelas trincadas e não conseguia falar. — Continuou Dan.

A dor no peito e Ethan tornou-se insuportável. Tentava imaginar sua pequena Alyssa machucada e apavorada enquanto era espancada pelo próprio pai. Fúria subiu em seguida. Se aquele homem ainda estiver vivo eu mesmo mato ele.

— Naquele dia os pais dela haviam brigado de novo, parece que ele tinha uma arma e depois de bater na mãe dela, ele a matou e se matou em seguida. — Completou Jason de forma sombria.

Ethan estava chocado com aquelas informações, as conectou e sua mente fez um click.

— Então os pesadelos...

— São as lembranças dela daquele dia e dos dias em que era abusada física e psicologicamente. Todo ano ela começa a tê-los nessa época, nós achamos que é a data em que tudo aconteceu. — Jason pareceu pensativo. — Alyssa nunca nos disse com todas as letras o que aconteceu à ela nessa época, ela sempre evita o máximo possível e finge 99% do tempo que está tudo bem, mas essa época do ano é a mais difícil para ela.

Ethan lembrou-se dela acordando em pânico e vomitando, uma reação muito forte a um mero pesadelo, exceto que não é um pesadelo.

— O que eu posso fazer pra ajuda-la? — Perguntou Ethan.

Todos os caras pareciam frustrados com aquela pergunta.

— Nós nunca soubemos bem como ajudar, desde aquele incidente Aly passou a ter acompanhamento psicológico, até mesmo passou um tempo tomando remédios psiquiátricos, mas nada disso impediu que ela começasse a ter esses retrocessos nessa época do ano. — Comentou Max, empurrando as batatinhas com o dedo.

— A gente a visita, conversa com ela, pergunta se ela quer passar uns dias conosco... Mas sempre começa no final de novembro e termina depois de dezembro, então apenas... permaneça dando apoio a ela até tudo isso passar. — Jason murmurou.

Eles comeram em silêncio, o sanduíche parecia serragem em sua boca enquanto pensava em Alyssa, e se ela tivesse outro pesadelo essa noite? Ele queria voltar o mais rápido possível para estar com ela.

— A propósito. — Comentou Max. — Um colega meu que foi contratado há pouco tempo em uma empresa falou que tinha uma vaga disponível de administrador financeiro, se você quiser posso levar seu currículo e falar com ele pra ele dar uma facilitada.

— Eu passei uns tempos nessa área depois de me formar, não era o que eu queria, mas precisava de dinheiro na época, o problema é que aquela microempresa já fechou as portas e minha outra indicação é da empresa que eu fui expulso, jamais daria contato de indicação deles.

Max apoiou-se em seu ombro.

— Tsc tsc meu jovem, apenas me entregue o currículo e tire cópias da sua carteira de trabalho que eu organizo o resto.

Ethan deu de ombros, seria ótimo conseguir um emprego naquele cargo, mas tinha poucas esperanças, tendo sido preso por lavagem de dinheiro e tudo o mais.

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Onde as lágrimas repousam [Concluído]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora