Quem disse em filho?

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P.O.V. Marie

Sentia uma brisa gostosa batendo em meu rosto, uma sensação de calmaria deliciosa. Olhei ao meu redor, estava em um grande campo e parei apenas quando cheguei em uma grande árvore. Eu estava com um vestido longo e de aparência bem antiga, quase medieval. Ao lado, percebi um lobo correndo e logo se transformou em uma pessoa.

O meu coração quase parou quando vi Blásio na minha frente, uma camisa medieval aberta com uma calça do mesmo estilo. O seu sorriso estampado no rosto e me abraçou, novamente não tive reação. Eu senti lágrimas escorrendo, que ele enxugou com o seu polegar. Não estava entendendo nada, mas estava muito feliz em vê-lo, mesmo com mil pensamentos para explicação daquilo.

- Você não se lembra, não é?

- Lembrar do que?

- Daqui, desse lugar. - Apontou para ao redor e me olhou novamente. - Você antigamente, como Melisandre, nós costumávamos passar bastante tempo aqui.

Observei tudo, me parecia familiar o lugar, na verdade. Eu apenas não estava aceitando por não ter muita lógica, mesmo sabendo que quase nada na minha vida tinha. Blásio parecia tão relaxado, parecia que não tinha acontecido nada, como se o tempo não tivesse passado.

- Você sabia? Sobre Lilura?

- Fiquei sabendo, mas só depois que... hum, morri? Ainda é estranho falar isso. - Fez uma careta. - Eu não pude te contar quando tive oportunidade, infelizmente, sabe como é, né?

- Não se pode alterar muito o futuro, há consequências. Eu sei muito bem...

- Nem acredito que o Theo foi capaz disso, ele era o meu melhor amigo. Mas também, não é a primeira vez que acontece isso conosco, talvez seja a nossa maldição particular.

- Como assim?

- Quando você era Melisandre, aconteceu a mesma coisa, a única diferença é a forma como eu morri e com quantos anos você morreu.

- Eu não lembro muito bem de tudo ainda, desculpa.

- Não peça desculpa por isso, talvez teremos outra chance. Cuide da nossa filha, por favor, sabe-se lá o que ela já passou.

- Não precisa me pedir. - Retruquei sorrindo, sentindo lágrimas teimosas em meu rosto. - Queria que você estivesse comigo para isso.. por que você não aparece para mim?

- Porque eu não estou mais zanzando por aí, mas você já sabia a resposta. Sua sorte é que sua história pessoal com a dona morte me ajudou a esses breves momentos. - Brincou, me deixando mais chorosa ainda. - Você está indo muito bem, princesa.

- Estou tentando o meu melhor.

- E não só você. Apesar de não ficar zanzando, como você sempre falou, os mortos são bem fofoqueiros, me mantenho atualizado sobre você e sua família. É difícil dizer isso, mas o Black te merece muito.

- Eu, às vezes, acho que não mereço ele. Sirius é tão maravilhoso e... bom de coração.

- Marie, você é maravilhosa e perfeita, não sei porque não aceita isto. - Balançou a cabeça. - Ah... eu também fiquei sabendo sobre Blásio, o seu filho, ele é bem parecido comigo.

- Eu e Draco ficamos até assustados.

- É claro, não tem como. Deve ser outro filho nosso perdido, hein? - Brincou novamente, eu não sabia como ele tinha tanta naturalidade para falar isso. - Está acabando o nosso tempo...

- Mas já?

- Quem sabe podemos nos rever algum dia? Enquanto isso, cuide de Lilura, se cuide também. Já passou por muita coisa, precisa relaxar.

Diário de uma PP: Potter Perdida (Livro 02)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora