Noah
O quarto estava em silêncio, mas não era vazio. Era um daqueles silêncios pesados, carregados de tudo o que não podia ser dito em voz alta. A penumbra suavizava as formas, mas não o suficiente para esconder o ventre arredondado dela, que subia e descia suavemente com a respiração. Meu braço estava jogado sobre a cintura dela, os dedos traçando distraidamente um caminho sobre a pele quente.
Eu sentia o coração ainda pulsando nos ouvidos, não só pela intensidade do que acabáramos de fazer, mas pelo peso de tê-la mesmo que fosse só por aquele momento. Ela era minha e, ao mesmo tempo, não era. Havia algo de cruel e viciante nesse fato. O corpo dela colado ao meu, a respiração ainda acelerada, o cheiro do nosso encontro no ar... Tudo isso me queimava por dentro.
— Estás bem? — murmurei, minha boca perto da curva do ombro dela. Beijei devagar, como se minha boca pudesse selar o que o mundo inteiro não deveria saber.
Ela assentiu com um som quase inaudível, os olhos ainda fechados. Toquei a barriga dela com mais cuidado do que antes, como se o menor gesto errado pudesse quebrar aquela bolha onde ainda nos escondíamos. Um bebê crescia ali. Um bebê que podia ou não ser meu.
O pensamento me atravessou como uma lâmina fria.
— Ele tem sido bom pra mim — murmurou. — Depois da gravidez, ele mudou. Está mais presente. Mais doce. E eu me odeio por não conseguir amá-lo como deveria.
Soltei um suspiro longo, pesado. Me afastei só o bastante para olhar nos olhos dela.
- Ele só quer o bebé, achei que já tivesse noção disso.
- Eu sei.
- Então?
Suspirou e desviou o seu olhar do meu.
- Amor? _ toquei no seu ombro. - O que foi?
— Se esse bebê for seu... — começou ela, hesitante. - O que você fará?
— Vou manter você por perto, segura.
- Eu preciso que faça isso agora, Noah.
- Estou fazendo.
- Não estás. Se você estivesse preocupado com a minha segurança e do bebé, você teria topado.
- Topado no quê? Do que falas?
- Ir embora.
- De novo não, por favor. _ levantei da cama. Peguei na minha calça e vesti. - A gente não vai fugir.
- Noah.
- Olhe, eu já te disse. Se tiver de o matar, eu o matarei. _ coloquei uma t-shirt.
- Estás a ser egoísta. _ ela disse deitando novamente na cama. Estava cansada, não só devido ao sexo gostoso que tivemos, mas devido a gravidez em si. Porém, não podia deixar de mencionar que estava extremamente linda com àquela barriguinha.
- Eu estou sendo egoísta? _ com as mãos na cintura olhei para ela.
- Sim. Quer saber, não vou ter essa discussão novamente.
- Foi você que tocou no assunto. _ me encarou com cara de poucos amigos.
- Porque você não entende o quão aflita eu estou, Noah. Eu tenho medo, está bem? Tenho medo do Greco. O que acha que ele fará quando souber disso? Ele matará o meu bebé...Meu Deus, o que eu fiz? _ num ato de arrependimento sentou na cama e começou a chorar.
- Ei..._ sentei também. - Eu já disse que eu vou proteger vocês, tem de confiar em mim.
- Eu não consigo porque você não é sincero comigo, Noah. És sempre tão misterioso em relação a nós, principalmente a ti...Eu não sei. _ levantou da cama e começou vestindo. - Se eu não tivesse me envolvido com você, não estaria preocupada se o Greco me matava ou não, estaríamos felizes agora.
- O que está a dizer, que se arrepende de tudo isso? _ mais sério questionei. - Maia, o que está dizendo?
- Estou dizendo que poderia ter tomados outras decisões, talvez mais sensatas. Isso é uma loucura.
- Vem aqui...Ouça o que estou dizendo, estou trabalhando para deixar vocês seguros. O Greco terá de passar por mim para chegar até você. Está bem?
- Você é apenas alguém que trabalha para ele, como vai pará-lo?
- Sei karaté. _ sorri ao ver ela sorrir.
- Só mesmo você para me fazer sorrir num momento desse. Meu Deus.
- Quero que não te preocupes muito, está bem? Eu estou trabalhando para você estar livre dele.
- Quando tudo isso acabar, quero ir num lugar tranquilo, longe de tudo isso. Só quero paz.
- Vou fazer de tudo para conseguir realizar o seu desejo. _ ela sorriu.
- Tenho que ir para casa.
- Fique mais um pouco.
- Não posso. Tenho que ir e pensar no maldito código daquele cofre.
- Já tentou todas as opções? Talvez seja a data do vosso aniversário.
- Não é, já tentei tudo.
- Talvez algo está lhe escapando.
- Por isso tenho que ir e pensar.
- Aqui não conseguirei pensar em condições.
- Tudo bem, se achar alguma coisa me avise. Venha, vou levar você.
- Acha mesmo boa ideia?
- Não vou deixar a minha grávida andando por aí sozinha. Vamos.
De mãos dadas saímos do quarto.
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INFILTRADO
RomanceNolan é um policial determinado a desmascarar um poderoso empresário, mas para isso precisa se infiltrar como guarda-costas da esposa dele, Maia - uma mulher misteriosa e cheia de segredos. Conforme a missão avança, a linha entre o dever e o sentime...
