23. Luzes e Presentes

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I

- Ah inferno, que puta dor de cabeça! - Resmungou Alyssa enquanto levantava-se da cama.

Todo o seu corpo parecia ter sido atropelado por um trator dezena de vezes.

Sua cabeça martelava, ela mal conseguiu cochilar algumas vezes, seus pesadelos estavam piores.

Algo nela queria investigar seus últimos e recorrentes sonhos. Antes de dar um tiro em sua própria boca e ter seus miolos explodindo em uma nuvem carmesim na parede desbotada atrás dela, ela ou sua mãe sempre falava a mesma frase chorando desesperadamente:

"- Eu não consigo fazer isso! Sempre que eu olhar para ela...".

Aquela frase incomodava Alyssa profundamente, sentia-se angustiada e impotente. Mas por quê?

Alyssa perdeu o fio de seus pensamentos ao ouvir barulho na sala. Ethan. Pensou ela, a sensação frustrante retornando para seu coração. Não havia tido coragem de falar com ele sobre suas inseguranças sobre Ana, não quando ele estava tão feliz sobre o emprego, tão fodidamente animado para toda essa baboseira de natal, ceia e outras coisas que Alyssa não queria lidar. De fato, uma parte de Alyssa esperava que Ethan cancelasse tudo e fosse fazer algo longe dela.

Além disso, aquela era a pior época do ano para Alyssa. Suas emoções sempre ficavam um caos por causa dos pesadelos, simplesmente não conseguia clarear a mente o suficiente para lidar com seus sentimentos sobre Ethan. Não lhe sobravam forças para fazer isso porque seu desgaste físico e mental não dava espaço para mais nada, todas as suas forças estavam focadas em catar todos os cacos de si, apenas para tê-los jogados novamente na noite seguinte, obrigando a si esma a repetir o mesmo processo todos os dias.

Alyssa não conseguia falar com Ethan sobre como sentia-se e não conseguia agir normalmente em volta dele. Uma parte dela ficava aliviada que ele não tentou beijá-la novamente, não sabia como reagiria a isso. Imagens dos seus pesadelos invadiam sua mente quando menos esperava. Alyssa não queria associar o afeto de Ethan com a dor que sentia internamente, não queria olhar para Ethan entre seus beijos e ver o rosto pálido e sangrento de sua mãe.

Pois salvo pelos caras, Alyssa, inconscientemente, associava ser amada à sofrer. Por esse motivo nunca permitiu a si mesma ir adiante em qualquer relacionamento. A ideia de tornar-se vulnerável para outra pessoa lhe causava pânico.

Mas havia sido diferente com Ethan. O fato de morarem juntos primeiro e só então passarem a se conhecer e se apaixonar havia subvertido todas as defesas e zonas de conforto que Alyssa criou ao longos dos anos e por esse motivo, precisava refletir sobre como se sentia consigo mesma diante de tudo o que aconteceu em sua vida desde que conhecera Ethan.

Mas a outra parte sentia-se decepcionada pela distância entre eles.

Odiava admitir, mas sentia saudade do calor do corpo de Ethan e de conversarem abertamente sobre qualquer coisa, sem receios e inquietações.

Apesar de sua bagunça, apenas não tolerava sequer a ideia de que Ethan havia tido algum tipo de envolvimento com Ana.

Também não conversei com a Ana sobre isso...

Alyssa suspirou, exausta.

A única coisa em que todas as suas partes chegavam a um consenso era que Alyssa sentia-se traída pelas pessoas em volta de si, mas pior do que isso, sabia que era um problema exclusivamente dela sentir-se assim.

Obrigou-se a ir ao banheiro, evitando procurar onde e o que Ethan estava fazendo. Vestiu duas camadas de roupas, pôs um gorro cinza e pegou o sobretudo preto, preparando-se para sair por um tempo.

Onde as lágrimas repousam [Concluído]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora