Maia's Pov
Eu ergui os olhos quando ele se sentou à minha frente.
Greco ocupava o espaço como se o restaurante tivesse sido construído para acomodar exatamente a sua presença. Terno escuro, postura confiante, olhar calculado. Tudo nele exalava controle.
Sempre exalou.
Sorri por reflexo.
O tipo de sorriso que aprendi a usar quando queria evitar perguntas.
- Quando eles chegam? _ questionei já que ele havia saído para telefonar.
— Eles devem estar a chega. — disse ele, num tom casual, enquanto ajeitava o guardanapo sobre o colo
Assenti.
Os nossos amigos.
A palavra soava estranha na minha cabeça. Algumas daquelas pessoas mal me conheciam. Outras conheciam versões de mim que eu mesma já não reconhecia.
Voltei o olhar para a mesa, fingindo interesse no cardápio que já tinha lido duas vezes sem absorver nada.
O silêncio entre nós não era confortável.
Nunca era.
Greco mexeu no telemóvel, pousou-o ao lado do prato e voltou a olhar para mim.
— Está tudo bem? _ a pergunta veio automática. Ensaiada. Como tantas outras.
— Está — respondi, sem pensar. — Só um pouco cansada.
Meia verdade.
Ele inclinou levemente a cabeça, como se estivesse a analisar uma peça de xadrez
Olhei ao redor outra vez. Casais trocavam risadas baixas. Um homem mais velho brindava com uma mulher jovem demais. Um grupo numa mesa ao fundo celebrava algo importante, talvez um contrato, talvez um aniversário.
Todo mundo parecia ter um motivo para estar ali.
Eu não sabia mais qual era o meu.
Greco estendeu a mão por cima da mesa e pousou os dedos sobre os meus. O toque era firme. Possessivo. Familiar.
Não recuei.
Mas também não me aproximei.
— Porquê a demora, princesa? — Greco perguntou, dirigindo-se ao homem que acabara de se sentar à nossa mesa.
Ele não vinha sozinho.
Levantei os olhos com calma ensaiada.
Russo estava acompanhado da mulher.
Giselle.
Elegante, postura impecável, sorriso treinado. O tipo de mulher que parecia nunca desalinhada, nem por dentro.
— Imprevisto, perdoem-me — disse Russo, mas o olhar desviou imediatamente para mim, demorando-se um segundo a mais do que seria confortável.
— Olá, Maia — Giselle cumprimentou, num tom doce demais para ser espontâneo.
— Olá. _ minha resposta saiu baixa, educada, vazia.
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INFILTRADO
RomanceNolan é um policial determinado a desmascarar um poderoso empresário, mas para isso precisa se infiltrar como guarda-costas da esposa dele, Maia - uma mulher misteriosa e cheia de segredos. Conforme a missão avança, a linha entre o dever e o sentime...
