Capítulo 62

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Noah's Pov

O gabinete do sargento era abafado, como se o próprio ar desconfiasse de mim. Sentado à frente dele, com as costas rígidas e o maxilar cerrado, eu ouvia cada palavra tentando não transparecer a raiva que me subia.

— A missão deu errado, Nolan. — A voz dele vinha seca, como sempre, mas havia algo diferente naquele dia. Um peso nas entrelinhas.

Eu assentia, mantendo os olhos nele. Sabíamos os dois que aquele trabalho tinha sido preparado nos mínimos detalhes. Não havia espaço para erro... A menos que alguém tivesse falado demais.

— E só três pessoas sabiam — ele continuava, girando lentamente uma caneta entre os dedos. — Eu, você... e a Maia.

Engoli em seco. A menção ao nome dela me atravessava como um espinho. Não era uma acusação direta, mas o tom dele deixava tudo claro. Ele estava plantando uma dúvida, ou talvez já tivesse feito isso antes mesmo de me chamar.

— Não estou dizendo que foi ela — ele disse, olhando-me nos olhos com uma calma cruel. - Mas é estranho, não acha?

Estranho era pouco. Era revoltante. Eu revia a operação na minha cabeça, cada passo, cada plano. Nada tinha vazado da minha parte. E ele também não se exporia assim. Então... sobrava ela.

O nome do Greco pairava no ar mesmo sem ser dito. Era a ele que tudo apontava agora. O homem tinha aparecido no local certo, na hora errada, com informações que não devia ter.

— Você confia nela, Nolan?

Ele me perguntava como se não soubesse da resposta. Como se não soubesse o que havia entre mim e a Maia. E talvez fosse exatamente por isso que estava ali me testando. Eu confiava. Ou achava que confiava. Mas naquele momento...até a dúvida me parecia uma traição.

- Confio. A Maia não contou ao Greco, ela não fez isso.

- Como sabe?

- Simplesmente sei, Sargento.

- Há aqui conflitos de interesse, Nolan?

- Não. 

- Então, como raios o Greco soube da rusga? Como? _ levantou. - Eu não disse, você não disse, ela não disse, nenhum outros dos polícias aí disse, como raios ele soube?

Eu também não tinha respostas para as suas perguntas.

- Vou descobrir. 

- Porra! _ num ato de frustração, Sargento jogou os papeis que estavam por cima da sua mesa ao chão. - Desculpe..._ ele disse suspirando.  - Eu apenas...

- Tudo bem, Sargento. _ meu pai foi polícia. Variadas vezes eu o via a quebrar algum vaso ou dar um soco na parede porque alguma coisa no trabalho deu errado. - Eu não sei como eles não caíram.

- Não estou te culpando...Apenas não consigo entender como raios tudo foi por água abaixo.

- Eu o entendo, mas posso garantir-te que a Maia não disse nada. 

Ele voltou a sentar e suspirou.

- Fora a nossa Unidade, apenas os chefes sabiam. _ disse ele levantando sua cabeça. - Mas...Já não sei o que pensar.

Aquela insinuação pairava no ar, pesada, como a fumaça de um cigarro que ninguém acendeu. O sargento não acusava, mas também não aliviava. Ele só fazia o trabalho dele e eu entendia isso. Entendia melhor do que qualquer um. E talvez por isso me doesse tanto.

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