Capítulo 50

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Maia's Pov

Greco dormia ao meu lado.
Respiração profunda, um braço estendido sobre meu corpo como se ainda achasse que podia me proteger de tudo.

Eu mantinha os olhos abertos no escuro. Com o coração pesado e a culpa latejando no peito como uma ferida que não para de arder.

Toda semana eu repassava discretamente tudo que ele fazia: ligações, rotinas, nomes.
Toda semana eu mentia. A mulher que ele beijava toda manhã era a mesma que queria vê-lo preso.

E ele não fazia ideia.

Eu me virei devagar, sentindo a barriga crescer entre nós dois. Como podia carregar dentro de mim algo tão puro... enquanto vivia mergulhada numa mentira tão suja?

Mas não tinha escolha.

Greco podia parecer outro homem naquele momento,  mais doce, mais presente, quase carinhoso. Mas eu conhecia o outro lado. O lado que ameaça com um sorriso. O lado que mandaria alguém desaparecer com um aceno de cabeça.

Era por isso que colaborava, que me mantinha calma.

Não é só sobre mim. Era sobre os meus bebês.

Era sobre sair viva. A polícia dizia que vai proteger-nos.. Que quando o momento chegar, vai agir.

Mas o que ninguém entendia é que, se Greco descobrisse antes...Não haveria proteção. Então, mesmo tendo a proteção deles, eu precisava pesar em mim, num outro plano e não confiar plenamente neles.

Greco dormia como se não houvesse nada no mundo para temer. E talvez não houvesse.

Não pra ele.

Mas pra mim...Tudo era ameaça.

Olhei o relógio: 03h22.

Eu sabia que ele tinha falado ao telefone mais cedo. Estava tenso. Usou um tom baixo, contido, que só usava quando o assunto era sujo. Anotei na mente cada palavra que escapou.

'' Chega segunda, ninguém pode saber. Só ele e eu.''  E ainda,   '' Leve os documentos para o galpão''

Fingi não ouvir. Fingi não me importar.
Fingi tão bem que ele até me beijou na testa e disse "Você me faz querer mudar."

Mas aí...Era hora de fazer o que precisava ser feito.

Deslizei devagar da cama. Os pés tocaram o chão frio, e meu coração martelou como se Greco pudesse ouvi-lo.

 A maçaneta cedeu com um clique seco.

O escritório de Greco sempre me pareceu um lugar onde o ar era diferente. Mais frio. Mais calculado. Era o único cômodo da casa que ele trancava quando saía. Mas naquela noite, por descuido ou cansaço, ele esqueceu.

Fechei a porta atrás de mim ou esperasse calada pelo desastre. 

A luz da tela do celular era fraca, mas suficiente para iluminar o essencial:
a mesa de mogno escura, sempre limpa demais, a estante de bebidas e a pasta preta no canto.

Comecei por ela.

Documentos bancários, contratos com nomes falsos, passaportes. Três diferentes.
Mas o que me fez prender a respiração foi uma folha dobrada ao meio com apenas um nome, Clark Doe. 

Olhei com atenção para a foto.

Quem seria ele?

Mas eu não podia sair sem procurar mais. Fui até a estante. Toquei nos livros de "contabilidade". Um deles saiu fácil. Atrás dele, uma pequena porta embutida na parede. Um cofre.

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