Capítulo 57

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Sandy's Pov

Ela estava usando um vestido branco de linho, justo no lugar certo, largo onde devia fluir. Sem exageros. Sem esforço. Só aquela maldita elegância natural que parecia ter nascido colada nela. Aquele tipo de roupa que, em qualquer outra mulher, pareceria comum. Mas nela era outra coisa.

Ela andava como quem tinha certeza de que tudo ao redor lhe pertencia. E o pior é que pertencia mesmo.

Cabelos presos num coque baixo, alguns fios soltos de propósito, claro. Nunca bagunçados. Sempre no ponto exato entre o natural e o intencional. O tipo de penteado que exigia tempo, espelho e paciência mas parecia ter sido feito às pressas. Como tudo nela, perfeitamente calculado para parecer espontâneo.

E as joias...Pequenas, delicadas. Uma pérola solitária no pescoço. Um relógio fino no pulso esquerdo. Nada que gritasse. Tudo que sussurrava: eu tenho, você não.

Ela não precisava tentar. Não precisava se esforçar. Só existia e tudo se dobrava ao redor dela. A luz parecia segui-la. O ar parecia mais leve quando ela passava. Até o cheiro. Como alguém poderia cheirar a coisa cara sem exagerar?

Fiquei ali, parada, com o pano na mão, fingindo atenção ao que estava fazendo, mas cada passo dela ecoava dentro da minha cabeça. Cada detalhe daquela mulher que eu deveria desprezar e desprezava. mas que também...também me atraía como uma maldição.

Era absurdo o quanto ela tinha, o quanto era. E o quanto não fazia ideia de que alguém como eu existisse. Não de verdade. Porque ela me via, claro. Me cumprimentava, me agradecia, mas não me enxergava. Não sabia que, às vezes, eu experimentava os vestidos dela, que me imaginava sentada no sofá dela, usando a voz dela, cruzando as pernas dela. Dando ordens como ela.

Dormindo com o marido dela

Ela era tudo o que eu deveria ser.

- Sandy? _ me virei assustada. - O que está fazendo? Está parada aqui por minutos.

- Não é da tua conta. _ joguei o pano no balcão.

- Eu preciso que vá ao supermercado comprar algumas coisas.

- O quê?

- Maracujá. A Mrs. De Luca quer tomar suco de maracujá.

- Tem suco de maracujá na geladeira.

- Ela quer natural, Sandy.

Tirei o meu olhar dela ao ver Noah entrar com um monte de sacolas.

- Foi às compras? _ Lara afastou-se de mim.

- A ideia era apenas pegar maracujá...A Patroa quer tomar suco de maracujá.

- Desejos de grávida são para serem cumpridos. _ Lara disse com sorriso.

- Comprei isso para vocês. _ ele disse dando uma barra de chocolate à ela.

- Obrigada, és um querido.

- Não quero, obrigada. _ falei.

- Mais para mim. _ Lara recebeu.

- Vou fazer o suco.

- Não, eu vou fazer. _ Lara disse recebendo o saco. Desde o dia que ela me pegou a usar as roupas da Maia ficou estranha, diria que estava mais cautelosa quando se tratava de mim, era como se tivesse medo de mim. - Você pode ir pegar as roupas sujas, hoje é seu dia de lavar.

Sem dizer nada, saí da cozinha e fui pegar o cesto. A parte de dentro da casa estava silenciosa, ela estava no jardim com a Lola, quanto ao Greco, não sabia onde estava.

Abri a porta e olhei para tudo, tudo que poderia ser meu...Fechei a porta atrás de mim e ajoelhei diante do cesto.

Mesmo as roupas estando sujas cheiravam tão bem, peguei numa específica. Uma camisa do Greco, cheirei ela e sorri.

- O que tá fazendo aqui? _ o susto me fez largar a camisa. Havia saído do banho, tinha uma tolha vermelha enrolada na sua cintura, entretanto, conseguia notar o volume.

O seu corpo bem definido e molhado, deixou-me...Molhada.

- Só vim pegar a roupa suja, Mr. De Luca, perdão. Não sabia que estava aqui.

- Faça rápido, quero vestir.

Às pressas, peguei a roupa.

Em outras ocasiões ele poderia ter sido mais rude, mas não, ali ele estava educado, e àquela educação e bom humor devia-se ao fato de que seria pai.

Agora que àquela vadia carregava um filho dela, ele daria o mundo à ela se necessário. Ela poderia pedir tudo que ele daria.

Àquela maldita criança era a galinha de ouro dela. Ainda nem se quer havia nascido e ela já tinha tudo que desejava.

'' Faça isso, minha mulher quer comer''

Eu seria muito melhor que ela. Eu daria uma Mrs. De Luca muito mais emocionante.

Era ela quem deveria ser a empregada. Ela e não eu!




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