Cap. 3

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← Maia's Pov→

- Por que você é assim? — Bella reclamava assim que eu dizia que queria ir embora.

— Oi? — olhava para ela, confusa.

— Sempre que a gente sai, você fala em ir embora. Dá até preguiça te chamar.

— Eu não disse que vocês tinham de ir comigo.

— Só acho que, se é pra querer ir embora mal chega, era melhor nem vir.

O detalhe irónico era que eu realmente não queria estar ali. Giselle praticamente me arrastara para fora de casa.

— A Bella tem razão, Maia — Carol, a mais recente do grupo, concordava.

— A gente só quer que você se divirta um pouco.

— Eu não me divirto em lugares assim.

— Porque você não bebe — Bella empurrava um copo na minha direção.

Afastava a bebida de imediato.

— Tira isso de mim, por favor.

— Sério? Você não bebe nada?

Carol ainda não sabia. Eu odiava álcool. O cheiro, o gosto, a sensação de perder o controle. Tudo me dava aversão.

Antes que eu respondesse, Bella mudava de assunto.

— O teu guarda-costas não tira os olhos de você.

Revirei levemente os olhos.

— É literalmente o trabalho dele.

— Aposto que ele é bom de cama — ela dizia sem pudor.

Algumas riam. Outras olhavam na mesma direção.

— Vocês são ridículas — fazia uma careta.

— Imagina ele te pegando… — Giselle completava, provocativa.

E, contra a minha vontade, a imagem se formava.

As mãos dele na minha cintura. O corpo próximo demais.Afastava o pensamento como se fosse algo proibido.

— Giselle, você é casada — lembrava, tentando trazer algum senso àquela conversa.

— Verdade. Esqueci — ela ria, sem peso na consciência.

Elas voltavam a falar sobre roupas, viagens, marcas, pessoas que eu mal conhecia. Eu permanecia em silêncio, observando o salão iluminado demais, barulhento demais, cheio demais.

E, inevitavelmente, olhando para ele.

Meu guarda-costas mantinha-se a poucos metros, atento, sério, distante de tudo e de todos. Diferente daquele ambiente. Diferente de mim.

- Acho que vou para casa. _ disse olhando para o relógio. - O Greco iria querer que eu estivesse em casa agora.

- Por amor de Deus, mulher. Esqueça esse homem. _ Carol disse.

- Esse homem é o meu marido.

- Eu sei... Ele nem sequer está em casa. Se divirta um pouco, você acha que ele está mesmo trabalhando?

Aquelas palavras soaram estranhamente como se ela soubesse de algo que eu não sabia. Um alerta se acendeu em mim.

As outras olharam para ela, curiosas, mas em silêncio.

- O que você está insinuando? _ questionei.

- Não estou insinuando nada... Apenas estou dizendo que deveria se divertir ao invés de ficar aí sozinha.

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