[EXTRA: 1984/85]

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P.O.V. Narrador

Setembro de 1984

Era o primeiro mês da vida de Severo e Marie que iriam ficar distanciados. O homem dava aulas com as cabeças nas nuvens, ou melhor: na sua filhinha. Ele aos poucos admitia Dumbledore referir a pequena como a filha dele, pois sentia mesmo que era o pai. A ruivinha estava sendo seu porto seguro, o objetivo da sua vida e seus momentos felizes. O seu mau humor era notável, não queria estar dando aula nesse momento, queria estar em casa.

Enquanto isso, a tutora não sabia como reagir a garota olhando o nada, apontando e conversando com o vazio. Achava que era uma brincadeira de mau gosto da garota, tentando assustá-la (e estava ficando), e apenas repreendia a criança. Marie Lily então apenas desistiu de fazer suas refeições noturnas para poder ficar sozinha, podendo ser quem era.

Depois de alguns dias, teve pesadelos recorrentes e começou a ver o mesmo homem desses durante o dia. Não o conhecia, mas sentia que ele queria machucá-la e morria de medo. Porém morria de medo de ser xingada novamente pela tutora, então se escondia embaixo da coberta abraçada ao Senhor Urso e pedindo para o seu pai chegar. Tinha até colocado uma capa preta no bichinho, para se lembrar um pouco do pai e não se sentir sozinha.

Severo finalmente tinha conseguido se livrar daqueles seres que chamavam de alunos, não tinha nem mesmo prova para corrigir. Saiu da sua sala onde estava dando uma detenção sexta à noite, indo direto para o seu dormitório, ignorando a todos que tentavam falar com ele. Usou a rede de flú, chegando próximo a sua casa e caminhando o mais rápido que podia para chegar até lá. Ao adentrar, encontrou a tutora sentada na sua poltrona dormindo, queria lançar uma azaração na hora.

Respirou fundo para se acalmar e subiu as escadas, chegando até o quarto da sua filha. Escutou um barulho de choro e seu coração disparou, abriu correndo a porta, preocupado. A criança se debatia e chorava enquanto dormia, não sabia o que fazer. Apenas sentou-se na beirada da cama e acariciou seus cabelos, sussurrando "Papai está aqui" repetitivamente. Marie começou a acordar e abraçou-o forte ainda desorientada pelo sono, mas se sentindo finalmente segura.

- Minha criança, está tudo bem? - Perguntou e ela balançou a cabeça com um olhar triste. - Pode contar para o papai, posso te ajudar.

- O homem mau está me seguindo.

- Que homem mau?

- Do sonho.

- É só um sonho, querida.

- Não! Eu vejo ele. - Balançava a cabeça olhando para os lados com medo. - Aquela mulher falou que eu sou mentirosa, papai. Mas eu vi!

- Bem que eu desconfiei que ela não servia para ser sua tutora... - Suspirou com raiva. - Quer passar uma semana com o papai no castelo?

- Sim, sim sim! Eu fico bem quietinha, juro de dedinho.

Severo não aguentava o jeitinho fofo e apegado de Marie Lily, queria sempre permanecer ao lado dela. Entrelaçou o dedo mindinho com o dela, fazendo-a sorrir e a si mesmo também. Desceu, prometendo voltar bem rápido, e demitiu a tutora. Seria difícil arranjar outra, mas sua filha em primeiro lugar sempre, nem que tivesse que sair de Hogwarts e trabalhar em um local mais próximo.

- Dorme comigo hoje, papai. Por favor...

- Tudo bem, mas só por um tempo.

A ruivinha pulou para o lado e já o abraçou junto do urso de pelúcio. O que era para ser poucas horas, acabou sendo a noite toda. Severo precisava voltar para o seu trabalho, mas se esqueceu de tudo ao ver a pequena. Pensava em como resolver esse pequeno problema dela, alguém tinha que saber o que fazer, o porquê dela ser assim.

Diário de uma PP: Potter Perdida (Livro 02)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora