P.O.V. Marie
Percebi Perséfone entrar na biblioteca, provavelmente saberia que eu estava ali organizando meus livros. Slughorn havia me contado como ela apareceu junto com Blás e depois pedi para o meu filho explicar melhor, se pudesse. Ela não queria contar para mim antes, pois achava que poderia ser um fardo para mim, o que me deu vontade de chorar. Eu tinha dado a ela o fardo de ser bruxa do véu, tudo aquilo era exclusivamente minha culpa, eu sabia que poderia acontecer e mesmo assim insisti em ter mais filhos. Porém eu não conseguia me arrepender em tê-los, é verdade, toda vez que vejo seus rostinhos meu coração se enche de felicidade.
- Mãe... eu estou melhor, não precisava me chamar para conversar comigo sobre isso.
- Não é só para conversar sobre o que está acontecendo, querida. Vem cá...
Eu me sentei no divã e chamei-a, ao invés de sentar, deitou-se com a cabeça em meu colo. Sentia tanta falta da minha bebê assim... queria tanto poder protegê-la, pareço tão inútil como mãe em não saber como acabar com tudo que a incomodava. Passava a mão em seu cabelo carinhosamente. Como podem crescer tão rápido? Como podem sofrer tanto sendo tão especial?
- Mãe, você está chorando? - Perguntou me encarando.
- Não... - Disse limpando algumas lágrimas que escorreram. - Mais ou menos, mas é só de nostalgia, lembro de quando você era uma bebezinha ainda... agora está tão crescida.
- O tempo passa mesmo, agora tenho até irmãos com treze anos de diferença.
- Nem me fale, é tão estranho recomeçar nessa altura.
- Mas a senhora é nova ainda... e vai permanecer nova para sempre, assim como eu. - Sussurrou baixinho a última parte.
- Você pensa muito nisso, não é? A imortalidade de uma bruxa como nós.
- E você não? Vamos ver todos que nós gostamos morrer e... não sei se aguento.
- É difícil, mas você aguenta, Perséfone. Eu sei muito bem como é, mas nós entendemos a morte melhor que ninguém, querida. Temos que aceitar... uma vez uma pessoa muito querida me disse "Não há motivos de choro, tristeza e culpa, tivemos nosso tempo e deve relembrar apenas com alegria.". É assim que temos que levar a ida de uma pessoa que amamos.
- Não é tão fácil assim...
- Eu sei... - Falei engolindo a vontade de chorar. - Porém cada pessoa é única na sua vida, deve-se aprender com elas, viver intensamente para que no futuro, você olhe para trás e tenha as melhores lembranças com a pessoa.
- Isso é... tão bonito, a pessoa que te falou deve ser incrível.
- E ele era.
- Eu estou tomando aquela poção que Morgana sugeriu... melhorou muito mesmo. - Mudou de assunto repentinamente.
- Fico muito feliz... e nunca mais esconda essas coisas de mim, por favor. Sabe que pode contar comigo, eu passei por coisas parecidas.
- Você também teve que...
- Não, cada bruxa do véu tem sua patrona, a minha é Hela, as características vem dela.
- E as minhas de Giltine.
- As suas vem de Giltine e Perséfone, como Morgana disse, o nome não é escolhido à toa, seu destino está nele.
- Por isso a romã e o veneno dos mortos?
- Cada um simboliza uma, exatamente.
- Então... eu li uma vez sobre Hela que sua mesa era a Fome, sua faca, a Inanição, o Atraso, seu criado, a Vagareza, sua criada, o Precipício, sua porta, a Preocupação, sua cama, e os Sofrimentos formavam as paredes de seus aposentos... você tem isso também?
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Diário de uma PP: Potter Perdida (Livro 02)
FanfictionContinuação de: https://bityli.com/s07dM Após a batalha no penhasco e sua prisão, Marie Lily terá mais coisas para enfrentar enquanto cuida de seus filhos. A nova geração se aventura ao mesmo tempo, querendo a liberdade, aproveitando o meio instável...
