Capítulo 38

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- Oh, meu Deus! - fecho os olhos com força e agarro minha costela, onde a espada havia 'acertado', fazendo uma expressão exagerada. Caio de joelhos na grama com a respiração entrecortada e pálpebras meio abertas, tirando um grito de vitória dos pequenos. - Vocês venceram. Oh, vida cruel! - coloco a mão no coração e atiro-me no chão de mirantes fechados e língua para fora. As risadas aumentam e os garotos seguram suas barrigas de tamanha felicidade. 

- Papai, você está parecendo um maluco! - diz Liam entre gargalhadas. Sento-me e cruzo os braços. 

- Minha atuação é ótima! 

- Não é, não. Ninguém que morre fica assim. - Henry exclama, copiando meu rosto ao terminar sua sentença. Ponho os pés no chão e sorrio de lado. 

- E como você morreria? - suas órbitas castanhas se arregalam e ele volta a rir com vontade. O moreno dá alguns passos para trás e logo começa a correr de mim. - Ah, mas você vai me mostrar! - digo tentando alcançá-lo, apesar de trinta e poucos anos nas costas. 

- Não vou! - diz quase sem fôlego, balançando os braços enquanto fugia. - Liam, me ajuda! - e, então, quando vejo, ambos adentram numa moita, dando-me tempo para apoiar as mãos no joelhos e respirar fundo. Depois de alguns segundos, levanto o tronco e encontro Milah e Emma olhando-me, encostadas na parede de fora da casa. Rio e, num estalar de dedos, os dois pequenos pulam em mim, com Henry nas minhas costas e Liam nas pernas. O primeiro começa a fazer cócegas, o que me desarma por completo, enquanto o outro segura meu corpo para que não saia do lugar. Acabamos caindo no chão, colocando para fora os últimos resquícios de gargalhadas desse momento mais que especial. Passo os braços por baixo dos meninos e os abraço, ganhando mãozinhas agarrando-me com sua maior força. 

- Os palhaços já terminaram? Estamos nos desdobrando para segurar os convidados, querem mais do que tudo ver e parabenizar o pequeno Liam. - Swan e minha esposa aparecem em nossos campos de visão, tentando fazer uma expressão brava. 

- Ei, pequeno não! Já tenho cinco anos! - meu filho ergue a mão direita e mostra a sua idade com os dedos, odiando o "pequeno" antes de seu nome. Sorrio e bagunço seu cabelo. 

- Fique tranquilo, amigão. Tia Emma estava só chamando-o de pequeno porque é adulta, porém não quis dizer que você é um bebê. - explico, mas ganho um bufo. Encaro as mulheres na nossa frente e aperto-os mais um pouco em meus braços. - Já vamos, prometo que não ficaremos mais do que cinco minutos. - Henry levanta o braço esquerdo em comemoração. 

- Cinco minutos com o tio Killian! Yeah! - ele grita, fazendo-nos rir. 

- Mas venham mesmo, estou sendo acusada de péssima mãe, esposa e Senhora. - Milah sussurra com horror, voltando com Emma para dentro da residência. Respiro fundo e ficamos em silêncio por um momento, aproveitando a vista do dia ensolarado acompanhado do céu azul. 

Sendo bem sincero, passar a conviver e brincar com os meninos vinha despertando em mim uma alegria e ousadia que não sentia há tempos. Vê-los entretidos nas brincadeiras e mergulhados na imaginação faz-me querer pular e voltar à ser o capitão de um grande navio pirata, ou um espião, um pássaro, até mesmo um mágico! Estar ao lado de crianças acorda seu pequenino interior, enclausurado no seu peito pelas amarguras da vida adulta. Mas até que ser adulto não tem sido tão ruim.

Os últimos quatro anos foram uma mistura de alegria, ansiedade e diversão, já que Liam e Henry só ficaram mais grudados e espertos à cada ano, tirando de mim cabelos brancos que ainda não tenho. Havia me preparado para ser pai de um, porém acabei virando figura paterna para o filho de Swan também, visto que Bealfire não deu mais as caras depois que o encontramos espancando Emma.

Ah, Emma. Meu peito esquenta só pensar em nós. No que temos, nossa conexão. Foi quase impossível ser amigo dela por três anos e não agarrá-la em qualquer canto e tomar aqueles lábios finos que imploram por carinho. Assim como no início, nossos toques e olhares só cresceram e chegou a um ponto em que ficarmos separados era tortura, fazendo-nos voltar aos nossos deliciosos encontros. 

O nosso errado parece certo. 

Mal posso esperar pelo momento em que ficaremos realmente sozinhos, para que eu possa explorar seu corpo, amá-la e deixar que me ame, deixando-me perder no seu cheiro em sua pele e curvas. Não vejo a hora de beijar cada canto seu e decorar todas as suas marquinhas. Desde que as coisas retornaram a ser como eram antes, não tivemos tempo para nós, já que Swan e eu temos, por tempo ilimitado, a companhia de Henry, Liam e Milah. 

- Killian? - arregalo os olhos ao ouvir a voz que me chama, desejando com todas forças estar tendo um pesadelo. Cutuco os meninos e todos nos colocamos de pé, dando-me a visão do homem que gostaria que estivesse morto. Um homem que, curiosamente, sumiu há quatro anos. 

- Brennan? - dou dois passos, porém viro-me e encaro Henry e Liam. - Meninos, entrem, sim? Encontro vocês depois. - ambos assentem e saem sem pestanejar. - O que diabos você está fazendo aqui? - digo girando os calcanhares e mirando-o com desprezo. 

- Quem são eles? São seus filhos? - meus pés movimentam-se rapidamente e, de repente, vejo-me apontando para seu rosto há dois centímetros de distância. 

- Responda-me! - dou um sussurro gritado, querendo quebrar o pescoço dele. 

- Eu voltei, filho. Para ficar. - cerro as pálpebras e abaixo a mão. 

- Não me chame assim novamente. Não sou seu filho. Trate de ir embora e... - ouço a voz de Milah interromper a minha de dentro da casa. 

- Killian, venha! Querem falar com o pai do aniversariante. - fecho os olhos com força e aperto os punhos. 

- Oh, então um deles é seu filho. É o de olhos azuis, não é? Ele parece mais com a sua esposa do que com você, porém nunca comentarão isso, não preocupe-se. - Brennan diz casualmente, ignorando minha vontade de destroçá-lo ali mesmo. 

- Deixe-o fora disso. Você não ficará aqui. Não vou deixar. 

- Vai expulsar seu pai de casa? - ele pousa a mão no peito, como se estivesse profundamente magoado. Dou passos largos em sua direção novamente e e agarro seu braço com raiva. 

- Você não é meu pai. 

- Papai, papai, papai! Vem comer os docinhos comigo! - meu menino aparece e aperta minha perna, puxando minha calça para baixo. Antes que eu pudesse respondê-lo, Liam olha para meu pai e sorri com gentileza. - Olá, Senhor, boa tarde! Você veio para a minha festinha? - ele aproxima-se um pouco, enquanto o mais velho agacha na sua frente. 

- Olha só, que menino educado. Não vim para a sua festa, mas posso ficar se quiser. Qual seu nome? - o ódio cresce no meu peito e eu pego o pequeno no colo, afagando suas costas e afastando-o do velho nojento. 

- Não importa, ele já estava de saída, não estava? - meu filho franze o cenho para mim. 

- Papai, que feio! Não manda o homem embora. E meu nome é Liam, quer vir comer docinhos? - Brennan sorri com falsa empolgação, porém o corto antes de qualquer coisa. 

- Não, Liam. Ele não quer docinhos. Vamos, estão nos esperando. - solto-o no chão e empurro de leve seus ombros. 

- Mas, papai, não quero ser malvado com as pessoas... - ele choraminga, caminhando sem vontade para a porta da sala. 

- Não estamos sendo malvados, estamos gentilmente pedindo para que vá embora. - já com Liam dentro da residência, viro-me e agarro a maçaneta. - Volte aqui de novo e será jogado no lago com peixes carnívoros. - sussurro para meu pai, que abre um sorriso provocativo. Bufo e fecho a porta. 






Oi moooos! Tudo???

E ai, o que acharam desse capítulo?? Killian sendo papai é completamente tudo pra mim. Gostaram? Acham que o Brennan está tramando alguma coisa? Não é estranho ele e o Bea terem sumido pelo mesmo período??? Contem-me suas teorias! 

Bom, é isso! Muito obrigada por estarem lendo! 

Beijos e até quarta! :)

Destino InfelizOnde histórias criam vida. Descubra agora