Capítulo 5

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Noah's Pov

Algumas semanas depois

Admito, não me passara pela cabeça que seria tão difícil.

Não era a primeira vez que eu trabalhava como infiltrado. Já entrara em casas piores, lidara com gente mais perigosa, fingira ser coisas que nunca fora.

Mas nunca tivera de lidar com uma mulher como ela.

Maia De Luca.

A pessoa mais chata que eu conhecera na vida.

Eu não tinha muita paciência. E, se ela fosse homem, já teríamos resolvido isso na porrada há muito tempo.
Ela era insuportável. E eu não sabia se fazia aquilo de propósito ou se simplesmente nascera com o dom de me irritar.

"— Não toque em mim."

Dizia como se eu fosse algum tipo de ameaça.

Um dia ainda iria desejar que eu a tocasse até alcançar a sua alma.
Eu não pedira sua opinião.

"— Vá à merda." Era praticamente o nosso cumprimento diário.

Mas eu tinha de aguentar. Era novo naquela Unidade. Precisava provar que estava aí porque era competente e não por influência.

Precisava provar que era bom.

Depois de um dia longo pra caralho, por volta das onze da noite, tomei um banho rápido e comi a comida que Annie, uma colega, trouxera no fim de semana. Já não estava lá muito fresca, mas servia.

Enquanto comia, relia alguns relatórios sobre Greco De Luca.
Annie já o investigara antes. Chegara a levá-lo à esquadra. Mas saíra de mãos vazias.

Nada.

Nenhuma prova concreta. Nenhum aliado disposto a abrir a boca.
Nenhum dos homens que trabalhavam para ele ousara dizer uma palavra contra o patrão.

Greco era limpo demais. Ou parecia.
Se eu conseguisse prendê-lo, seria uma bela conquista para adicionar ao meu currículo.

Virei a página.

O rosto da Maia estava estampado ali.
Até distraída, a miserável era bonita.

Suspirei sem perceber.

Nos últimos dias, ela parecera ainda mais distante. Perdida em pensamentos. Até da sua má atitude eu começara a sentir falta.

O que era ridículo.

Eu sempre tentara puxar conversa.
Ela nunca dava bola.
Era realmente um osso duro de roer.
E, comigo, ativava sempre o modo cabra.

Sempre.

Como se eu fosse o problema do universo.

Eu queria acreditar que ela não fosse como o marido. Queria acreditar que, quando Greco fosse preso, ela não cairia junto.

Mas estava cada vez mais difícil.
Lembrei-me de uma das pérolas dela:

" — Não aperto a mão dos meus empregados."

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