Capítulo 76

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Greco's Pov

- Os membros do júri chegaram num veredito?

- Sim, Excelentíssimo Senhor Juiz.

- Na acusação de exploração, por envolvimento e financiamento de rede de prostituição, coação e chantagem de vítimas, como considera o arguido?

A voz do juiz ecoava na sala, fria, cortante. Eu permaneci sentado, imóvel, os olhos fixos à frente, o corpo inteiro contido.

As palavras passavam como uma chuva lenta, pesando no ar, lembrando-me de cada detalhe de tudo o que já tinha passado. Era o fechamento de meses de um julgamento que já não podia mudar nada.

- Consideramos o arguido inocente.

As palavras bateram na sala, firmes, finais.

Um murmúrio percorreu a audiência, mas eu permanecia sereno, respirando devagar, absorvendo cada segundo. Um sorriso quase imperceptível tocava os cantos da minha boca.

Vitória silenciosa.

A sensação de que o mundo ainda podia ser dobrado, contido, como sempre soubera que podia.

Me virei e dei se cara com o Nolan. Estava chocado e em transe.

Ele permanecia de pé, rígido, os punhos cerrados, os olhos fixos em mim. Não disse nada. Mas eu senti cada onda de frustração que emanava dele.

Desviei o olhar e voltei a olhar para o juíz.Mantive-me calmo, deixando que o silêncio falasse por mim.

Não precisava de palavras para provar que tinha saído vencedor. A decisão era oficial. A sentença era real. E ele sabia disso tão bem quanto eu.

Enquanto a sala começava a se mover, murmúrios enchendo o ar, eu permanecia inteiro, cada músculo consciente, cada passo medido. Saí dali com tudo intacto. Sem algemas, sem culpa, sem arrependimento.

E Nolan? Ele ficava, imóvel, carregando a derrota em silêncio.
E eu... eu respirava a minha liberdade.

- Já não assediou bastante o meu cliente, detetive? _ meu advogado disse tentando impedir o Nolan que se afastasse.

- Deixa ele. _ falei.

Aproximou-se e como se fôssemos dois titãs no meio da Arena prontos para começar uma luta sangrenta nos olhámos.

- Eu sempre disse que era inocente, detetive.

- Eu não sei o que aconteceu nesse julgamento, não sei o que fez, mas eu sei que você deveria estar preso.

Ri.

- Você apenas está desiludido por ter falhado na sua missão.

- Eu vou arranjar provas contra ti nem que tenha de colocar a Maia depor.

- A tua sede de ganhar será maior que o suposto amor que sente por ela, Detetive? Porque trazê-la aqui para depor, é expor ela ao ridículo.

- Eu a conheço o suficiente para saber que ela é forte.

- Se colocar ela a depor será mais sobre ela do que sobre mim. Eu acho que você não está pronto, detetive... _dei um passo para frente e o encarei mais sério. - Você não a sujeitaria a isso... Colocá-la naquela cadeira, para que todos saibam os seus piores segredos, as suas piores dores... Você não faria isso.

- Eu odeio-te, Greco De Luca.

- Foi bom conhecê-lo, Detetive. Foi divertido jogar ao gato e rato consigo.

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