Capítulo 28

157 28 32
                                    

Como o marido aceitara toda a situação, Tatiana contou a ele sobre o que vinham planejando, desde os infiltrados que estavam se reunindo até os rebeldes que se moviam em direção ao acampamento mais próximo de Brasília e do laboratório. Por mais que Miguel não conseguisse esconder a surpresa com o relato, em momento algum hesitou, apenas disse que estaria com ela em tudo, que ajudaria da melhor forma possível. Afinal, não seria uma tarefa fácil tirar o governo militar do poder.

Feliz por ter a família reunida naquele assunto e aliviada por agora não precisar esconder mais nada do amor de sua vida, ela levaria todos para a primeira grande reunião dos infiltrados.

Almoçaram todos juntos e passou a tarde ensinando sobre história do Brasil aos filhos, já que pedira dispensa do trabalho aquele dia por causa do desaparecimento de Miguel. Ter o marido ali com eles e deixava realizada, com esperança de que poderiam sim convencer uma população alienada. Tudo daria certo.

Ao entardecer, a família caminhava pela rua. Miguel sorria para os filhos, e Tatiana ainda não acreditava que ele estava ali com ela, assumindo-se um rebelde, indo para uma reunião de infiltrados.

Para a segurança dos envolvidos, várias reuniões aconteceriam ao mesmo tempo; todas estariam interligadas por equipamentos de som. Dessa forma, César Mendes responsabilizou-se por aquele grupo, recebendo-os discretamente em sua residência.

Tatiana cumprimentou o capitão e apresentou a família a ele. César balançou a cabeça solícito e pediu que entrassem e se acomodassem. Como não havia lugar para todos, muitos se sentaram no chão. Após poucos minutos, cerca de trinta pessoas estavam na sala da casa. O capitão conferiu o rádio, que transmitiria as conversas entre os grupos de infiltrados reunidos naquela noite, e, em seguida, tomou à frente, chamando a atenção dos presentes.

Perguntou como cada um estava agindo, se haviam conseguido convencer os familiares e ajudar os rebeldes da melhor forma possível. Muitos falaram, atualizando o grupo dos avanços. Ouviram também, pelo sistema de som, os infiltrados que se reuniam em outros lugares.

Tatiana apertou a mão do marido, que a encarou. Ela sorriu, feliz com os avanços, e ele lhe deu um selinho e também sorriu. Pelo que escutava, todos os infiltrados de São Paulo estavam em contato. A rede estava consolidada e forte, pronta para agir caso necessário.

— É ótimo ouvir tudo isso — César segurava firme a mão da esposa. Havia esperança nos olhares de todos os presentes. — Dentro dos próximos dias, os grupos de rebeldes vão começar a chegar ao acampamento. Depois que estiverem todos reunidos, os ajudaremos a pensar em um plano para invadir o laboratório e pegar todas as provas para que possamos mostrar à população. Até lá, precisamos tomar cuidado, estarmos sempre falando uns com os outros. Se qualquer rebelde for pego pelo exército, eles descobrirão sobre nós. E se isso acontecer, teremos de fugir.

— Capitão — pronunciou-se um sujeito até então desconhecido de Tatiana. — Você realmente acha que estamos em perigo?

— Sim — César confirmou com a cabeça. — Estamos em perigo desde que chegaram aos complexos a droga da verdade. Se nos descobrirem antes de termos as provas do que o governo vem fazendo com a população, teremos de abandonar as cidades — andou pela sala com as mãos cruzadas atrás das costas. — Sem os infiltrados, os rebeldes não têm como saber o que acontece nas cidades, os passos do exército.

Todos assentiram. César prosseguiu, aconselhando-os a sempre manter uma pequena trouxa de roupa e alguns alimentos para o caso de terem de sair fugidos. Caso tudo desse certo, só aguardariam o sinal das irmãs Villas Boas para darem início ao levante.

***

Samara fechou os punhos a ponto de as unhas marcarem as palmas das mãos. O peito subia e descia rapidamente por causa da respiração descompassada. Ainda não acreditava em tudo o que ouvia.

País Corrompido [completo]Onde histórias criam vida. Descubra agora