Capítulo 6

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Maia's Pov →

- O Greco não tem de saber. _ cortei o silêncio entre nós.

— Até porque matava-me a mim._ ele respondeu sem me olhar.

O silêncio instalou-se outra vez.
Desde o que acontecera no dia anterior, eu sentia-me estranha. Não leve, não melhor. Apenas… mais confusa.

Pensara nele contra a minha vontade.
Pensara demasiado. E isso só me deixara mais cansada.

Ele tinha alguma coisa.

Encostei a testa no vidro da janela, observando a cidade passar.
Não era um dia bonito, nem precisava ser.

— Como encontraste o Andrew? — perguntei, sem virar o rosto.

— Investiguei.

— Só isso?

— Só isso.

Hesitei.

— Não foi o Greco que armou isso tudo, foi?

Ele demorou um pouco a responder.

— Não. Não foi.

Respirei fundo.

— Obrigada.

Ele não disse nada.

O carro parou alguns minutos depois em frente a uma casa simples, discreta. Nada que se parecesse com o mundo onde eu vivia agora.

— Fica aqui. — ele disse, saindo.

Observei-o até chegar à porta, não porque quisesse.

Mas porque, por alguma razão, os meus olhos não obedeceram.

Ele era alto. Não de uma forma exagerada, mas o suficiente para impor presença sem esforço.

Os ombros largos marcavam-se mesmo por baixo da camisa simples que usava. O corpo parecia feito mais para resistência do que para vaidade.

Caminhava com calma, mas havia firmeza em cada passo. Como alguém que estava sempre pronto para reagir.

O cabelo escuro estava levemente despenteado, como se ele tivesse passado os dedos por ele várias vezes durante o dia. O maxilar era marcado, a barba curta dava-lhe um ar ainda mais sério.

Tinha um rosto bonito.

Do tipo que não tenta ser bonito, simplesmente é.

O carro tinha o seu cheiro.

Um cheiro limpo e caro.

Masculino.

Não era forte, não invadia.

Mas ficava.

Desviei o olhar rapidamente, irritada comigo mesma.

Uma mulher atendeu. Eles trocaram algumas palavras.

Minutos depois veio até ao carro e parou na minha janela. O encarei com mais atenção.

— Ela disse que o Andrew saiu, mas não tarda. Esperamos ou voltamos outro dia?

— Esperamos.

Era como se ele já soubesse a minha resposta.

- Vamos esperar no carro. _ele disse.

- Não. _ estar com ele a sós era brecha para falarmos.

Eu não queria falar com ele pois sabia que ele pretendia falar sobre coisas que eu não queria.

- Vamos lá dentro. _ concluí.

- Você a conhece?

- Não.

- Vai estar um ambiente estranho lá dentro.

- Ainda assim.

- Você é a patroa. _ abriu a porta mim. Até esticou a mão para eu pegar.

Não peguei.

Entrámos.


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