← Maia's Pov →
- O Greco não tem de saber. _ cortei o silêncio entre nós.
— Até porque matava-me a mim._ ele respondeu sem me olhar.
O silêncio instalou-se outra vez.
Desde o que acontecera no dia anterior, eu sentia-me estranha. Não leve, não melhor. Apenas… mais confusa.
Pensara nele contra a minha vontade.
Pensara demasiado. E isso só me deixara mais cansada.
Ele tinha alguma coisa.
Encostei a testa no vidro da janela, observando a cidade passar.
Não era um dia bonito, nem precisava ser.
— Como encontraste o Andrew? — perguntei, sem virar o rosto.
— Investiguei.
— Só isso?
— Só isso.
Hesitei.
— Não foi o Greco que armou isso tudo, foi?
Ele demorou um pouco a responder.
— Não. Não foi.
Respirei fundo.
— Obrigada.
Ele não disse nada.
O carro parou alguns minutos depois em frente a uma casa simples, discreta. Nada que se parecesse com o mundo onde eu vivia agora.
— Fica aqui. — ele disse, saindo.
Observei-o até chegar à porta, não porque quisesse.
Mas porque, por alguma razão, os meus olhos não obedeceram.
Ele era alto. Não de uma forma exagerada, mas o suficiente para impor presença sem esforço.
Os ombros largos marcavam-se mesmo por baixo da camisa simples que usava. O corpo parecia feito mais para resistência do que para vaidade.
Caminhava com calma, mas havia firmeza em cada passo. Como alguém que estava sempre pronto para reagir.
O cabelo escuro estava levemente despenteado, como se ele tivesse passado os dedos por ele várias vezes durante o dia. O maxilar era marcado, a barba curta dava-lhe um ar ainda mais sério.
Tinha um rosto bonito.
Do tipo que não tenta ser bonito, simplesmente é.
O carro tinha o seu cheiro.
Um cheiro limpo e caro.
Masculino.
Não era forte, não invadia.
Mas ficava.
Desviei o olhar rapidamente, irritada comigo mesma.
Uma mulher atendeu. Eles trocaram algumas palavras.
Minutos depois veio até ao carro e parou na minha janela. O encarei com mais atenção.
— Ela disse que o Andrew saiu, mas não tarda. Esperamos ou voltamos outro dia?
— Esperamos.
Era como se ele já soubesse a minha resposta.
- Vamos esperar no carro. _ele disse.
- Não. _ estar com ele a sós era brecha para falarmos.
Eu não queria falar com ele pois sabia que ele pretendia falar sobre coisas que eu não queria.
- Vamos lá dentro. _ concluí.
- Você a conhece?
- Não.
- Vai estar um ambiente estranho lá dentro.
- Ainda assim.
- Você é a patroa. _ abriu a porta mim. Até esticou a mão para eu pegar.
Não peguei.
Entrámos.
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INFILTRADO
RomanceNolan é um policial determinado a desmascarar um poderoso empresário, mas para isso precisa se infiltrar como guarda-costas da esposa dele, Maia - uma mulher misteriosa e cheia de segredos. Conforme a missão avança, a linha entre o dever e o sentime...
